A vida atribulada faz uma combinação explosiva com o sedentarismo e a alimentação inadequada. Ai, já viu: o ponteiro da sua balança sobe bastante

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Quando percebemos já é tarde: os quilos a mais são uma realidade proporcionada pelo estresse dos grandes centros urbanos. Ficar horas sentado na frente do computador pode adiantar seu serviço, mas também vai te engordar. O estressado imagina em seu subconsciente que quanto mais comer, mas energia vai ter para ficar forte e enfrentar o dia-a-dia, comenta a psicoterapeuta Maura de Albanesi.

É como se algo de fora (no caso o alimento) irá trazer um acalento para a ansiedade gerada pelo estresse. Os relatos são unânimes: as pessoas comem muito mais quando expostas a fatores estressores, podendo ocorrer queixas de fome excessiva, comportamento beliscador e até uma necessidade patológica de consumir grandes volumes de alimentos, a compulsão alimentar, acrescenta a endocrinologista Ellen Simone Paiva, diretora do Citen (Centro Integrado de Terapia Nutricional).

Um estudo recente chamado Psychosocial Stress and Change in Weigt Among U.S. Adults (Estresse psicossocial e mudanças de peso nos norte-americanos adultos) aponta que a medida da circunferência abdominal feminina é afetada por mais tipos de estresse. Ou seja, além do ganho de peso associado a problemas financeiros ou no trabalho, nas mulheres há também o ganho de peso vinculado a conflitos familiares e ao sentimento de limitação dado pelas circunstâncias da vida, analisa a psicóloga Maria Cristina Capobianco.

Corpo e mente
Não são só fatores psicológicos que afetam. O organismo estressado acaba produzindo uma quantidade maior de cortisol (ou corticoide). Este hormônio possui funções importantes no corpo, já que quando estamos em situações súbitas de perigo ele é capaz de nos deixar em estado de alerta, para reagir com rapidez necessária. Só que em excesso torna-se um problema, alerta a nutricionista Solange de Oliveira Saavedra, gerente técnica do Conselho Regional de Nutrição/Região 3.

Em demasia faz com que o apetite aumente e estimula a produção de células de gordura (os adipócitos), que ficam inchadas e inibindo a queima da gordura em estoque. O estresse percorre uma rota entre glândulas do cérebro, as suprarrenais, que produzem o cortisol, que por sua vez aumenta a resistência dos tecidos à ação da insulina (hormônio produzido pelo pâncreas). Essa resistência gera uma necessidade de reforço de produção de insulina pelo pâncreas para executar o seu trabalho metabólico (jogar a glicose para dentro das células), detalha o nutrólogo Carlos Alberto Wrutsky, da Abran - Associação Brasileira de Nutrologia.

O resultado desta química toda é um aumento de gordura abdominal, a conhecida forma de maçã. De tanto trabalhar nessa hiperprodução de insulina, o pâncreas se esgota e surge o diabetes, aumentando de três a cinco vezes o risco de doenças cardiovasculares, alerta o médico nutrólogo.

Abuso de alimentos e sedentarismo
Embora aconteça essa dança dos hormônios, não há estudos que provem que o cortisol sozinho faça as pessoas engordarem. O maior fator associado ao ganho de peso é comportamental. O que engorda mesmo é a associação da ingestão excessiva de calorias somada à falta de exercícios físicos, pondera a endocrinologista Ellen Paiva.

Além de afetar o dia-a-dia, o estresse atrapalha o sono, que é vital para uma vida saudável. Enquanto dormimos, nosso corpo se recupera dos desgastes cotidianos e o cérebro organiza e armazena as memórias. E é ainda durante o sono que o cortisol atinge seus níveis mais baixos e o hormônio do crescimento atinge níveis mais altos. Sem dormir bem, a produção fica alterada e dificulta a formação da massa muscular, implicando em menor queima de gorduras, explica Solange Saavedra.

Noites mal dormidas também aumentam os ponteiros da balança. Falta de sono faz a pessoa engordar sim, pois há a redução de leptina ¿ hormônio relacionado à sensação de saciedade e que facilita o gasto de energia, completa o endocrinologista João César Castro Soares.

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