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Lícia Egger é consultora em etiqueta

Quanto vale o seu corpo?

Esta pergunta não trata de prostituição ou qualquer sugestão a respeito de exploração indevida do corpo, mas de saber o quanto a percepção do corpo feminino é moldada como um bem afetivo-sexual

18/10/2008 08:45

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Foto: Getty Images

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Complicado? Não é não; boa parte das mulheres brasileiras atua como se o corpo fosse uma mercadoria de troca afetiva e, é claro, de dinheiro e ascensão social.

Aqui, jovens, madurinhas e passadinhas percebem seus corpos como um valor que permite conquistar direitos, bens e até maridos. Mesmo chocante, o corpo como capital de troca ganha contornos ainda mais exigentes com a aproximação do verão.

Qual mulher não gostaria de ter o bumbum de alguma gostosa que aparece na mídia, os peitos da Pamela Anderson ou as pernas bem torneadas de um outro símbolo sexual qualquer, só para se exibir e causar inveja?

Se é mentira, porque é que as academias estão abarrotadas de mulheres incansáveis, cirurgiões plásticos com a agenda lotada e a lista de programas anti-celulite e flacidez que não acabam de crescer?

Para nós, o corpo tem valor enquanto objeto de atração, exibição e inveja. Ser valorizada e reconhecida pela beleza corporal é chegar ao apogeu como mulher e, dependendo do caso, alcançar distinção social e profissional.

O corpo perfeito permite negociar, exigir e ditar normas, mais do que qualquer outra competência. Pelo menos é assim que, inconscientemente, age boa parte das mulheres que se exibem e salientam como podem o seu aparato físico-sexual.

Tudo faz crer, desde menina, que a sensualidade e a sua exibição são mais importantes que qualquer coisa que não possa ser apreciada apenas pelo olhar. Assim, as mulheres são ensinadas a explorar seus dotes físicos, para atrair e manipular.

Mas a beleza infelizmente não é um bem permanente e a validação do corpo feminino como veículo de erotismo e sensualidade aumenta a sensação de perda diante de qualquer incidente corpóreo ou com o simples passar dos anos.

A compulsão pela beleza física, que trabalha para denegrir a necessidade de outras fontes de atração, passa seguramente a vilã, cedo ou tarde, em algum momento da vida feminina. Não se trata aqui de se lançar à ditadura do abandono, mas de dar o devido peso ao corpo. Entender que trabalhar o físico para obter melhor desempenho e saúde passa longe do mero exercício voltado para a sedução.

Buscar a plenitude intelectual e a liberdade para adquirir outros atributos, que não só o da beleza, é uma condição para se manter íntegra na longevidade.


Mulheres que sabiamente se deixaram levar pela experiência do conhecimento, do trabalho e da busca por ideais maiores têm se mostrado mais felizes no conjunto de suas vidas.

Mas isso não impede que a beleza seja um valor dominante em algum momento da vida, desde que a mulher esteja preparada para substituí-la quando precisar ou simplesmente quando der na telha.

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Sobre o Colunista

Lícia Egger - licia.egger@ig.com.br - Co-autora dos livros "Etiqueta Corporativa: o sucesso com bons modos" e "Competência Social: mais que etiqueta, uma questão de atitude", Lícia Egger é consultora

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