Moradias sofisticadas para animais de estimação têm desenho moderno e até piscina

NYT

Muitas delas têm carpete, aquecimento e ar-condicionado, iluminação interna e externa e sistemas elaborados de som e entretenimento. Algumas até são ecologicamente corretas, com painéis solares e jardins na cobertura. De fato, o único item simples na casinha de cachorro moderna é o próprio cão.

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Tome como exemplo a minimansão em estilo Palladiano que o casal Glenna e Ed Hall comprou num leilão beneficente, por R$ 600, há três anos. Com colunas jeffersonianas iguais às da casa em que moram, na cidade de Roanoke, no estado da Virginia, a estrutura de meio metro de altura é o complemento perfeito para o jardim ‒ e ninguém parece ligar para o fato de Maggie May, uma fêmea mistura de whippet com borzoi , ser grande demais para entrar lá.

"Compramos porque se parece muito com a nossa", admite Glenna Hall, decoradora aposentada. "A Maggie nunca nem entrou nela, até porque prefere ficar dentro de casa", prossegue.

Tradicionalmente a casinha do cachorro é o local onde o animal vive, separado da família, certo? Em termos. Hoje, os animais de estimação são cada vez mais considerados membros da família e, por isso, a casinha tradicional está se tornando a 'segunda opção' – e, em muitos casos, serve só de enfeite.

É como Michelle Pollak, decoradora que cria casas de cachorro sob o nome La Petite Maison , observa: "Metade dos clientes pede uma réplica da casa em que moram para o animal e metade quer aquela casa que nunca conseguiu comprar na vida real – como um palácio francês para o poodle, por exemplo".

Nenhum detalhe é insignificante demais, como o retrato pintado à mão do 'dono' da residência, por exemplo. Para atender ao pedido feito pela top model Rachel Hunter, em Los Angeles, Michelle pintou as paredes à mão e decorou-as com marcas de patas e ossos, além de colocar fotos de outros cães em molduras nas paredes. Seu sócio, um construtor chamado Alan Mowrer, fez os acabamentos em ferro batido e o piso em terracota. "O Alan também fez cada telha à mão", explica a decoradora.

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O preço médio da casinha de cachorro da dupla fica entre R$ 10 mil e R$ 12 mil, embora existam casinhas de até R$ 50 mil. (Michelle confessa que a de Rachel custou mais de R$ 32 mil, embora não consiga dizer a quantia com precisão).

Extravagâncias como essas são um convite às críticas, que Michelle rebate imediatamente. “Muita gente chega para mim e comenta que é um desperdício e questiona como é que alguém pode gastar tanto numa coisa dessas; eu respondo: ‘Se você tem dinheiro, qual a diferença entre gastar com uma casinha de cachorro ou uma joia?'".

Além do mais, acrescenta ela, grande parte de seus clientes encomenda casas para cães que recolheu nas ruas ou adotou de algum abrigo. Um deles, aliás, tem um cachorro deficiente para quem Michelle e Alan criaram um ambiente especial. "O Alan ajustou todas as portas e janelas para que o bichinho pudesse olhar para fora mesmo estando deitado", explica a profissional.

Projetos como esse são populares entre arquitetos e construtores ‒  que muitas vezes se referem a eles como 'arquitetura canina'. Os profissionais doam suas criações para leilões que, por sua vez, arrecadam dinheiro para abrigos. E os decoradores adoram as casinhas porque são pequenas, divertidas e dão espaço para a criatividade.

Como explica Brian Pickard, arquiteto da Filadélfia: "É bem diferente construir uma casa de cachorro que vai durar dez anos no quintal do que projetar uma casa que vai existir por pelo menos 50. Posso ser mais experimental", pondera o profissional.

Para os cães que não passam nem mesmo parte do dia ao ar livre, também existem várias opções. A FormaItalia, divisão da fabricante de móveis italiana Chiavari, vende canis laqueados e caminhas suspensas, presas no teto. A Denhaus, uma empresa de Seattle, faz caixas para cães disfarçadas de móveis, como a ' Townhaus ', uma mesa quadrada de madeira que serve de chiqueirinho para cachorrinhos arteiros e a ' BowHaus ', uma mesa de coquetel prateada circular, que serve para apoiar os drinques e que pode abrigar um cachorrinho dentro dela.

Brandon Smith, que possui uma vinícola chamada Small Cellars, comprou uma BowHaus para sua casa em Birmingham, no Alabama, e outra para sua casa de campo, no norte do estado, depois que ele e a mulher, Kim, deram um cachorrinho branco para o filho de cinco anos, Chance.

"Eu não tinha a mínima intenção de colocar um caixotinho de plástico em nenhuma das duas casas", diz Smith, acrescentando que Margaux, da raça Coton de Tulear , adora ficar nos espaços especiais criado pelo decorador, que acabaram situados na sala de estar de uma casa e na sala de jantar da outra.

Disfarçada como mesa de apoio, essa casinha para pets está fazendo sucesso no Estados Unidos
Divulgação
Disfarçada como mesa de apoio, essa casinha para pets está fazendo sucesso no Estados Unidos

A família recebe convidados frequentemente e a conversa geralmente gira em torno da peça. "O pessoal acha que é uma mesinha de centro", explica Smith.

"Depois de uns vinte, trinta minutos, a Margaux entra ali e aí é que percebem que é uma casinha especial", afirma Smith.

Barbara Dalhouse, presidente da SPCA de Roanoke Valley, na Virgínia, deixa a casa de seu cachorro, de madeira, no melhor estilo 'hobbit', dentro de casa porque é bonita demais para ficar ao ar livre.

Entalhada num tronco de um manguezal de Nova Orleans depois do furacão Katrina, a cabana tem 1,30 m e é coberta por uma bolota. "Parece que um gnomo mora ali", diz ela, mas o único morador é um esquilo empalhado.

"Os gatos olham para ela de vez em quando", ela revela, "E a Lucy, a beagle , entra e sai, mas ninguém quer saber, todo mundo prefere o sofá”, completa Barbara.

Hugo, um buldogue francês de Mill Valley, na Califórnia, age do mesmo jeito em relação à sua casa ecológica, estrutura assinada por um projetista que tem até jardim na 'cobertura'.

"É difícil tentar fazê-lo gostar da casinha", reclama Eric McFarland, um corretor de imóveis casado com o decorador Brad Krefman. "Ele prefere ficar na nossa cama."

Embora o mercado de casas luxuosas para cachorros seja compreensivelmente limitado, quem está nele diz que, apesar da recessão, os negócios vão bem, obrigado.

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