Empresária Etel Carmona reforça parcerias com designers consagrados e apresenta novas peças do arquiteto polonês

Não é exagero falar que Etel Carmona é uma espécie de ourives da marcenaria. Seu trabalho artesanal na grife Etel Interiores se destaca pelo rico design e pela valorização da madeira brasileira. A designer autodidata que comanda hoje marcenarias e florestas de manejo em diversos estados do País, acaba de completar 20 anos de coleções exclusivas. Muitas de suas produções foram assinadas por designers famosos como Claudia Moreira Salles, Carlos Motta e Isay Weinfeld. Para comemorar a trajetória de sucesso, Etel apresenta, em sua loja de São Paulo, 20 peças (onze inéditas) do arquiteto consagrado Jorge Zalszupin. E as novidades não param. A empresária dará início à fabricação e produção de toda linha de mobiliário criada por Anna Maria e Oscar Niemeyer.

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A primeira fase do lançamento de móveis assinados pelo arquiteto carioca e sua filha conta com seis peças - a icônica chaise Rio, criada em 1970, a curvilínea Marquesa, a Poltrona e Banqueta Alta e, ainda, uma bela mesa de jantar e outra de trabalho. A sensualidade dos traços de Niemeyer é uma marca encontrada também nas obras modernas do polonês Zalszupin. O arquiteto de 91 anos escolheu o Brasil, em 1949, para montar seu escritório e teve na poltrona Dinamarquesa uma grande repercussão de seu design.

Os móveis integrantes da coleção de Zalszupin foram criados nas décadas de 1950 e 1960 e escolhidos por ele, Etel e seus familiares. “Buscamos produzir peças não editadas e pouco conhecidas no mercado. Etel mostra um acabamento impecável e total compreensão de meus desenhos, linhas e curvas. Foi a melhor parceira que poderia ter encontrado”, diz o arquiteto. Consagrado pelo uso de jacarandá e couro, Zalszupin explica seu método de criar: “a inspiração surge da necessidade de conseguir um modelo anatômico e confortável no corpo. O design só é válido quando pode ser usado no cotidiano; é para isso que ele é feito”.

Etel e seu legado

O envolvimento da mineira Etel Carmona com design teve início na garagem de um sítio no interior de São Paulo. Ao dedicar-se à confecção e restauração de obras em madeira, ela foi descoberta pelo designer Fúlvio Nanni e teve seus móveis comercializados pela primeira vez em 1980. O sucesso das vendas fez que a designer criasse, oito anos depois, a Etel Marcenaria, em Valinhos. A consolidação da marca aconteceu em 1993, quando um showroom da grife Etel Interiores foi aberto em São Paulo. O segredo da empresária? Investir em métodos artesanais, ricas técnicas de marchetaria e belos encaixes nas confecções. Além, é claro, do caráter sustentável, usando somente madeiras certificadas.

Etel completa 20 anos de coleções exclusivas assinadas por designers e arquitetos consagrados
Divulgação
Etel completa 20 anos de coleções exclusivas assinadas por designers e arquitetos consagrados

Sua preocupação com o meio ambiente já é bem antiga. Em 1999, envolveu-se com projetos sustentáveis na região amazônica. Fundou a empresa Aver Amazônia, em Xapuri (AC), voltada ao ecodesenvolvimento da floresta e, em 2001, recebeu a certificação FSC (Forest Stewardship Council - Conselho de Manejo Florestal) na fábrica de Valinhos. A proposta de explorar a floresta com responsabilidade fez Etel virar sócia, em 2005, de Roberto Waack e Dario Guarita, na empresa florestal Amata – que desenvolve ações ambientais e sociais em áreas de extração.

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Etel Carmona possui hoje marcenarias no Acre e em São Paulo – muito em breve também em Rondônia – e destaque em cidades como Nova York, Los Angeles e Lisboa. “Não mudei nada em 20 anos. Continuo fazendo tudo à mão, em madeira maciça e certificada. É algo único, uma verdadeira obra de arte. Acredito ser uma das últimas a resgatar a arte na indústria”, afirma. Quer saber mais sobre a empresária? Veja abaixo a entrevista que fizemos com ela:

iG: Ao longo de mais de 20 anos, você se destaca na produção artesanal de móveis em madeira. Como o trabalho é recebido nos dias de hoje?
Etel: As pessoas têm valorizado cada vez mais o mobiliário artesanal. Mas não me preocupo em ditar tendência ou lançar moda. A madeira é interessante por transmitir aconchego , ser muito durável e atemporal. Além disso, cada peça é única, exclusiva, nenhuma se repete.

Não me preocupo em ditar tendência ou lançar moda. Cada peça em madeira é única, exclusiva

iG: O que é necessário para uma boa parceria de design?

Etel: As coisas acontecem de maneira natural. O importante é haver empatia entre os trabalhos da grife e do designer. Já reeditei muitos profissionais brasileiros de sucesso.

iG: Qual método foi usado na hora de escolher as obras de Zalszupin?

Etel: O mobiliário de Jorge foi muito expressivo nas décadas de 1950 e 1960. Desse modo, buscamos desenhos em antiquários e colecionadores. Encontramos peças maravilhosas e incrivelmente contemporâneas. Ele ainda tem características de design muito parecidas com as minhas, e isso ajudou na parceria. Os itens expostos na loja de São Paulo foram confeccionados em madeira de sucupira e cumaru.

iG: Quando o assunto é produção sustentável, quais cuidados devem ser ressaltados?
Etel: Minha empresa foi a primeira a conquistar o selo FSC no Brasil. Sempre tive muita preocupação com manejo florestal. Valorizo a ideia de “colheita natural da floresta”, ou seja, dou prioridade às árvores maiores e mais velhas. Dividimos a floresta em partes e, às vezes, a época de retirada pode demorar até 30 anos. Não há prejuízo econômico porque tenho bastante oferta disponível e as coleções têm caráter exclusivo.

iG: Muitos dos profissionais de suas empresas são moradores de florestas que receberam capacitação. Como funciona o processo?
Etel: Tenho hoje 130 artesãos nas fábricas. Mantenho um mestre de marcenaria em Valinhos trabalhando comigo há mais de 20 anos, que ensina os mais novos. As pessoas da comunidade podem se desenvolver ali. Não dou o peixe, ensino a pescar.

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