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Lícia Egger é consultora em etiqueta

Co-autora dos livros "Etiqueta Corporativa: o sucesso com bons modos" e "Competência Social: mais que etiqueta, uma questão de atitude", Lícia Egger é consultora

Maria Antonieta e o valor da aparência

Maria Antonieta não merecia morrer só porque entendeu a importância das roupas e da boa aparência

26/09/2009 08:19

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Foto: Divulgação

Kirsten Dunst como Maria Antonieta em filme de Sofia Coppola

Depois de ler “A Rainha da Moda”, biografia de Maria Antonieta, a última rainha da França, escrita por Caroline Weber, não pude deixar de me apaixonar por aquela mulher sensível, solitária e tremendamente azarada.

Negociada pela mãe quando ainda era menina, para assegurar através do casamento a aliança entre a França e a Áustria, Maria Antonieta, apesar de preparada para um destino espinhoso, foi atirada no meio de uma sociedade impiedosa com as questões ligadas à imagem pessoal e terrivelmente rígida com o comportamento.

Sem poder alterar seu destino, Maria Antonieta descobriu através das roupas e da aparência a única possibilidade de conseguir o poder entre seus cortesãos e desenvolveu, com o tempo, um regime de mérito para os poucos que conseguiam acompanhar seus excessos no comportamento, aparência e vestuário.

Apesar de parecer exótica, ela revolucionou seu tempo através da moda e do rigoroso cerimonial da corte de Luís XVI. Mas teve um triste fim: foi decapitada após a Revolução Francesa, em uma sentença que é o símbolo do desprezo pela monarquia.

O comovente nessa história é que Maria Antonieta foi destruída porque estava à frente de seu tempo e, como outras tantas mulheres que ajudaram a mudar o mundo, foi mal compreendida.

Enquanto viva, entre outras coisas, a jovem rainha entendeu rápido o que ainda hoje muitas pessoas insistem em não aceitar: a importância das roupas e da aparência como ferramenta de comunicação pessoal e afirmação social.

As roupas têm funções que vão além da boa apresentação ou do mero embelezamento do corpo. Longe de ser um meio para canalizar leviandades, encerram em si a capacidade de seleção, competência, personalidade, equilíbrio, maturidade e mais um monte de coisas sobre quem as usa.

Vestir-se adequadamente, mesmo na intimidade, revela domínio próprio e da situação, além de assegurar a quem olha o equilíbrio estético. Mas mesmo assim, muitas de nós insistem em manter-se à margem desta opção, com a desculpa de que investir num guarda roupa apropriado é coisa para quem tem muito dinheiro e pouco para fazer.

O mesmo deve ser dito sobre a aparência: a falta de preocupação para buscar melhorar o que se mostra do corpo é, na maior parte das vezes, uma opção fácil para o desleixo ou para a falta de tempo.

Mas ambos os caminhos, o desprezo pelo vestuário e a despreocupação para com a aparência, são venenos cruéis para a boa imagem. Não deixo de me perguntar o que pode justificar a aparência desleixada, senão instabilidade emocional de quem assim se apresenta. Mostrar-se corretamente vestido não é o mesmo que gastar rios de dinheiro em roupas e manter uma boa aparência é diferente de ser narcisista ou egocentrado.

Apresentar-se corretamente, vestido e na aparência, só exige um esforço realmente grande: bom senso para planejar o que e o quanto se quer e pode mostrar e fazer um exercício para adequar esse resultado ao que se dispõe de verba, amor próprio e de tempo.

Maria Antonieta mudou em muitos aspectos a vida das pessoas, mas não conseguiu mudar a humanidade. Continuamos a dar muito valor para a aparência e para as roupas, mas com uma diferença: ao invés da guilhotina, os que se apresentam bem ganham mais facilidades.

Dicas para parecer bem sem gastar muita grana
- Sabonetes, banhos, desodorantes e perfumes são bons investimentos para o olfato de quem está próximo. Se combinados com a hora do dia e situação, os perfumes só colaboram para a boa imagem.

- Xampus de boa qualidade, cabelos bem tingidos, tratados e cortados não custam caro e dependem muito mais da higiene e cuidado pessoal.

- Unhas e pés devem ser feitos todas as semanas. Nada mais feio do que esmaltes descascados e cutículas e unhas sem trato.

- Roupas devem ser escolhidas a partir de um planejamento. Comprar sem razão é gastar dinheiro sem precisar. Existem roupas para cada situação, hora e local; tomar esses cuidados é indispensável.

- Os profissionais devem entender que existem roupas para trabalhar e para o lazer. Uma é diferente da outra. A má aparência acontece quando se mistura as coisas.

Sobre o Colunista

Lícia Egger - licia.egger@ig.com.br - Co-autora dos livros "Etiqueta Corporativa: o sucesso com bons modos" e "Competência Social: mais que etiqueta, uma questão de atitude", Lícia Egger é consultora

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    2 Comentários |

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    • Jolene | 27/09/2009 15:20

      Não sei até que ponto concordo com o seu artigo, porque em muitas ocasiões estar adequandamente vestido conta ponto, mas se essa pessoa tão zelosa com a vestimenta não tiver capacidade no que se propõe, vai aparecer sim a visão de que está perdendo tempo. Sempre galguei os degraus da minha escalada profissional objetivando mostrar que minha capacidade e meus conhecimentos contavam muito mais do que a minha aparência, principalmente por ser negra e não tive grandes problemas quanto a estar "glamourosa" em determinado evento, mas sim vestida adequadamente à situação.

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    • Jolene | 27/09/2009 15:00

      Não sei até que ponto concordo com o seu artigo, porque em muitas ocasiões estar adequandamente vestido conta ponto, mas se essa pessoa tão zelosa com a vestimenta não tiver capacidade no que se propõe, vai aparecer sim a visão de que está perdendo tempo. Sempre galguei os degraus da minha escalada profissional objetivando mostrar que minha capacidade e meus conhecimentos contavam muito mais do que a minha aparência, principalmente por ser negra e não tive grandes problemas quanto a estar "glamourosa" em determinado evento, mas sim vestida adequadamente à situação.

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