Implante de silicone não levanta os seios, e lipoaspiração não emagrece ninguém: entenda como funcionam as cirurgias plásticas mais comuns no Brasil, e suas contraindicações

Na ânsia de ter o corpo sem imperfeições e o rosto sempre jovem, muitas mulheres não têm medo de encarar o bisturi. O Brasil é o segundo colocado no ranking mundial de cirurgias plásticas: segundo pesquisa da Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética, ficando atrás apenas dos Estados Unidos.

Essa colocação se deve em grande parte à nossa cultura, que, segundo o cirurgião plástico Alexandre Piassi Passos, dá muito valor à beleza física. “A cultura brasileira cultua o corpo bonito e sua exposição”, explica Passos, “por isso, a cirurgia plástica é forte aqui”.

No entanto, cirurgias plásticas devem ser vistas com cautela. Ainda segundo Passos, o procedimento cirúrgico estético só melhora o que já existe, por isso as expectativas das pacientes devem ser realistas. Segundo o também cirurgião plástico Márcio Castan, "o mais importante é ter uma conversa franca com a paciente e saber o que ela quer e o que nós podemos fazer”.

Antes de decidir por uma cirurgia plástica, é fundamental saber o que ela de fato pode fazer por seu corpo ou rosto
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Antes de decidir por uma cirurgia plástica, é fundamental saber o que ela de fato pode fazer por seu corpo ou rosto


Além da honestidade, é imprescindível que a saúde da paciente esteja em dia. De acordo com o cirurgião plástico Eduardo Andrade Filho, nada impede uma pessoa hipertensa ou diabética de fazer uma cirurgia, desde que esteja com a doença controlada. “É fundamental fazer exames que comprovem que a saúde do paciente está estável, além de verificar os hábitos desse paciente, pois podem prejudicar o processo”, afirma Andrade Filho.

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Um dos hábitos mais prejudiciais é fumar. Segundo Andrade Filho, o cigarro afeta a microcirculação, o que prejudica a cicatrização e recuperação da pele - entre vários outros males, é claro. Também é importante saber se o paciente toma remédios controlados, pois eles podem afetar a resposta do organismo à intervenção cirúrgica.

Fora as recomendações gerais para todo procedimento cirúrgico, há algumas particularidades de cada tipo de cirurgia plástica. O Delas selecionou as cirurgias mais procuradas no Brasil, de acordo com a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, e conferiu com os três cirurgiões para quem cada um é indicado e quais as precauções necessárias. Confira:

Lipoaspiração

A lipoaspiração retira gordura localizada, e não é indicada para emagrecimento
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A lipoaspiração retira gordura localizada, e não é indicada para emagrecimento

- É indicada para: quem não está acima do peso e sofre com gordura localizada
- Contraindicada para: quem está obeso e planeja emagrecer com a cirurgia
A lipoaspiração é ideal para quem não está muito acima do peso. Ao contrário do que pensa muita gente, essa cirurgia não tem efeito emagrecedor: ela só remove gorduras localizadas e afina o contorno do corpo.

A cirurgia em si consiste na introdução de uma cânula sob a pele que aspira a gordura (daí o nome). De acordo com normas mundialmente estabelecidas, só é permitido retirar de 5 a 10% do total de gordura do organismo, que pode ser distribuído em várias áreas do corpo. Como células adiposas são retiradas, o acúmulo de gordura pode mudar de região. Quem estava acostumada a ter mais culote, pode observar maior concentração de gordura no abdômen, por exemplo.

Durante o pós-operatório, é necessário usar uma cinta modeladora e começar a fazer drenagens linfáticas o mais cedo possível. A cinta ajuda a modelar a gordura e, ainda, a aderir a pele que foi descolada durante a cirurgia. A drenagem diminui os inchaços e evita grandes hematomas.


