Conheça detalhes da vida do mestre brasileiro da arquitetura

Nascido em 15 de dezembro de 1907, Oscar Niemeyer cresceu na Zona Sul do Rio de Janeiro. Em 1928, casou-se com Annita Baldo, com quem teve uma única filha, Anna Maria.

Sempre gostou de desenhar e este dom lhe levou à arquitetura. Em 1929, ingressou na Escola Nacional de Belas Artes e, em 1932, iniciou sua carreira no escritório de Carlos Leão e Lucio Costa, por meio de quem conheceu Le Corbusier, em 1936.

O Museu Oscar Niemeyer, em Curitiba (PR), carrega uma das principais marcas do arquiteto: a forma sinuosa esculpida em concreto armado
AE
O Museu Oscar Niemeyer, em Curitiba (PR), carrega uma das principais marcas do arquiteto: a forma sinuosa esculpida em concreto armado

Do arquiteto franco-suíço, absorveu os princípios básicos da arquitetura moderna. A convergência de opiniões era tanta que a própria obra de Le Corbusier acabou tomando um novo rumo após o contato com o brasileiro.

Divisor de águas

A igreja da Pampulha, em Belo Horizonte (MG), tornou Niemeyer conhecido em todo o mundo
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A igreja da Pampulha, em Belo Horizonte (MG), tornou Niemeyer conhecido em todo o mundo
Na primeira fase da carreira, o arquiteto projetou o Conjunto Arquitetônico da Pampulha, em Belo Horizonte (MG), uma de suas obras-primas, que o tornou conhecido em todo o mundo. O destaque do complexo, concluído em 1943, é a Igreja São Francisco de Assis, em que um único elemento construtivo – uma abóbada parabólica erguida em concreto armado – serve de teto e parede. “Trata-se de um dos trabalhos mais marcantes de Niemeyer, pelo viço inovador que contém”, destaca Abilio Guerra, professor da FAU Mackenzie e editor do portal Vitruvius.

O ano de 1945 marca o ingresso de Niemeyer no Partido Comunista Brasileiro. Anos mais tarde, ele seria o responsável pelo projeto da sede do Partido Comunista Francês, uma de suas obras preferidas, pela qual não cobrou nada.

Outro importante projeto deste período foi a sede da ONU, em Nova York, no qual Niemeyer trabalhou ao lado de Le Corbusier. “Ali, suntuosidade e racionalidade se conflitam e se conciliam, gerando um dos mais espetaculares edifícios do século 20”, opina Abilio Guerra, professor da FAU Mackenzie e editor do portal Vitruvius.

Em 1953 é concluída a obra da Casa das Canoas, que serviria de residência para o arquiteto e sua família até a ida à Brasília. A laje sinuosa sustentada por pilotis é rodeada por jardins projetados pelo paisagista Roberto Burle Marx, parceiro de Niemeyer em muitos trabalhos.

A construção do Parque Ibirapuera, projetado por Niemeyer, marcou o quarto centenário de São Paulo
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A construção do Parque Ibirapuera, projetado por Niemeyer, marcou o quarto centenário de São Paulo
O ano seguinte é marcado pelos 400 anos de São Paulo, que ganharia uma série de obras emblemáticas na ocasião. O maior “presente” foi o Parque Ibirapuera, que marcava o início de uma identidade estética para a cidade. “O Ibirapuera, assim como os outros projetos feitos para o quarto centenário da cidade, reforçaram a ideia da modernidade paulista”, afirma Queiroz.

A marquise do parque, uma laje com cerca de 600 metros de extensão, que interliga os edifícios da Bienal, da Oca e do MAM (não previsto no projeto original), é “uma das áreas mais democráticas e agradáveis em espaços públicos de todos os continentes”, na opinião de Guerra. Para ele, este projeto teve destaque, “pelo ajuste feliz entre graça, harmonia e arbitrariedade”.

Ida à França

Com a ditadura instaurada em 1964, os projetos de Niemeyer passam a ser recusados. No ano seguinte, ele se junta a centenas de professores e pede demissão da Universidade de Brasília, onde lecionava.

