Tecnologia desenvolvida na Alemanha reforça a estrutura das construções e garante mais segurança após os tremores

Controlar o impacto que um terremoto causa nas construções tem exigido grandes esforços de engenheiros do mundo todo. As medidas até hoje encontradas – a instalação de amortecedores nas estruturas e o uso de sensores nas construções, por exemplo – se mostram eficazes, contudo, ainda muito caras. A saída desenvolvida pela Bayer, em parceria com o Instituto Karlsruhe de Tecnologia e a empresa Karst (ambos da Alemanha), foi investir em uma espécie de papel de parede anti-terremoto. O tecido produzido em fibra de vidro e polímeros consegue dissipar a energia dos abalos sísmicos e manter a estrutura das construções inteira.

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Tecido alemão produzido com fibra de vidro e polímeros consegue dissipar a energia dos abalos sísmicos
Divulgação
Tecido alemão produzido com fibra de vidro e polímeros consegue dissipar a energia dos abalos sísmicos

“Nosso objetivo é atrasar ou mesmo impedir o colapso total das paredes, oferecendo mais tempo aos ocupantes fugirem do local em segurança”, explica o professor Lothar Stempniewisky, do instituto alemão. A elasticidade das fibras de polipropileno do novo tecido, também conhecido como EQ-Top, reduz a sobrecarga do abalo sísmico nos pontos em que a estrutura corre maior risco de desabamento. “A proposta é simples e barata . O tecido suporta facilmente 500 kg por metro quadrado. E, no caso de lajes, ainda é possível aplicar uma camada dupla da malha”, afirma Dikran Berberian, professor da Faculdade de Engenharia Civil da Universidade de Brasília (UnB).

O tecido deve ser aplicado na alvenaria de modo semelhante a um papel decorativo e pode receber qualquer tipo de acabamento, sem afetar a tecnologia. O produto ainda não está à venda no Brasil, mas já é encontrado em países como Itália e Alemanha. Materiais semelhantes à novidade do instituto já estão presentes no mercado internacional. Malhas de fibra de carbono e aramida também se mostram bastante resistentes e permitem reforçar as estruturas das construções. “O produto se justifica em regiões que sofrem com terremotos (o Japão, por exemplo), mas em países como o Brasil, a utilidade é muito reduzida . Mesmo para a recuperação de fissuras não faz sentido. Seria como matar uma formiga com um canhão”, afirma Fernando Sabbatini, professor de tecnologia construtiva da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo.


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