Mamoplastia de aumento (implante de silicone)

O implante de silicone aumenta os seios, mas não levanta ou aproxima
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O implante de silicone aumenta os seios, mas não levanta ou aproxima

- É indicada para: quem tem pouco volume de seios e deseja aumentar
- É contraindicada para: quem tem seios caídos e deseja levantar
Como o próprio nome diz, essa cirurgia é indicada para quem tem pouco seio ou, ainda, como cirurgia reparadora depois de uma mastectomia. Por isso, a paciente não deve esperar seios mais elevados ou próximos.

Esse aumento é feito com a introdução de uma prótese de silicone texturizado que pode ser colocada abaixo da glândula mamária ou atrás do músculo. A incisão pode ser feita pela axila, abaixo do seio ou, ainda, ao redor da aréola. O tipo de prótese, seu posicionamento e onde será feita a incisão são decisões tomadas pelo cirurgião após entender qual o desejo da paciente e qual seu perfil.

A recuperação da cirurgia de aumento de seio é geralmente tranquila e relativamente rápida. No mês que se segue ao procedimento, é necessário usar um sutiã específico ou uma faixa tensora. Essas peças ajudam a firmar a prótese no lugar e a ajustar o formato final dos seios.

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Mesmo quem passou por uma cirurgia tranquila deve ter em mente que a prótese de silicone não é definitiva. Hoje, a duração média de uma prótese é de 15 anos, o que significa que a paciente terá que se submeter a uma nova cirurgia para trocar o silicone.

É importante ressaltar que o silicone não aumenta os riscos de desenvolvimento de câncer de mama nem dificulta os exames de imagem, como a mamografia.


Mastopexia ou lifting de mama

A mastopexia, ou lift de mama, serve para reposicionar as mamas, mas, sozinha, não altera o tamanho dos seios
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A mastopexia, ou lift de mama, serve para reposicionar as mamas, mas, sozinha, não altera o tamanho dos seios

- É indicada para: quem quer levantar ou dar novos formatos para os seios
- É contraindicada para: quem deseja alterar o tamanho dos seios

Se o silicone é voltado para quem quer aumentar os seios, a mastopexia é indicada para quem quer dar nova forma ao busto. Mulheres com os seios flácidos ou que apresentam muito tecido mamário costumam optar por esse procedimento, às vezes associando a uma mamoplastia de aumento ou de redução.

Durante a cirurgia, pode ser necessário reposicionar o complexo aréolo-papilar, ou seja, o bico do seio. Por isso, é mais recomendável que a cirurgia seja feita por mulheres que já tiveram filhos e já amamentaram: o risco de comprometer os ductos lactíferos e ter perda de sensibilidade é baixo, mas existe.

O pós-operatório é similar ao da mamoplastia de aumento, mas pode ser mais chato e demorado. Como há tecido que foi removido, o organismo precisa de mais tempo para cicatrizar a região. Para ajudar, é uma boa ideia começar a fazer drenagens linfáticas o mais cedo possível e dormir de barriga para cima nos meses seguintes à cirurgia.


Abdominoplastia

A abdominoplastia é indicada para pós-parto ou após a perda de muito peso, para reposicionar os músculos
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A abdominoplastia é indicada para pós-parto ou após a perda de muito peso, para reposicionar os músculos

- É indicada para: quem mesmo com o peso normal, não tem um abdômen liso e tonificado
- É contraindicada para: quem ainda precisa emagrecer

A abdominoplastia é uma cirurgia que envolve a retirada do excesso de pele do abdômen e o reposicionamento dos músculos abdominais. Por isso, é bastante indicada para mulheres que deram à luz e não recuperaram a forma pré-gravidez, e para quem teve uma perda de peso relevante e rápida, como a ocasionada pela cirurgia bariátrica. Nessas duas situações, a mudança brusca de volume corporal excede a capacidade da pele de se adaptar, o que acaba rompendo as fibras de colágeno e ocasionando flacidez e estrias.

Durante o procedimento, é feito um corte na região inferior do abdômen e a pele é esticada e recosturada. Os músculos abdominais, que ficaram afastados por causa da gravidez ou por causa da obesidade, são costurados juntos para que fiquem no lugar correto.

Para que os resultados sejam os melhores possíveis, a pele do paciente deve ter uma boa elasticidade, o que pode exigir um tratamento prévio para estímulo do colágeno. Também é recomendado que os músculos do abdômen sejam previamente trabalhados com exercícios localizados.

O pós-operatório pode ser bastante incômodo porque o paciente deve andar com o corpo curvado até que a pele se acostume a sua nova posição, o que demora de 15 a 21 dias, em média. Assim que estiver recuperado, o paciente deve fazer exercícios localizados para obter resultados satisfatórios e dar tônus aos músculos reposicionados.



Blefaroplastia

A cirurgia das pálpebras é boa para quem tem flacidez na região, mas não é rejuvenescedora
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A cirurgia das pálpebras é boa para quem tem flacidez na região, mas não é rejuvenescedora

- É indicada para: pessoas com mais de 45 anos que se incomodam com a flacidez da pele em torno dos olhos
- É contraindicada para: quem busca rejuvenescimento, já que ela apenas remove pele e gordura na região das pálpebras

Blefaroplastia é a cirurgia de remoção de pele e de gordura nas pálpebras. É indicada para pessoas acima dos 45 anos que já apresentam um acúmulo de pele na região e que sentem dificuldade em enxergar ou apenas se incomodam com a flacidez em volta dos olhos.

A bolsa abaixo dos olhos se forma porque o músculo nessa região fica mais fraco com o tempo e deixa emergir a gordura que se localiza atrás dele. Por isso, na cirurgia, é removida a gordura e o músculo é costurado para ficar mais firme.

Pessoas com doenças oculares como glaucoma e hipertensão devem estar com o quadro controlado para se submeter à cirurgia. Quem tem hipertireoidismo e apresenta exoftalmia também deve ter cuidado, pois os olhos podem ficar mais proeminentes após a cirurgia.

É importante ressaltar que essa cirurgia não promete rejuvenescimento, só ajuda a abrir o olhar. Por isso, é comum que seja associada a um lifting de sobrancelhas ou até um lifting facial completo.

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Quanto ao pós-operatório, é bastante simples na maioria dos casos. O paciente geralmente tem alta no mesmo dia e deve fazer compressas frias na região dos olhos, assim como drenagens linfáticas. O uso de óculos escuros é altamente recomendado, pois evita cicatrizes e manchas.

Lifting facial

O lifting facial é indicado para diminuir rugas e flacidez, mas não altera a aparência do rosto
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O lifting facial é indicado para diminuir rugas e flacidez, mas não altera a aparência do rosto

É indicado para: quem quer corrigir sinais de envelhecimento no rosto e pescoço
É contraindicado para: quem quer mudar a aparência do rosto
O lifting facial, como o nome diz, é uma cirurgia para levantar o rosto e, consequentemente, diminuir rugas e flacidez. Indicado para pessoas acima dos 40 anos que apresentam sinais do tempo, perda do contorno e do volume facial. O procedimento consiste em incisões na região das orelhas, na linha do cabelo ou no couro cabeludo para retirar o excesso de pele do rosto.

Para que o resultado fique natural e satisfatório, ainda pode ser indicado fazer enxertos de gordura na face, moldar a estrutura óssea e reposicionar e firmar os músculos faciais. No entanto, mesmo com todas as técnicas aplicadas com precisão, o sucesso da cirurgia depende muito do quão preparada está a pele. Pessoas com o hábito de aplicar cremes e fazer procedimentos clínicos como peelings e laser têm melhores chances de um resultado positivo. Assim como na abdominoplastia, um tratamento prévio de estímulo do colágeno pode ser necessário.

O pós-operatório pode ser bastante incômodo, pois o rosto fica inchado e dolorido. O paciente deve ficar em repouso e longe do sol por 10 dias. Depois, pode-se voltar às atividades cotidianas com parcimônia.

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