À prova de alagamento

Contorne os problemas trazidos pela chuva com planejamento e soluções inteligentes

Daniela Morás, especial para o iG São Paulo | 19/03/2010 07:58

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Foto: Getty Images

Mantenha bueiros limpos e ajude no escoamento natural da água

Diante de um dos verões mais chuvosos dos últimos tempos no Brasil, não há quem já não tenha se questionado o que poderia fazer para reduzir os problemas de alagamento dentro e fora de casa.

Essa questão preocupa, principalmente, quem vive em áreas de risco e em casas com grandes áreas externas.

Apesar de algumas adaptações serem possíveis para minimizar o problema quando a obra já está pronta, o ideal é procurar soluções anti-alagamento desde o início do projeto.

De acordo com o coordenador da divisão técnica de engenharia sanitária do Instituto de Engenharia de São Paulo, João Jorge da Costa, construir uma casa totalmente a prova de alagamentos é tarefa quase impossível.

“A engenharia vê a condição limite e introduz um coeficiente de segurança, que geralmente é de 95%.” Costa lembra, porém, que no caso de fenômenos aleatórios, como as chuvas, há tantas variáveis que fica difícil prever o tamanho dos estragos.

Investigar o terreno é primeira medida

O arquiteto Marcus Zechetti, da Angelo & Zechetti Arquitetos Associados, afirma que, antes de construir uma obra, é preciso investigar a área. “O histórico da região é a melhor forma de saber se é uma área de risco ou não”, garante.

A impermeabilização é frequentemente apontada como um dos fatores que mais contribuem para os alagamentos nas grandes cidades, assim como a ocupação ilegal e retificação de rios e córregos.

“Os grandes alagamentos em cidades como São Paulo acontecem porque a água das chuvas não consegue entrar no solo e flui rapidamente para os rios, que foram retificados ou canalizados, o que diminui sua área e capacidade de escoamento”, explica Zechetti.

Mas Costa garante que os fortes temporais, como os que atingiram o país nesse verão, são exceções, e que nenhum projeto de engenharia teria como prever o grande volume de chuvas para calcular o tamanho ideal de calhas.

Manutenção e limpeza de bueiros são fundamentais

A professora da Escola Politécnica da USP, Mercia Bottura Barros, lembra que é preciso ficar atento à manutenção do sistema de drenagem para evitar problemas. “Por mais bem projetado e eficiente que seja, o sistema de drenagem vai acabar resultando em problemas se estiver obstruído. Então, o mais importante é manter as calhas e dutos limpos.”

Ajude no escoamento natural da água

Uma sugestão dada por Mercia para ajudar no  é a implantação de telhados inclinados, ao invés do uso de calhas e tubos de drenagem na cobertura. Apesar desse escoamento de água ser mais prático, a professora alerta que ele só será bem sucedido se a colocação das telhas for a ideal.

“Se a inclinação e instalação forem feitas corretamente pode entrar água no interior da edificação”, afirma. “Quanto menor a telha, maior a inclinação necessária. As telhas cerâmicas e de concreto, por exemplo, exigem inclinação maior do que as telhas de fibrocimento ou metálicas”, completa.

Outras soluções que contribuem para a absorção da água são os pisos permeáveis, como o drenante e a concregrama. De acordo com Georges Rusalin, proprietário da Brascon, empresas especializada em pisos, o piso drenante, feito de granito, areia e cimento, consegue cerca de um litro de água por segundo.

“Estudos mostram que se em São Paulo fosse colocado piso drenante, o Estado economizaria com a construção de 20 piscinões”, afirma. O preço do piso drenante fica em torno de R$ 55,00/ m2.

Já a concregrama, que une uma trama de concreto com grama, consegue drenar 70% da água em sua superfície. Essa opção é boa para áreas de estacionamento, pois permite que os carros passem por cima da grama sem estragá-la e dão aspecto mais bonito.

Em compensação, Rusalin lembra que esse piso necessita de manutenção, o que o piso drenante dispensa. O preço do concregrama pode variar de R$ 43,00/m2 a R$ 58,00/ m2.

Conheça alguns pisos drenantes: