Humor e capacidade de perdoar são fundamentais na vida a dois
Num jantar entre amigos, a anfitriã deu o maior bronca no marido porque ele esqueceu-se de abrir a garrafa de vinho. Uma mulher não arrumou a cama do casal porque o companheiro deixou de levar o lixo para fora da casa, enquanto uma jovem brigou com o namorado porque ele estava com um sapato que ela achava feio.
Embora essas atitudes sejam mesquinhas e de mau gosto, acontecem no dia a dia dos casais com muito mais frequência do que seria o esperado. Parece que com as conquistas femininas vieram também o ranço, a mesquinhez e o mau humor delas.
Sentindo-se donas do mundo e da verdade, algumas mulheres vêm tratando muito mal seus parceiros. Não se trata de perdoar todas as faltas e esquecimentos, até porque alguns podem ser bem graves, mas de acolher a ideia de que cada um de nós tem o direito de cometer alguns pecadinhos.
A intransigência para com o parceiro, mesmo os de passagem, talvez ajude a explicar porque tantas mulheres estão sozinhas. A chatice de algumas, a rigidez na divisão das tarefas e as exigências são tão grandes que, para muitos homens, é praticamente inconciliável a vida a dois, mesmo gostando muito da pessoa.
O receio de repetir os mesmos erros das mães e tornar-se uma eventual escrava dos companheiros obriga inconscientemente algumas mulheres a não ceder, para não correr o risco de transformar-se em serviçal do companheiro.
Mas a vida a dois exige companheirismo até nas pequeninas falhas do cotidiano. Muitas vezes a compreensão para o cansaço e a gentileza do perdão para os esquecimentos é uma demonstração de amor maior do que o eventual cumprimento da tarefa.
Amar exige dosar o que seria o esperado – ou o que se imagina como ideal de comportamento do companheiro – com o que é de fato possível. Num mundo em que tanto os homens quanto as mulheres trabalham muito e ambos têm que dar conta de muitos recados, a condescendência é uma questão de sobrevivência para a relação.
Quando acreditamos que vale a pena amar um determinado parceiro, as tarefas mal realizadas, os pequenos descuidos e desleixos precisam ser perdoados, senão a relação torna-se cheia de débitos e, em alguns casos, um verdadeiro inferno.
A sabedoria e o bom senso são mais do que meras inspirações para se viver bem a dois; elas são preponderantes para alcançar a felicidade. Para isso, uma visão positiva do companheiro, mesmo diante dos pequenos deslizes, continua sendo a única receita para a boa saúde de qualquer relacionamento.
Para as mulheres que não abrem mão dos pactos na divisão das tarefas e não perdoam os deslizes, é bom lembrar que, além de falíveis, somos responsáveis pelo que plantamos. Nas cobranças e repreensões constantes, o amor se retrai e fica muito mais difícil sentir-se feliz na vida a dois.
Lícia Egger - licia.egger@ig.com.br - Co-autora dos livros "Etiqueta Corporativa: o sucesso com bons modos" e "Competência Social: mais que etiqueta, uma questão de atitude", Lícia Egger é consultora
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