Dermatologistas afirmam que não é possível comprovar eficácia de tratamento para rejuvenescimento facial

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Para algumas mulheres o passar dos anos, ou a temida palavra envelhecer é sinônimo de busca e buscas sobre a fórmula secreta do rejuvenescimento. Há uma gama imensa de cuidados estéticos que prometem prolongar o processo de envelhecimento e manterem a pele jovial nas mulheres. Entre eles, foi lançado recentemente um tratamento facial que afirma estimular células-tronco adultas, fazendo-as produzir novas células que revitalizam a pele. No entanto, especialistas e médicos não entram em um consenso sobre a real eficácia desse procedimento.

A proposta é promissora: por meio de novos princípios ativos que agem sobre as células-tronco adultas da pele, o tratamento sugere o combate às rugas, devolvendo a jovialidade dos anos dourados da face. Segundo a esteticista Blanch Marie, do Instituto Blanch Marie que oferece esse tipo de tratamento, ele consiste em um sistema lipossomado não oleoso que favorece a permeação dos ativos na pele, que pode ser aplicado de forma tópica com eficiente permeação cutânea ou através da ionização por cinco minutos.

Ainda, de acordo com a especialista, resultados clínicos da própria empresa de cosméticos que desenvolveu os produtos com tais características, a Adcos, ofereceram altos índices de satisfação com os números alcançados, obtidos por meio de voluntários durante cinco semanas usando o produto. Houve redução de rugas e melhoria da flacidez da pele em 95% dos casos, e 86% obteve melhoria da textura do relevo cutâneo. Porém, de acordo com diferentes dermatologistas, é preciso estar atento.

Segundo a explicação da dermatologista Ana Paula Urzedo, as células-tronco ¿ ou stem cell ¿ são células presentes no nosso organismo que ainda não sofreram diferenciação, mas podem se transformar em qualquer tipo de tecido, como ossos ou até mesmo a pele. Partindo desta premissa, existem diversos cremes e tratamentos no mercado que prometem, através de ativos, estimular as células-tronco da pele, entre outros objetivos, para rejuvenescimento do rosto, mas ainda não há estudos suficientes para comprovar a eficácia.

Os ativos
Phycosaccharide Al, Phycojuvenine e Extratus de Myrtus Communis são os ativos marinhos presentes em algumas fórmulas para serem utilizados no tratamento. Para o farmacêutico Evaldo Luiz Falcadi, da Farmapura (Farmácia de Manipulação), o Phycojuvenine, por exemplo, é um extrato de alga que possui a propriedade de fazer com que as células-tronco da pele se diferenciem em fibroblastos produtores de colágeno e elastina, o que resultará no rejuvenescimento da pele. Sua referência é o trabalho do próprio fabricante do ativo. Segundo Ana Paula, há muitos conflitos de interesses quando o ativo possui pesquisas de resultados realizadas pelo próprio fabricante, o que acontece em muitos casos.

Para a também dermatologista Daniela Graff, normalmente os ativos marinhos, juntamente ao silício, ajudam na formação de colágeno. Mas não estão relacionados às células-tronco, diz. Segundo ela, ainda não é possível estimular células-tronco, mas sim, retirá-las do tecido para depois injetá-las no local específico. Mas por enquanto este tipo de método é experimental e ainda não dá para confirmar se é completamente seguro ou não, afirma.

Células-tronco na dermatologia
Conforme explicado pela própria Daniela, recentemente foi criado na Sociedade Brasileira de Dermatologia um departamento que vai estudar o uso de células-tronco na dermatologia, mas ainda não há aval científico para o tratamento que utilizar as células como garantia para o rejuvenescimento, entre outras capacidades da técnica ainda em estudo. E é uma coisa que leva tempo para chegar aos resultados que comprovem por completo a eficácia.

Há muitos aspectos que devem ser avaliados para obter a veracidade ou não de um tratamento. De acordo com Ana Paula Urzedo, o que é relevante para a estética pode não o ser para a medicina. Cosmético é diferente de remédio. Se você vai lançar um medicamento no Brasil, existe um órgão responsável por isso (Anvisa), para ver se o produto é realmente sério. Com os cosméticos, é diferente: basta não fazer mal, afirma a dermatologista. O que interessa para a medicina são trabalhos grandes com longos prazos, completa.

De acordo com o farmacêutico Evaldo Falcadi, realmente, ainda não existe nada baseado nas células-tronco para veiculação em fórmulas dermatológicas, mas existem os respectivos ativos que, no caso de uma pele envelhecida, re-estimulam as células-tronco adultas a se diferenciarem em fibroblastos. As da própria pessoa, no caso. Os ativos podem constituir produtos de uso tópico como géis e cremes e, conforme informado por Evaldo, não implicam na necessidade de remover as células para posteriormente reimplantá-las.

Portanto, no tratamento oferecido pelo Instituto Blanch Marie que utiliza os ativos citados acima - além do THPE, que segundo a esteticista serve para firmar e levantar a pele ¿, há a promessa de suavização das rugas, aumento da produção de colágeno, atenuação das linhas de expressão e, entre outras melhorias, produção de células novas. Mas, além dos resultados obtidos pelo próprio fabricante, não há informação de outros estudos que comprovem a eficácia e a segurança do método.

No entanto, de acordo com Blanch Marie, não há contra-indicação, mas qualquer tratamento facial não pode ser realizado se houver algum machucado na face ou a presença de alguma alergia cutânea.

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