Antes de iniciar a construção da casa de praia, saiba como escolher o melhor terreno para evitar problemas no futuro

Construção deve ter cuidados extras
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Construção deve ter cuidados extras
É preciso mais do que dinheiro no bolso e uma bela vista para assegurar verões tranquilos à beira mar. Antes de começar a construir a tão sonhada casa de praia tenha certeza de que se estará ocupando um local sem riscos de deslizamentos, enchentes ou desabamentos para que as férias não terminem em tragédia. Preocupações que podem ser sanadas com uma investigação cuidadosa do terreno.

O primeiro item a ser analisado é o grau de declividade ou a proximidade do terreno de áreas que já tenham histórico de risco.

“Quanto mais distante da beira de rios, córregos ou morros onde já tenham ocorrido deslizamentos, melhor”, afirma o geólogo Agostinho Ogura, do Laboratório de Riscos Ambientais do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT).

Se construir em uma encosta ainda for a principal opção, verifique com cuidado a vegetação local – “quanto mais antiga, menor será o risco”, indica a geóloga Luciana Pascarelli, da Secretaria de Coordenação de Sub-Prefeituras de São Paulo -, a existência de blocos de rocha rolados e o aparecimento de rachaduras nas residências próximas. “Esses podem ser indícios de problemas recentes.”

Conversar com a vizinhança sobre o histórico da região também pode ser de extrema importância para saber o que lhe espera. “Mas de qualquer forma, é essencial que o subsolo seja estudado tecnicamente por um geólogo ou por engenheiros capacitados antes de ser ocupado”, enfatiza Ogura.

Órgãos públicos são fonte de informação

Em algumas regiões, também é possível obter informações sobre o subsolo e áreas de risco nas prefeituras e unidades da Defesa Civil. “Muitas áreas de risco de São Paulo, por exemplo, já são mapeadas desde 2003 e podem ser consultadas nas Sub-Prefeituras”, indica Luciana.

Bem restritiva, especialmente em alguns estados, como São Paulo, a legislação ambiental também é outro parâmetro que deve ser levado em consideração. “A preocupação não deve ser só com as espécies que serão desmatadas, mas nas consequências dessa degradação da natureza”, diz o especialista do IPT.

“Quando se faz um corte profundo no morro interfere-se diretamente em sua estrutura. Isso pode gerar desastres não previstos pois será necessária uma nova acomodação da terra”, completa Luciana.

Cuidados com a construção

Análise do subsolo é essencial
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Análise do subsolo é essencial
De posse dos estudos de viabilidade de ocupação segura do terreno escolhido é possível dar início ao projeto de construção, que também deverá ser adequado às características do solo.

 “Em solos mais espessos é possível aprofundar a fundação para dar mais estabilidade à obra, mas se a camada de terra for estreita, como acontece na Serra do Mar, será preciso perfurar a rocha, o que pode encarecer muito a construção”, diz Luciana.

Acostumado a projetar casas no litoral Norte paulista e no Vale do Paraíba, áreas afetadas pelas chuvas das últimas semanas, o arquiteto Ricardo Viggiani  indica a construção de muros de arrimo para dar maior estabilidade às edificações em declive.

Também é preciso instalar canaletas e drenos para desviar a água da chuva para uma área distante, onde não haja risco de erosão, ou transferi-la para um reservatório para ser reaproveitada. O sistema de água e esgoto do dia-a-dia também deve ser periodicamente revisto para que possíveis vazamentos não ocorram e estimulem grandes infiltrações.

Em áreas de rios e córregos, a legislação determina que as construções fiquem a 30 metros de distância das margens para facilitar a drenagem. “O recomendável é fazer a construção de lajes em um nível mais alto, valendo-se de palafitas ou madeiramentos com vão livre”, diz Viggiani.

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