Reforma de R$ 700 mil transforma capela de 1928 em moradia

Quando Ronald Olthof e sua parceira, Sofie Suiker, decidiram comprar uma casa , seu primeiro instinto foi o de procurar um edifício antigo que pudessem reformar . Um espaço industrial abandonado, talvez. Nunca sonharam que iriam acabar em uma igreja. Mas isso foi antes da intervenção de um poder superior.

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"A princípio, queríamos comprar uma fábrica antiga", disse Olthof, de 39 anos, arquiteto da empresa Leijh, Kappelhoff, Seckel, van den Dobbelsteen, em Hengelo, cidade no leste da Holanda. E quase compraram, ele acrescentou: "Mas o negócio não deu certo".

Em seguida, foram ver uma igreja vazia, em Haarlo, uma pequena cidade próxima. E tiveram um bom pressentimento, contou ele. O sinal definitivo de que a compra da igreja pelo casal estava predestinada, porém, foi uma carta comunicando que a casa que estavam alugando estava prestes a ser demolida. Suiker, de 37 anos, se convenceu. "De quantos sinais lá de cima ainda precisamos?", perguntou a Olthof.

Ronald Olthof e a esposa Sofie Suiker grávida de gêmeos
Andreas Meichsner/The New York Times
Ronald Olthof e a esposa Sofie Suiker grávida de gêmeos

Depois de algumas idas e vindas, o casal comprou a capela de 1928, que havia sido usado pela Igreja Reformada Holandesa, em março de 2011, por 130 mil euros (cerca de R$ 395 mil) e começou a transformá-la em uma casa. O conceito que elaboraram era simples: reduzir o edifício a seus elementos essenciais; enfatizar os elementos mais interessantes, cercando-os com muito espaço; e mobiliar com moderação.

"Não preencher todo o espaço de 1.100 m³ com o máximo de quartos possível, mas minimizar as demandas, a fim de manter o espaço do prédio, foi uma escolha consciente", disse Olthof. "Queríamos mudar o mínimo possível".

Ainda assim, havia muito trabalho a fazer. Várias lixeiras cheias de entulho tiveram que ser removidas, juntamente com três telhados, um piso de madeira, alguns painéis de parede e um anexo mal construído da década de 1960. A reforma foi finalmente concluída em junho de 2012, a um custo de cerca de 250 mil euros (R$ 760 mil).

A transformação misturou o celeste e o ímpio de forma impressionante. Os visitantes são confrontados com um contido mural cinza de anjos e um interior branco em estuque que brilha com a luz que entra pelas janelas de vitrais restaurados, mas também com uma escada vermelho-sangue que leva até a suíte master do segundo andar. A escada fica em uma estrutura moderna, revestida com o piso reciclado da igreja, que também abriga o depósito e algumas funções da cozinha (o casal a chama de "escadaria da diversão").

O local onde ficava o altar agora é o escritório da casa – o que talvez tenha algo a dizer sobre o papel do trabalho na vida moderna. Do outro lado da nave, perto da entrada, ficará o quarto das crianças (eles estão esperando gêmeos que devem nascer em agosto). E o jardim do mosteiro foi transformado em área de estar ao ar livre do casal, onde um bando que chamam de suas "ovelhas perdidas" – pequeninas e de madeira – pastam no gramado.

"Temos um lema que resume a essência da casa para nós: valorizar a criança que existe dentro de cada um, manter-se puro, brincar, explorar e ser um pouco levado", disse Olthof. "Acho que o projeto da nossa casa representa isso." E acrescentou: "Nós honramos a santidade, mas adicionamos algo inocente e travesso à sua forma moderna".

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