O designer carioca que investe em novos materiais e formatos apresenta agora uma série de móveis em aço corten e madeira

Olhar atento, sotaque carioca e uma timidez pra lá de simpática. Zanini de Zanine é um surfista nas horas vagas que vem pegando ondas radicais quando o assunto é design. Com apenas 35 anos, ele chama a atenção de grandes marcas como as italianas Slamp e Cappellini e já acumula mais de 15 prêmios em sua carreira. Zanine é ousado e não titubeia em apostar na versatilidade de formas e materiais – produz em madeira, plástico, resíduo florestal e até material reciclado como shape de skate. Sem hora para fechar o estúdio, o designer apresenta agora um trabalho em madeira e aço corten (metal usado na construção civil e na fabricação de esculturas). A mistura inusitada resultou em oito itens do mobiliário que serão expostos no próximo dia nove, na galeria Firma Casa, em São Paulo.

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“Foi a primeira vez que investi em aço corten nas peças. Achei muito interessante desenvolver móveis de estética semelhante a usada em esculturas”, afirma Zanine. “A nova linha inclui luminária, poltrona, bancos, mesa de centro e cadeira. Há formas variadas e o resultado foi surpreendente. Os materiais apresentaram sintonia até nas tonalidades”, diz. A vontade de experimentar apenas reforça o jeito inquieto do designer. Na estrada há mais de dez anos, o filho caçula do arquiteto, escultor e moveleiro José Zanine Caldas transita com intimidade entre o moderno e contemporâneo, sem qualquer problema ou crise de identidade. Ao contrário, tamanha irreverência só ajuda a consolidar sua marca.


"Zanine não segue moda nem apareceu do nada. Ele mostra coesão e é marcado por um caráter polivalente”

“Zanini de Zanine consegue extrair potencial em diferentes matérias-primas e processos industriais, além de encontrar soluções inusitadas na hora de conceber os projetos, tornando seus produtos realmente únicos”, afirma Alexandre Lazzarotto, diretor da Allê Design (empresa responsável pelo lançamento de uma coleção de móveis infantis, em metacrilato, assinada pelo designer em 2009). Pedro Franco, designer da A Lot Of, ainda completa: “seu trabalho é retilíneo e contínuo. Zanine não apareceu do nada, há uma série de peças em sua carreira. Ele mostra coesão e não segue a moda. Além de ser marcado por um caráter polivalente, de muitas cores e matérias-primas.”

De pai para filho

A desenvoltura com o design teve origem ainda no ambiente familiar. Em um apartamento de decoração rústica, repleto de itens em madeira, o jovem carioca vivia cercado por móveis de seu pai. A força da cultura brasileira também estava presente no artesanato espalhado pelos ambientes da casa – desde cerâmicas até tapetes. A convivência com Zanine Caldas e seu trabalho admirável foi, aos poucos, se tornando referência. “A oficina dele era meu espaço de lazer. Fui muitas vezes nos canteiros de suas obras para brincar. Hoje, percebo que muitas das informações que uso em meus projetos vieram de tais experiências”, revela o designer.

O carioca Zanine não tem medo de apostar em novas formas e materiais como aço corten
Divulgação
O carioca Zanine não tem medo de apostar em novas formas e materiais como aço corten

Seu desenvolvimento foi ainda marcado pela proximidade com personalidades como os arquitetos Lucio e Janete Costa, Sérgio Bernardes e Sergio Rodrigues; o artista plástico Juarez Machado, o escultor Amilcar de Castro, o músico Tom Jobim, o escritor Jorge Amado e outros contemporâneos ao pai arquiteto e a mãe cineasta. O acúmulo de referências, o gosto pelo desenho e a vontade de criar móveis levou Zanine ao curso de desenho industrial na Pontifícia Universidade Católica. E foi durante este período que a grande oportunidade de trabalhar com Sergio Rodrigues apareceu. “Assim como meu pai, ele valoriza a cultura do País. Queria estar ao lado dele e conhecer melhor seu trabalho. Durante o ano que estagiei lá tive a certeza de que estava na carreira certa”, diz.

A faculdade acabou e Zanine decidiu buscar um caminho independente para a sua carreira. Queria liberdade de criar e testar novos materiais. Em 2003, montou um ateliê voltado à produção de itens maciços em madeira e, seis anos depois, formalizou a marca Doiz Design – hoje absorvida pelos Studios Zanini – na ideia de elaborar peças limitadas. “O que mais chama atenção na trajetória dele é o impacto de seu desenho, mesmo sendo tão jovem. Há muita força de expressão e autenticidade. Ele não faz cópia nem tampouco segue a linha da homenagem, mas respeita as criações do pai”, diz Waldick Jatobá, curador da Firma Casa.

E vem mais trabalho por aí. Zanine já prepara novos lançamentos para marcas internacionais e deve alçar novos voos em breve. Após ter criado móveis exclusivos em madeira de demolição para um arquiteto curitibano, o designer assinará um espaço empresarial no Rio de Janeiro e um projeto residencial em São Paulo. “O traço dele apresenta muita clareza e o humor que emprega em suas obras transmite brasilidade. Tudo isso somado a uma mistura de processos e ao reuso de materiais gera uma repercussão positiva no mercado”, afirma Sueli Garcia, coordenadora do curso de Design de Interiores do Centro Universitário Belas Artes. E o que mais esperar deste carioca antenado? Uma vida longa e próspera.


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