Extravagantes nas cores ou em acessórios até então inimagináveis para as pontas dos dedos, elas são as estrelas do livro “Nailed”

De tanto ver a mãe fazendo as unhas das vizinhas em um salão montado na casa da família, em Chicago (EUA), Carlos Rolon desenvolveu certo fascínio pelas pinturas nas mãos das mulheres. O tempo passou, ele se tornou artista plástico, adotou o apelido Dzine e agora, depois de se dedicar à cultura de rua, volta-se àquele interesse da infância com o livro “Nailed: The History of Nail Culture and Dzine” – sem previsão de publicação no Brasil.

Nele é revelado que, nos salões de beleza dos EUA, Porto Rico, Japão, França, Polônia, Cingapura, Sérvia e Alemanha, as unhas trabalhadas já são consideradas pequenas – e importantes – obras de arte. Fotógrafos amigos de Dzine procuraram os melhores exemplos, e o resultado dessa busca está em quase 300 retratos ao longo das 114 páginas da publicação.

Antes disso, um pouco de história dá valor intelectual a “Nailed”. Em texto e imagens, o artista conta, entre outras curiosidades, que as mulheres europeias usavam pigmentos naturais como esmalte na Idade Média, que na China antiga unhas longas simbolizavam riqueza, e que na Inglaterra dos séculos 15 ao 19 unhas curtas e pintadas de branco anunciavam aos pretendentes que a moça era pura e “limpa”. A liberdade estética que conhecemos hoje veio no início do século 20, em salões de Paris e de Londres (logo seguidos pelos de Nova York e de outras grandes cidades).

Atualmente, não há limites para as invenções, como fica claro nas páginas de fotos que compõem a maior parte do livro. As pedras (preciosas ou não) revelam-se elementos básicos para qualquer criação e estão nas stiletto japonesas, nas garras francesas e chegam até a fazer as vezes da francesinha em Cingapura. Em muitos casos, cobrem as unhas completamente para formar desenhos com o auxílio de correntinhas, laços e corações.

Algumas séries realizadas em Nova York mostram as etapas de confecção das unhas artísticas e os ambientes dos salões, com coleções de esmaltes de todas as cores e muitas referências visuais. Na mais curiosa delas, uma mulher aplica sobre suas unhas postiças uma concha de ouro e até um pequeno porta-joias.

Da Califórnia vem uma sequência de casos em que as unhas combinam com os tênis das garotas – em sua maioria, piratarias debochadas de peças de grifes como Chanel e Adidas –, em um encontro inusitado do tema do livro com a cultura de rua que Dzine costuma abordar.

Em Cingapura, uma manicure/artista plástica foi além de todas as expectativas e construiu nas mãos das clientes uma homenagem ao Cirque du Soleil – com direito à aplicação de esculturas reproduzindo acrobatas, e outra aos anos 1960 – também com pequenas estátuas, mas de hippies. Até mito de Poseidon foi homenageado. Na mesma vibração, uma profissional polonesa fez um tributo a Hollywood nas unhas, com miniaturas de câmeras e placas cinematográficas.

As melhores unhas stiletto vêm da Alemanha, da Sérvia e da Polônia. Embora não usem muitos relevos, abusam da criatividade para elaborar desenhos multicoloridos nas superfícies pontiagudas. Flores e finalizadores cintilantes dão o tom dessas produções.

“Nailed” é encerrado com um ensaio fotográfico especial que une, de forma superlativa e sexy, todas as referências populares anteriores. Pinturas simples ou excêntricas ganham a companhia de enormes apliques que reproduzem objetos de luxo, além de joias que percorrem toda a mão. E unhas com mais de dez centímetros de comprimento, que até lembram o visual do Zé do Caixão, tiram o fôlego ao serem cobertas por pedras pretas, paetês e penas exóticas. É a essência do livro traduzida para o glamour puro.

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Arte nas unhas
Divulgação
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