Projeto de 1958, em São Paulo, revela arquitetura ousada, mas diferente das obras mais famosas da arquiteta

Famosa por ter projetado o MASP (Museu de Arte Moderna de SP) e o SESC Pompeia, em São Paulo, a arquiteta Lina Bo Bardi também fez incursões na área residencial. Em sua extensa lista de trabalhos estão pelo menos três obras: uma já demolida, na Bahia; a Casa de Vidro, onde a arquiteta morou, em São Paulo; e a pouco conhecida Casa Cirell, que irá a leilão em 26 de junho, também na capital paulista.

A fachada da Casa Cirell é revestida por seixos rolados e cacos de vidro
Eduardo César/Fotoarena
A fachada da Casa Cirell é revestida por seixos rolados e cacos de vidro
Diferente das tradicionais casas das décadas de 1950 e 1960, a Casa Cirell, de 1958, é um grande volume geométrico, no bairro do Morumbi, que abriga salas de visitas e de jantar, dois quartos, cozinha, lavanderia e mezanino, além da varanda.

“Ela é bastante ousada, inclusive para os dias de hoje”, diz o arquiteto Marcelo Ferraz, que trabalhou com a autora do projeto durante 15 anos. Ele destaca o contraste entre as modernas linhas retas da construção e os materiais rústicos utilizados na fachada, como seixos rolados e cacos de vidro.

A integração com o jardim é uma das principais características deste projeto
Divulgação
A integração com o jardim é uma das principais características deste projeto
“Essas soluções construtivas mais populares em nada lembram o trabalho anterior de Lina, marcado por estruturas de aço, concreto armado e vidro”, afirma Renato Anelli, professor da Faculdade de Arquitetura da USP de São Carlos e conselheiro do Instituto Bardi, responsável pela preservação e divulgação da obra de Lina e Pietro Maria Bardi – jornalista, historiador e negociador de obras de arte, com quem a arquiteta foi casada.

“A integração com o jardim, por meio da varanda construída com estrutura e telhado de madeira, antecipa os temas que seriam desenvolvidos por ela nos anos seguintes, na Bahia”, completa.

Para Anelli, outro aspecto marcante do projeto da Casa Cirell é a existência de vegetação nas paredes e no teto, como se fosse uma ruína precoce. Na cobertura do grande bloco retangular que compõe a casa, estabeleceu-se um imenso terraço-jardim – “é o que hoje chamamos de telhado verde”, afirma Ferraz.

Uma das principais bandeiras da sustentabilidade, o teto verde absorve a água da chuva, possibilitando seu reuso e resfriando a construção, o que pode levar à diminuição do uso de ar condicionado.

Leilão

Feita para Valéria Cirell, amiga de Lina Bo Bardi, a casa foi adquirida em 1973 por Guilherme Giorgi Lacerda Soares e Maria Luiza d’Orey Lacerda Soares, atual proprietária, que passou a responsabilidade da venda para a empresa Espaço Artes & Leilões.

As cadeiras que hoje ocupam a beira da piscina da Casa Cirell têm design de Lina Bo Bardi
Eduardo César/Fotoarena
As cadeiras que hoje ocupam a beira da piscina da Casa Cirell têm design de Lina Bo Bardi

Além do imóvel de 2 mil m², cujo lance inicial será de R$ 2,7 milhões, serão apregoados 500 itens, entre objetos de arte e antiguidades, sendo que algumas peças têm design da própria Lina Bo Bardi. Caso da máscara fixada no muro e de um par de cadeiras, que hoje ocupa a beira da piscina.

A casa estará aberta à visitação somente em 26 de junho, data em que ocorrerá o leilão, a partir das 16 horas.

Serviço

Casa Cirell
Rua Brigadeiro Armando Trompowsky, 65, Morumbi - São Paulo (SP)
Informações: (11) 3086-0005

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