Por que deixamos de nos comprometer com os problemas do próximo?
Uma aluna chamada Ana contou indignada que havia levado um tombaço domingo, no parque do Ibirapuera lotado de gente, e ninguém correu para ajudá-la.
Além da dor, comentou que ficou profundamente revoltada por não ter sido reconhecida como alguém que naquele momento precisava muito de auxílio.
Beatriz, uma leitora, comentou num e-mail magoado que no escritório derrubou uma caixa cheia de papéis no chão e nenhum dos seis colegas presentes foi gentil o suficiente para ajudá-la.
Uma amiga contou que precisou pedir dinheiro emprestado na rua porque havia sido roubada e levou quase vinte minutos para conseguir uma pessoa que se dispusesse a ajudá-la.
Diante destas e de outras histórias de falta de solidariedade e boa vontade, é para se pensar o que nos faz tão insensíveis ao outro. Por que deixamos de nos comprometer com os problemas, grandes ou pequenos, dos que não nos são próximos e queremos distância das pessoas que não nos dizem respeito?
No último TED (evento intitulado “Technology, Entertainment, Design”, que começou como uma conferência 25 anos atrás), um pensamento ficou claro: só podemos pensar na vida na Terra nos próximos anos se ficar entendido que a preocupação do mundo deve estar voltada para a vida em comunidade.
Se isso for verdade, no dia a dia dá para perceber que temos um problemão para resolver até chegar o futuro. Onde colocamos o descaso para com os outros, a falta de sensibilidade para os aspectos humanos nas nossas relações e o egocentrismo que permeia cada vez mais o indivíduo?
Este é um bom momento para as famílias, empresas, escolas e universidades, além de se preocuparem com a preservação do meio ambiente, que é importantíssima, trabalharem em campanhas para melhorar a percepção das pessoas para a vida em comunidade.
Como fazer para, em vez de nos fecharmos em copas e tirar do mundo só o que nos interessa, tentar ser solidários e nos obrigar a ter boa vontade para quem está próximo?
Claro que só refletir sobre isso não resolve a questão, mas é o primeiro passo para alterar nosso comportamento nos próximos tombos das Anas, nas dificuldades das Betrizes e de tantas pessoas que percebem nos momentos de necessidade o desamparo e a falta de ajuda.
De imediato, cada uma de nós pode dar um grande passo se mantiver o olhar e o coração aberto para os que precisarem de um pouquinho de boa vontade e paciência. E, ensinarmos nossos filhos que solidariedade e disposição para ajudar não devem acontecer apenas nas horas de grande crise.
Lícia Egger - licia.egger@ig.com.br - Co-autora dos livros "Etiqueta Corporativa: o sucesso com bons modos" e "Competência Social: mais que etiqueta, uma questão de atitude", Lícia Egger é consultora
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