O procedimento que levou a modelo Andressa Urach à UTI não é simples, e exige uma série de cuidados para dar certo

O caso da modelo e apresentadora Andressa Urach, internada na UTI de um hospital de Porto Alegre com quadro de infecção generalizada causada por complicação de uma bioplastia, deixou parte da população em alerta. Preenchimentos estão cada vez mais populares, mas poucos têm consciência dos riscos envolvidos nesse procedimento estético.

Divulgada como “plástica sem cortes”, “sem cicatriz” ou “sem bisturi”, a bioplastia teve como origem as técnicas de preenchimento de pele, e promete recuperação rápida, sem internação hospitalar, resultado imediato e por um preço menor do que as cirurgias plásticas tradicionais. Tantas vantagens seduzem facilmente pessoas que, em busca da beleza, ignoram os possíveis problemas que um procedimento como esse pode acarretar.

Em busca das formas ditas 'perfeitas', mulheres se submetem a tratamentos estéticos sem ter consciência dos riscos envolvidos
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Em busca das formas ditas 'perfeitas', mulheres se submetem a tratamentos estéticos sem ter consciência dos riscos envolvidos


“Todo preenchimento pode ter complicações”, afirma Denise Steiner, presidente da Sociedade Brasileira de Dermatologia. A aplicação de uma nova substância no organismo pode resultar em granuloma de corpo estranho, uma espécie de alergia, em que o corpo tenta rejeitar o material injetado e cria uma inflamação em torno do material.

“Outra questão é o biofilme, uma película que se forma agregada ao material injetado e a qual ficam associadas algumas bactérias. Em geral as bactérias ficam lá e pode nunca acontecer nada, mas mediante alguns estímulos, como um trauma, por exemplo, essas bactérias podem se proliferar e causar infecção”, explica Denise.

A modelo Andressa Urach, vítima de complicações causadas por preenchimento
AgNews
A modelo Andressa Urach, vítima de complicações causadas por preenchimento

Esses problemas podem acontecer mesmo quando os procedimentos são feitos com médicos capacitados, em ambiente adequado e com todos os cuidados necessários. Antes de qualquer procedimento o profissional deve levantar todo o histórico de saúde do paciente, para saber se existe alguma condição prévia que impeça o preenchimento, por exemplo. E é preciso ter muito conhecimento de anatomia para evitar problemas.

“Não pode simplesmente ir aplicando o produto. Precisa evitar onde tem artérias, nervos. Porque se você entope um vaso pode levar a necrose, ou se atinge um nervo pode causar nevralgia”, diz Denise. E é fundamental também conhecer a fundo o produto que vai ser aplicado, a densidade e a quantidade certa para cada local, entre outras particularidades.

Para diminuir os riscos dos procedimentos estéticos, portanto, o primeiro passo é procurar um médico capacitado.

“Muita gente, movida pela tirania da beleza, procura profissionais que não são médicos e usam produtos de baixa qualidade. Essa é a composição para a tragédia”, alerta o cirurgião plástico Prado Neto, presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBPC). Como os materiais usados em preenchimento não são baratos, desconfie de quem oferece valores muito abaixo dos praticados no mercado.

Para checar se o profissional que faz os procedimentos é capacitado, uma boa ideia é pesquisar se ele é membro das sociedades brasileiras de Dermatologia , Cirurgia Plástica  ou Medicina Estética . Os sites dessas entidades têm a lista dos profissionais que são associados e, portanto, são especializados em cada uma das práticas.

Produtos e técnicas para preenchimento

Tanto o hidrogel quanto o polimetilmetacrilato (PMMA), que foram aplicados em Andressa Urach, são materiais aprovados pena Anvisa e adequados para determinados tipos de preenchimento, mas podem causar danos irreparáveis quando usados de forma abusiva.

“A SBPC recomenda o uso do hidrogel para corrigir pequenas deformidades, em procedimentos reparadores, e não nos estéticos. O PMMA também é indicado em casos de deformidade grave, em que os benefícios do procedimento compensam eventuais riscos”, diz Prado Neto.

A aplicação desses produtos em áreas maiores, como coxas e glúteos, é, nas palavras do presidente da SBCP, “surreal”. Para engrossar as pernas ou aumentar o bumbum, existem dois procedimentos indicados: a prótese de silicone ou a autolipoenxertia, que trata-se de lipoaspirar a gordura de uma parte do corpo e injetar onde for necessário.

“A gordura é da própria pessoa, então não há risco de rejeição, ela tem os mesmos anticorpos do resto do corpo, reage bem a antibióticos e não tem risco de alergia”, explica o cirurgião plástico André Eyler.

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