Empresas apostam em produtos não testados em animais

Mulheres exigem cada vez mais produtos que não foram testados em animais
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Mulheres exigem cada vez mais produtos que não foram testados em animais
A exigência dos consumidores por cosméticos não testados em animais é tendência mundial. Juliana Ferreira, responsável pelo blog “Cruelty-Free Make-Up”, divulga em sua página apenas maquiagens do bem. “Há alguns anos era raríssimo encontrá-los no Brasil”, diz ela sobre os produtos chamados “cruelty free” - em tradução livre, “sem crueldade”.

Algumas empresas brasileiras acompanham a demanda por produtos do bem. A Impala, por exemplo, se orgulha de jamais ter realizado testes em animais. “Essa atitude demonstra a consciência e respeito com a natureza muito antes dessa onda de biopreservação”, diz Victor Augusto, coordenador de produtos.

Roseli Vaz, diretora da Sparkkli Home SPA, defende a causa: “Um animal não tem como dizer se está sentindo dor ou algum outro incomodo, e hoje existem muito avanços nas pesquisas e outros meios para testar os produtos.”

Embora algumas empresas ainda praticam testes em animais. Para Thales Tréz, biólogo e co-autor do livro “A Verdadeira Face da Experimentação Animal”, isso acontece por que, além da tradição e comodismo, as empresas ainda não sentiram no bolso a pressão de um consumo responsável. Em contrapartida, a defesa dessas empresas é que os testes servem para diminuir os riscos de reações adversas antes que os produtos cheguem às prateleiras. Neste caso, Thales é enfático em salientar que a justificativa é obsoleta. “A Associação Européia de Cosméticos (COLIPA), juntamente com a União Européia, lançou um edital conjunto, no valor de 50 milhões de euros, para o desenvolvimento de métodos alternativos à experimentação animal, como por exemplo, a cultura de pele humana”, alerta.

Thales alerta para a crueldade que envolve os animais. “No teste de irritação ocular, por exemplo, substâncias concentradas do produto que se quer testar - como um xampu - são pingadas nos olhos dos coelhos para estimar a irritação. Isso costuma provocar ulcerações bastante sérias nos olhos dos animais”, explica.

Imagem do selo
Reprodução
Imagem do selo "cruelty free" concedido pelo PETA aos produtos não testados em animais
Fique de olho!
Em alguns países é possível verificar se um cosmético é testado ou não em animais observando um selo “cruelty free” no rótulo, concedido pelo PETA - Pessoas pelo Tratamento Ético dos Animais. Já no Brasil, poucas marcas carimbam a marca em suas embalagens. “O melhor é se informar antes, mandando emails, checando o site da empresa ou blogs”, indica Juliana.

O Instituto Nina Rosa, organização independente que promove conhecimento sobre defesa animal e vegetarianismo, indica em seu site algumas perguntas que você mesmo pode fazer para saber se as empresas testam ou não seus produtos em animais.

Outras empresas que não fazem teste em animais: Surya, Florestas, Ecology, Mundo Est, Welleda, Éh, Avon, Natura, O Boticário, Adcos, Bio Extratus, Contém 1g, Embelleze, Farmaervas, Granado, Nazca, OX e Racco. Pesquise mais marcas “cruelty free” no site do  PEA .

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