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Lícia Egger é consultora em etiqueta

Brincar é coisa séria

Você vai continuar a brincar quando crescer ou vai ser rabugenta e brava com todo mundo?

11/10/2008 08:30

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Foto: Getty Images

Embora possa parecer uma pergunta leviana, poucas pessoas chegam à vida adulta com características que lembrem de alguma forma a infância. Não falo sobre as manhas de quando a criança não consegue o que quer ou das chatices para decidir o que comer. Falo das coisas boas e que não têm regras nem hora para acontecer.

Estou falando de coisas simples como a espontaneidade, a festa por quase nada ou o brincar só porque alguma coisa pareceu engraçada. Quando nos tornamos adultos parece que tudo tem um senão e para uma brincadeira ser boa precisa passar por muitos crivos.

O mundo alegre e descontraído da infância se perde na adultez. Está claro que não caberia a brincadeira a toda hora, mas a maioria de nós esquece até de sorrir. Na vida adulta, brincar e se divertir tem que ter hora certa para acontecer e para muitos são só algumas horinhas do final de semana.

Friedrich Schiller, pensador alemão, disse que o homem só é um homem inteiro quando brinca, e é somente quando ele brinca que ele existe na acepção completa da palavra homem. Mesmo para o adulto, brincar é essencial à saúde mental, emocional, física e intelectual.

Mas o que faz com que nos esqueçamos de brincar? Fico pensando que é porque nossos pais já não souberam brincar e, se não vimos como um adulto brinca, como é que vamos brincar sem achar que parecemos apenas tolos?

Dizem as más línguas que no futuro a situação dos adultos vai piorar, porque hoje as crianças já não podem brincar, estão sem tempo com tantos compromissos. Daí que, quando chegarem à vida adulta, para saber o que é brincar vão ter que consultar um dicionário.

Para quem não está lembrado, brincar é uma das poucas coisas que não depende de tecnologia, dinheiro ou lugar. Para brincar de verdade só é preciso não cercear a vontade, a impetuosidade e, é claro, a criatividade.
 
Para um adulto brincar é preciso que ele consiga improvisar e usar os recursos que só estão disponíveis na alma, se libertar das amarras da racionalidade e ceder aos apelos da simples emoção.

Nas comunidades rurais, homens e mulheres parecem ser mais sábios, porque velhos ainda brincam: avós fazem roda, cantam e dançam. Ninguém teme sobre o que os outros vão pensar.

Brincar quando se é adulto é uma conquista que revigora o espírito, enternece a alma e melhora a disposição. Como fazer para voltar a brincar? É muito simples: deixe-se levar pela imaginação, anestesie a razão e não tenha medo de parecer um pouco tolo.

Feliz dia das crianças, tenha você a idade que for!

Sobre o Colunista

Lícia Egger - licia.egger@ig.com.br - Co-autora dos livros "Etiqueta Corporativa: o sucesso com bons modos" e "Competência Social: mais que etiqueta, uma questão de atitude", Lícia Egger é consultora

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