O projeto da Editora Mondadori, na Itália, foi realizado durante a fase em que Niemeyer morou na França
Divulgação
O projeto da Editora Mondadori, na Itália, foi realizado durante a fase em que Niemeyer morou na França
Niemeyer vai, então, a Paris, onde haveria uma exposição sobre sua obra, e acaba ficando por lá, pois estava impedido de trabalhar em território brasileiro. Com escritório montado na capital francesa, o arquiteto projeta a sede do Partido Comunista Francês, a Universidade Mentouri de Constantine, na Argélia, e a Editora Mondadori, na Itália, além de outras obras no restante da Europa e na própria França, como o Centro Cultural Le Havre e a Bolsa do Trabalho de Bobigny.

Com a colaboração de sua filha Anna Maria, Niemeyer lança, em 1971, a sua primeira linha de mobiliário, que só seria fabricada no Brasil em 1978, pela Tendo Brasileira.

Volta pra casa

O Museu de Arte Contemporânea de Niterói permite uma das mais belas visões do Rio de Janeiro, cidade que tanto inspirou Niemeyer
Flickr Eduardo Pelosi
O Museu de Arte Contemporânea de Niterói permite uma das mais belas visões do Rio de Janeiro, cidade que tanto inspirou Niemeyer
Já de volta ao Brasil, Niemeyer desenha os Cieps, escolas públicas amplas e funcionais que marcariam o governo de Leonel Brizona, no Rio de Janeiro. E, para a capital do Estado, o arquiteto cria o projeto que daria forma a uma de suas obras mais vistas em todo o mundo: a Passarela do Samba, por onde desfilam anualmente as agremiações fluminenses.

Em 1987, surge o Memorial da América Latina, um centro dedicado à história e à cultura latino-americanas. No conjunto arquitetônico, chamam atenção os desenhos esculturais, que ganham vida em concreto armado, e a escultura de uma mão aberta onde o sangue dá forma ao mapa da região – “suor, sangue e pobreza marcaram a história desta América Latina”, nas palavras do próprio Niemeyer.

Em 1988, recebeu o mais importante prêmio da arquitetura mundial, o Pritzker. O reconhecimento veio também no ano seguinte, na Espanha, com o prêmio Príncipe de Astúrias. Em retribuição, Niemeyer projetou, em 2006, o centro cultural que seria inaugurado em 2010.

Entre os projetos mais recentes com destaque internacional, estão o Museu de Arte Contemporânea de Niterói (RJ), um projeto revolucionário inserido no cenário das montanhas do entorno da Baía de Guanabara, e o Museu Oscar Niemeyer, em Curitiba (PR). Em ambos, a arte e a arquitetura combinam-se harmoniosamente, com uma base servindo de pedestal para a pesada escultura de concreto, que parece levitar.

Centenário

O Centro Administrativo de Minas Gerais tem o maior vão livre em concreto armado suspenso no mundo
Divulgação/Bruno Magalhães
O Centro Administrativo de Minas Gerais tem o maior vão livre em concreto armado suspenso no mundo
Dois anos depois da morte se sua esposa, Annita Niemeyer, o arquiteto se casou com a secretária Vera Lúcia Cabreira. O ano seguinte, 2007, foi marcado pelas comemorações de seu centenário – com dezenas de mostras sobre seu trabalho – e pelo tombamento, pelo Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) de 35 obras de sua autoria.

Ao lado da esposa, Niemeyer lançou em 2008, a revista “Nosso Caminho”, voltada à arquitetura, arte e cultura. Em 2010, o arquiteto voltou ao noticiário internacional com a inauguração do auditório que leva seu nome, em Ravello, na Itália. No Brasil, foi inaugurado o Centro Administrativo de Minas Gerais, em Belo Horizonte – projeto de 2003.

Incansável, Niemeyer continua a todo vapor, trabalhando em diversos projetos. Entre eles, estão o Museu Pelé, em Santos, a nova Passarela do Samba carioca, o Tribunal de Contas de Roraima, em Boa Vista, a catedral de Cristo Rei, em Belo Horizonte, a Câmara Municipal de Poços de Caldas e uma torre de TV em Brasília. Também fazem parte da lista a Universidade de Música e Artes Dr. Daisaku Ikeda, em Araraquara, e o Memorial Ulysses Guimarães, em Rio Claro, ambos no interior de São Paulo.

No exterior, Niemeyer também tem projetos de edifícios a serem construídos, como o Museu de Arte Contemporânea de Ponta Delgada, em Portugal, a Biblioteca Árabe Sul-Americana, na Argélia, e uma vinícola na França, além de um museu dedicado às artes, em Havana, pelo qual não cobrou nada.

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