Especialistas afirmam que má instalação ou fixação da máquina pode ter gerado o acidente

A queda do guindaste na Arena Corinthians, na Zona Leste de São Paulo, registrou duas mortes e trouxe à tona a importância de se conhecer a fundo o terreno da obra. A construtora Odebrecht ainda aguarda os laudos da perícia , mas membros da Polícia Militar e operários que estavam na construção no momento do acidente confirmam que parte do chão sob a máquina cedeu. O fato, no entanto, não significa que todo o terreno do estádio esteja comprometido. “É preciso fazer uma investigação apurada. Apenas o equipamento pode ter sido mal instalado ou fixado em uma área de instabilidade”, diz Luis Sérgio Mendonça Coelho, professor de engenharia civil do Centro Universitário da FEI.

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A fixação de um guindaste é uma tarefa que exige cuidados específicos. O modelo usado na obra do estádio corintiano é o maior do País – com 114 metros e capacidade para suportar 1.500 toneladas – e pode ter sido mal instalado . Antes de usar esse tipo de máquina, é fundamental que um estudo local do terreno seja realizado, identificando possíveis áreas que tragam instabilidade aos pontos de apoio da máquina. “O equipamento tem partes que devem ser fixadas no solo e, caso não haja sustentação, é necessário fazer a instalação de placas metálicas próximas aos apoios”, afirma o professor.

Outro aspecto que pode ter causado a queda do guindaste é a instabilidade do terreno. “A investigação do solo deve contar com análises gerais e, muitas vezes, até de laboratórios, dependendo da obra. Não é porque o terreno é arenoso que não há possibilidade de construir. Basta apenas que o perfil geológico seja identificado”, diz Heraldo Luiz Giachefi, professor de engenharia civil da Unesp.

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Qualquer projeto de engenharia exige a realização de estudos sobre o tipo de solo, de modo que os engenheiros consigam decidir sobre o melhor tipo de fundação a ser feita. Foi essa análise que determinou a instalação de 3.200 estacas de sustentação no terreno arenoso de Itaquera – a maior quantidade entre as arenas da Copa – logo no início das obras. Quanto mais “mole” é o terreno, maior a necessidade destas estruturas e mais profunda a fundação deve ser.

Um dos estudos possíveis para a sondagem do tipo de solo é a realização de furos ao longo do terreno para conferir os tipos de materiais presentes (como areia e argila, por exemplo) e sua dureza. O custo de tal análise não ultrapassa 1% do valor final da obra.

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