Projeto de lei reacende a discussão sobre o uso desmedido do Photoshop

Jessica Simpson de cara limpa
Divulgação
Jessica Simpson de cara limpa


Uma onda em favor da beleza possível ganha força nas páginas das publicações mais badaladas do mundo. Agora foi a vez de Jessica Simpson chegar às bancas sem maquiagem nem retoques, na edição de maio da revista Marie Claire norte-americana.

Claudia Schiffer e Cindy Crawford também já tinham sido clicadas ao natural. O trabalho, publicado em 2009 na Harper’s Bazaar, leva a assinatura do alemão Peter Lindbergh, um dos maiores defensores da imagem de “cara limpa”.

Segundo Lindbergh, a possibilidade tecnológica de alterar fotos teve um peso muito grande na forma como as mulheres foram definidas visualmente. “Retoques excessivos não devem representar a mulher neste século”, disse ao jornal The New York Times.

As criaturas sintéticas ou verdadeiros “objetos de marte”, segundo classificou o fotógrafo, também são combatidas pela deputada francesa Valerie Boyer. Ela apresentou ao parlamento, em 2009, um projeto que obriga a identificação de fotos modificadas por meio de ferramentas tecnológicas. Agora, no Brasil, quem levantou a mesma bandeira foi o deputado federal Wladimir Costa (PMDB-PA).

“A finalidade é coibir o abuso e a propaganda enganosa. Gastam milhares de reais com cachês para celebridades e não usam a imagem real delas. Essas pessoas possuem imperfeições estéticas que são escondidas pelo Photoshop. E tem de tudo, gente com 45 anos que já possui rugas e faz publicidade de cremes para a pele perfeita”, diz ele, que também dispara contra as revistas masculinas: “A Playboy tem mulheres belíssimas, mas também tem uns dragões que eles colocam na capa com 100% Photoshop”, protesta.

A publicação citada pelo deputado, representada por seu diretor de redação, Edson Aran, não estica o debate: “O Brasil tem problemas muito sérios para que eu me preocupe com isso. O deputado deveria fazer o mesmo”, diz.

"Atenção: imagem retocada para alterar a aparência física da pessoa retratada”

Colecionador com a Playboy da Alessandra Negrini: a preferida
Edu Cesar/Fotoarena
Colecionador com a Playboy da Alessandra Negrini: a preferida
O alerta proposto pelo projeto de lei não anima José Paulo Bragança Bernardo, um colecionador de publicações adultas. “Isso me parece um exagero”, diz ele. “O Photoshop tem duas vias. A mais utilizada corrige iluminação e pequenas imperfeições, e isso não descaracteriza a modelo. Já o uso extremo da ferramenta acaba transformando mulheres em bonecas de cera, e daí já vira 'fake', pois estamos vendo algo que não é real”.

Fernando Torquato, maquiador top das celebridades, não vê problema no uso da ferramenta em trabalhos artísticos. “Agora, se for fazer um anúncio de clínica de estética com uma mulher toda photoshopada, daí é desonesto”, declara.

Enquanto os debates evoluem, uma verdadeira “patrulha do photoshop” (representada por sites como como  Photoshop Disasters Boing Boing ) mantém-se alerta ao apontar falhas, deslizes, bizarrices e, principalmente, todo tipo de beleza impossível.


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