A transformação de Anitta surpreendeu e virou polêmica nas redes. Para não acabar com o rosto irreconhecível, veja o que dizem especialistas

Anitta decidiu repaginar o rosto mais uma vez. Depois da cirurgia plástica no nariz , a cantora agora surgiu exibindo os lábios mais carnudos . O novo visual se tornou um dos assuntos mais comentados nas redes sociais no final de semana.

Anitta exibiu novo visual e virou assunto na web
Reprodução/Twitter
Anitta exibiu novo visual e virou assunto na web


Outras famosas já passaram por isso. Em 2014, a atriz Renée Zellweger, famosa pelo papel-título no filme “O Diário de Bridget Jones”, também virou assunto por sua aparência, um tanto diferente da que o público estava acostumado a ver.

As especulações vão desde excesso de procedimentos estéticos até plástica malfeita. Segundo Renée, ela fez... nada. Em entrevista à revista norte-americana “People”, a atriz disse achar bom que pensem que ela está diferente, já que suas mudanças estéticas se devem à vida diferente, feliz e plena que ela está vivendo.

Na mesma época, foi a vez de Uma Thurman ganhar os holofotes pelo mesmo motivo. Especulou-se que ela tenha feito procedimentos estéticos que a deixaram dramaticamente diferente, mas há quem diga que trata-se apenas de maquiagem e penteado infelizes.


Renée está satisfeita, mas a diferença em sua aparência despertou uma questão na cabeça de muitas mulheres: como evitar que procedimentos estéticos e cirurgias plásticas transformem o rosto para pior, em vez de melhorar?

Excesso de botóx

De acordo com a dermatologista Roberta Bibas, a aparência de Renée pode sim ter sido prejudicada por um exagero de procedimentos. “O excesso de toxina botulínica pode desenvolver um tipo de fibrose na derme, imobilizando a testa e deixando as pálpebras mais inchadas”, explica Roberta.

Aplicações seguidas da toxina também podem fazer com que o efeito das injeções não seja tão aparente. “A duração do efeito do tratamento acaba diminuindo, porque nossa pele cria anticorpos contra as toxinas que são injetadas”.

Para evitar o exagero, um bom começo é ter expectativas realistas quanto aos tratamentos. A aplicação de toxina botulínica ou o preenchimento não necessariamente devem desaparecer com todas as rugas e linhas de expressão. O ideal pode ser apenas amenizar a aparência. “Evitar o exagero na hora de fazer os tratamentos é essencial, o objetivo é que a pele fique harmoniosa e natural, e não como uma caricatura”, completa Roberta.

Bom senso

Mas como saber quando é a hora de dizer chega? Um bom primeiro passo é escolher um médico de confiança, e respeitar o julgamento do profissional. “O especialista de qualidade vai buscar atender os desejos do paciente sem prejudica-lo. Se há prejuízo, o ideal é não realizar o tratamento”, diz o cirurgião plástico Marcelo Daher.

Além disso, é fundamental lembrar que as cirurgias plásticas estéticas não são procedimentos mais simples que outras cirurgias, e é preciso haver muito cuidado na recuperação, para não prejudicar o resultado final. “As pacientes tendem a achar que fazer uma rinoplastia (cirurgia plástica no nariz) é como fazer as unhas, rápido e prático, mais não é bem assim que funciona”, explica Daher.

Problemas com o espelho

A falta de limites com procedimentos estéticos pode ser causada por uma doença não muito conhecida, chamada dismorfofobia ou transtorno dismórfico corporal. Trata-se de uma preocupação exagerada com defeitos estéticos inexistentes. É comum que as pessoas que têm esse transtorno procurem resolver seus “defeitos”, mas nunca fiquem satisfeitas, uma vez que o problema é de auto-aceitação, e não físico.

“Uma das características de quem sofre do distúrbio é o fato de que nenhum tipo de intervenção cosmética será o suficiente. O paciente irá trocar muitas vezes de médico até encontrar algum que faça exatamente o que ele quer, e ainda assim irá querer mais tratamentos”, explica o psiquiatra Daniel Costa, do Projeto Transtornos do Espectro Obsessivo-Compulsivo, do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo.

A dismorfofobia dificilmente é diagnosticada, e, de acordo com Costa, isso deve-se a um preconceito com a psiquiatria. “É raro que um paciente pense que possui o transtorno, e uma quantia muito pequena de pessoas chega a se tratar com o psiquiatra” diz. Na maior parte dos casos, a dismorfofobia é confundida com “excesso de vaidade”, e, na sociedade atual, com grande culto à beleza, fica fácil perder a medida do que é saudável. Na dúvida, ouça a opinião dos médicos antes da próxima injeçãozinha.

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