Marca faz 125 anos com um pé na tradição e os olhos voltados para possibilidades do consumo online

Mulheres adultas ainda devem conservar na memória imagens de suas mães e avós usando maquiagens ou perfumes da Avon. Mais que produtos de beleza, os frascos enfeitavam as penteadeiras, móvel que durante muito tempo viabilizou rituais de beleza feminina. A marca que chegou ao Brasil em 1958 está completando 125 anos. Do começo até hoje, muita coisa mudou. As “garotas Avon” ainda circulam com seus catálogos, mas também vendem pela internet e faturam alto.

Karina Rocha fatura alto vendendo cosméticos em redes sociais
Wagner Meier/Fotoarena
Karina Rocha fatura alto vendendo cosméticos em redes sociais
A secretária executiva Karina Rocha, 27, começou a trabalhar com revenda de cosméticos há quatro anos. Hoje ela vende mais de R$270 mil por ano. A maior parte das vendas, aproximadamente 67% (cerca de R$ 180 mil), é gerada com produtos Avon – o restante é Natura.

Qual seria a receita de tanto sucesso? “Acho que é porque eu me dedico muito e todos que estão a minha volta acabam ajudando também. Eu tenho um emprego em tempo integral e um escritório, onde vendo produtos para pronta-entrega. Eu consegui comprar o estoque que tenho hoje porque juntei capital durante um bom tempo. Emprego quatro funcionários e gerencio estas vendas após o expediente e durante os finais de semana”, conta ela.

Uma das táticas de Karina é usar as redes sociais a favor de seu negócio. Ela começou entrando em algumas comunidades dos bairros perto de sua casa nas quais oferecia produtos. “Como eu possuo muitos produtos que consigo entregar imediatamente, tenho uma grande vantagem.

Além disso, a Avon tem uma ferramenta que permite que as pessoas possam ver o catálogo pela internet e isso abriu um novo horizonte para os meus negócios”, comenta.

A secretária não pensa em largar seu emprego para ser uma revendedora em tempo integral. Ela utiliza o salário estável para pagar suas contas pessoais e o lucro com a venda dos produtos para expandir cada vez mais seu escritório de pronta-entrega.

Dagmar Brum, vice-presidente de vendas da Avon no Brasil, mostra a fábrica da empresa, localizada em São Paulo
Eduardo Cesar/Fotoarena
Dagmar Brum, vice-presidente de vendas da Avon no Brasil, mostra a fábrica da empresa, localizada em São Paulo
Mas não é só dinheiro que as revendedoras dizem ganhar. Para Eunice da Silva Garcia, 48 anos, a sociabilização também faz parte dos proventos. Ela mantém a tradição e vende os produtos de porta em porta. “Eu tenho certeza que um dos motivos de eu ter uma vida saudável é porque faço vendas. Eu saio de casa e sempre faço novas amizades”, diz. Ela conta, com orgulho, que o primeiro pedido que fez não atingiu R$90. Atualmente não fatura pedido menor do que R$1 mil.

Mesmo não fazendo parte do time das representantes que mais vendem, ela conta que trabalha com vinte catálogos por vez. Deixa um na manicure, um com o caixa do supermercado perto de casa e em muitos outros locais, além das clientes regulares, que visita pessoalmente em suas casas. Segundo Eunice, quem folheia o catálogo sempre pede alguma coisa. E é assim, de grão em grão, que ela complementa sua renda todos os meses.

Mais de um milhão e cem mil pessoas são revendedoras autônomas da empresa. E não são apenas mulheres que vestem a camisa. Dagmar Brum, vice-presidente de vendas da Avon no Brasil, revela que 7% deste grande universo de comerciantes são homens. “Os homens são muito organizados e possuem um espírito empreendedor muito forte. Eles entendem dos produtos que vendem e se interessam bastante em conhecer a fundo esse mercado tão feminino.”

No início dos anos 50, Avon começa a investir em propaganda
Divulgação Avon
No início dos anos 50, Avon começa a investir em propaganda
Como as brasileiras consomem beleza
Para conseguir entender os hábitos das consumidoras brasileiras é necessário muito estudo. Com relação às embalagens, por exemplo, a empresa descobriu que no nordeste as mulheres preferem frascos maiores. Isso porque em locais muito quentes, mais banhos são tomados ao longo do dia.

“Em nossos estudos descobrimos informações muito úteis. Um deles nos mostrou que a faixa etária influencia muito nas razões de usar produtos para beleza. Adolescentes de 15 ou 16 anos gostam de parecer mais velhas e poderosas, mulheres mais maduras querem destaque no ambiente profissional com um visual bonito e harmônico. Quando a idade avança mais um pouco, a maior preocupação é ficar com uma aparência saudável e se sentir valorizada pelos familiares”, conta Dagmar.

Números e curiosidades em 125 anos
- A cada três batons vendidos no País, dois são da Avon
- A cada um segundo e meio uma máscara da marca é vendida no Brasil
- A receita da empresa em 2010 superou 10 bilhões de dólares, algo em torno de 16 bilhões de reais
- Segundo Dagmar Brum, o País é o segundo maior mercado consumidor da marca no mundo. Só perde para os EUA
- Existem produtos que são comercializados por aqui desde a década de 70. Um dos mais antigos é a linha Clearskin, que pode ser encontrada em catálogos de 40 anos atrás
- A primeira revendedora Avon da história foi a americana Florence Albee, em 1886- O primeiro produto lançado pela California Perfume Company, que mais tarde mudou o nome para Avon, foi um conjunto de cinco pequenos frascos de perfume chamado “Little Dot Perfume Set”. O mais recente lançamento é o batom Hydraseduction, que promete mais hidratação dos lábios
- O nome Avon foi usado pela primeira vez em 1928 e foi adotado em homenagem ao rio que corta a cidade onde nasceu William Shakespeare, o escritor favorito do fundador da Avon, David H. McConnell
- O primeiro produto para tratamento facial foi lançado em 1927, chamado “Gertrude Recordon Facial Treatment”.

Leia também:
Perfumes florais são os preferidos das brasileiras
Como nascem os nomes dos esmaltes?
Eliana lança adesivos para as unhas

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.