Visitamos a famosa residência paulistana para mostrar os ambientes projetados pelo arquiteto Eduardo Longo

A proposta de Eduardo Longo era construir habitações modulares que valorizassem a individualidade dos moradores e o dinamismo da cidade. Assim a Casa Bola surgia. O formato circular permitiria ao arquiteto paulista conectar os apartamentos e uma estrutura metálica garantiria a livre circulação embaixo do prédio e entre as cápsulas. “Moradias em círculos preservariam o isolamento dos vizinhos (já que os imóveis não seriam geminados) e haveria a possibilidade de construir prédios altos e compridos. Além disso, a bola tem um volume perfeito, nenhum objeto é mais leve do que ela”, afirma.

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Era preciso fazer um protótipo e, em 1973, a residência inovadora localizada sobre a casa de Longo, na Rua Amauri, em Pinheiros, começou a ser construída. O projeto foi concluído seis anos depois e se tornou um verdadeiro símbolo da arquitetura paulistana. Este mês, o livro “Sobre Bolas e outros Projetos. Eduardo Longo - Arquiteto” (Editora Paralaxe) foi lançado para contar a trajetória do profissional e a Casa Bola pode ser conhecida pelo público na próxima sexta-feira (29), em uma visita orientada pelo Museu da Casa Brasileira.

Unir bolas em um modelo novo de habitação era algo realmente desafiador, e Eduardo Longo planejava comercializar módulos prontos direto da fábrica. Para tanto, era essencial testar o modelo e entender os mínimos detalhes da produção. A alternativa foi construir o protótipo em tamanho real e produzir tudo artesanalmente. “A maior dificuldade que senti no início foi colocar a ideia no papel. Não hesitei em participar de perto da obra. Toquei a reforma com a ajuda de um pedreiro e de Charles Holmquist, um amigo construtor de barcos”, diz.

O formato circular se mostrava vantajoso pela economia de material, alta resistência e possibilidade de aproveitar melhor o terreno. A nova moradia , entretanto, poderia alcançar apenas oito metros de diâmetro sem invadir a área do vizinho. “O tamanho inicial era de dez metros e isso me permitiria dobrar o atual volume. Mas tive que me adaptar”, afirma.

A construção da Casa Bola contou com tramas metálicas e argamassa armada (concreto sem pedra), o que trouxe firmeza à residência. Longo também se preocupou em revestir a estrutura com isolante térmico e garantir a entrada de luz por meio de grandes janelas, principalmente nas salas. Já a estética da fachada não foi prioridade na arquitetura. Influenciado pela chegada do homem à Lua, o arquiteto resolveu no último momento cobrir o modelo com placas de alumínio – conferindo algo espacial à fachada.

Confira abaixo o vídeo com imagens dos ambientes da Casa Bola de Eduardo Longo:

Faltava ainda resolver a distribuição dos ambientes. Os três andares da nova moradia representavam 135 m² de piso e acabaram sendo divididos segundo o formato tradicional da época - sala de estar, copa, cozinha, três suítes, lavabo, área de serviço e sótão. Portas e janelas ganharam estética semelhante à usada em submarinos, porém, Longo garante que o objetivo era apenas conseguir mais espaço . O sistema de ventilação da casa é eficiente, uma vez que corredores apresentam saídas de ar e quartos e salas ar-condicionado. O inconveniente é o afunilamento da bola, que faz janelas e pés direito ficarem menores.

Outra proposta arriscada para os anos 1970 era a de mobiliar apenas com o necessário. O arquiteto paulista entrou na onda hippie e economizou em elementos decorativos, além de recorrer à cor branca para ganhar amplitude. “Procurei também usar o material da estrutura para confeccionar móveis fixos (bancadas, pias, vasos sanitários e camas). Hoje percebo que seria mais interessante priorizar uma divisão interna mais dinâmica”, diz.

O resultado da obra fez sucesso entre os familiares e Longo morou por anos com a esposa e filhos no local. Hoje, o arquiteto de 71 anos vive sozinho na residência e ainda não viu o projeto de habitação idealizado em prática. “Acredito que não tenha vingado porque nunca cheguei a determinar um custo final, e a ideia de uma vida simples não se mostrou promissora na época”, afirma. “Agora as pessoas se interessam mais por decorações que economizam espaço, pois as moradias estão cada vez menores. Talvez seja um bom momento para pensar sobre a Casa Bola", diz.

Serviço:

X Bienal de Arquitetura de SP

Visita à Casa Bola – somente com agendamento prévio
Local: Rua Amauri, 352 – Pinheiros (o passeio será guiado pelo Museu da Casa Brasileira)
Data: 29 de novembro
Horário: 11h ou 16h
Telefone para agendamento: (11) 3032-3727


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