Nas ¿Olimpíadas da cesárea¿, não tem pra ninguém: é o Brasil o ganhador da medalha de ouro

_CSEMBEDTYPE_=inclusion&_PAGENAME_=ModeloiG%2FMiGComponente_C%2FConteudoRelacionadoFoto&_cid_=1237491663608&_c_=MiGComponente_C

E quem contribui muito para esse status são os planos de saúde. Atualmente, aproximadamente 80% dos partos feitos pelo setor de saúde suplementar são cesáreas. Para se ter uma idéia do que isso representa, a Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda que apenas 15% dos partos sejam feitos através de intervenção cirúrgica .

Por causa dos altos índices de cesáreas no país, a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) lançou, no final do mês passado, uma campanha em prol do parto normal. Batizada de Parto normal está no meu plano , a campanha pretende informar as mulheres em idade fértil sobre os benefícios do parto normal e sobre os riscos de uma cesariana sem indicação precisa.

Essa decisão, que cabe à mulher, tem que ser respeitada. Por isso, o ideal é que, durante a gestação, ela se informe sobre todas as possibilidades de parto.

Foi assim com a escritora e historiadora Micheliny Verunschk, 35 anos. Comecei a ler e me informar sobre as formas de parto e sua realidade no Brasil. Quando percebi que nos hospitais a regra, de uma maneira geral, é a cesárea, me assustei. Eu me assustei também com os procedimentos não recomendados pela OMS que o Brasil usa indiscriminada e, às vezes, desnecessariamente, explica Micheliny, que há pouco mais de dois anos teve Nina, sua primeira filha, em casa, por opção, com o acompanhamento de Vilma Nishi, parteira e enfermeira-obtestriz, depois de ter tido a gravidez acompanhada pelo obstetra Jorge Kuhn, reconhecido pelo estímulo ao atendimento humanizado.

Micheliny, que pretende ter outro filho da mesma forma, conta que a maior dificuldade foi enfrentar a desconfiança e resistência da família e de alguns amigos. Quando se toma um caminho desses tem que ser uma decisão conjunta entre os pais da criança, pois eles terão que enfrentar Deus e o mundo. Quem faz parto em casa hoje está na contracorrente, explica.

Se o parto normal está na contracorrente, Camila Dourado, 28 anos, é um exemplo de quem se adequou ao sistema. Eu podia tranqüilamente ter parto normal, mas tive medo e preferi cesárea. Passei a gravidez inteira dizendo à médica que não faria parto normal de jeito nenhum. Ela tentou me convencer durante os nove meses de gestação, mas, no fim, deu um jeito para que fosse cesariana. Eu tinha muito medo de dar errado, explica.

Apesar de ter conseguido o parto que queria, Camila relembra detalhes chatos do período pós-operatório. Eu senti muita dor e quase não conseguia pisar no chão no dia seguinte. Eu me sentia desmontada por dentro, dor no corte, entre outras coisas, mas nada que não pareça normal comparada a qualquer outra cirurgia. Então, como eu estava me sentindo mais segura por ter feito cesárea e ter dado tudo certo, tive força para passar, numa boa, por todas as dores e coisinhas chatas de uma cirurgia. Mas achei difícil, meio sofrido, conta.

A cesárea é necessária?

Leia mais sobre: parto normal

    Leia tudo sobre: gravidez
    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.