Em entrevistas, Dita Von Teese se apresenta com o vestido na altura dos joelhos e roupas sóbrias
Dita Von Teese veio ao Brasil para mostrar ao público que, além de uma performance profissional impecável e de um senso estético perfeito, existe a possibilidade de, através de um aparente recato, seduzir homens e mulheres.
A artista, conhecida por revisitar o teatro burlesco e abusar de todos os ícones de feminilidade para tirar a roupa, deixa claro que não é necessário ser vulgar para ser sexy.
Em todas as suas entrevistas e aparições sociais, ela se apresenta com o vestido na altura dos joelhos, braços à mostra, roupas sóbrias e, quando apropriado, decotes que, apesar de generosos, ficam bem longe da demonstração explícita dos seus atributos.
A moça é esperta, por isso cobra 75 mil dólares por quinze minutinhos de apresentação e frequenta o jet set internacional. Ela entendeu que para cativar a imagem de diva sexy é necessário apenas insinuar e cuidar dos detalhes – e do que deve ou não ser revelado.
Coisa difícil de se ver nos dias que correm. Na maioria das vezes, as mulheres são tão eloquentes na quantidade do que deixam à mostra que perdem a possibilidade de jogar com a sedução. Uma pena. Os jogos da atração, que servem para apimentar e promover a ilusão, dependem da curiosidade, do contexto em que o corpo é mostrado e da generosidade bem dosada de quem se expõe fisicamente.
Poucas pessoas, como Dita, entendem que, mesmo no cotidiano, mexemos com a percepção de quem nos vê e não com o que é real. O que somos de fato tem pouquíssimo a ver com o que as pessoas pensam efetivamente a nosso respeito.
Mesmo nas relações mais banais, mexemos com a memória de quem interage conosco e é disso que Dita Von Teese vive: do que as pessoas já viram, ouviram e viveram sobre o que é ser uma mulher sens
Para cativar a imagem de diva sexy, é necessário apenas insinuar e cuidar do que deve ou não ser revelado
ual. Na memória de todos nós, já está estabelecido um guia para detectar como é uma pessoa sexy – e isso tem pouca coisa relacionada com pouca roupa ou a com a nudez explícita.
A demonstração clara e constante dos atributos físicos mais atrapalha e banaliza o sentimento do desejo do que ajuda. Para ter efeito, a roupa deve ser uma aliada na demonstração do erotismo, uma guia para a percepção.
Nisso, a diva não esconde em nenhum momento as suas intenções e deixa claro que sabe o quanto o tom de voz, a correção nas atitudes que toma em público e os detalhes da roupa que usa servem para compor o seu personagem. Mas a revelação do corpo, só em troca de um cachê altíssimo.
Está certo que essa é a profissão da moça e que ninguém vai passar o dia projetando o que vai mostrar. Mas é importante lembrar, mesmo a mais comum das mortais, de que a libido e o que se mostra do corpo devem, mesmo no cotidiano, se apresentar como aliados da mulher e não como seus adversários.
Lícia Egger - licia.egger@ig.com.br - Co-autora dos livros "Etiqueta Corporativa: o sucesso com bons modos" e "Competência Social: mais que etiqueta, uma questão de atitude", Lícia Egger é consultora
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