Grampos, presilhas e topetes ajudam a disfarçar o corte errado. E mais: veja dicas para não correr o risco de se arrepender

Volta e meia, todo mundo precisa mudar o visual. Atores e atrizes, por exemplo, devem se adequar ao look de alguma personagem. Em alguns casos, o cabelo pode não agradar ao público e é preciso mudar. Ou você, no seu dia-a-dia, pode ter apostado na franjinha e, quando voltou do salão, se arrependeu do resultado. 

Para quem está na televisão, mudar o penteado da noite para o dia é mais fácil: apliques, perucas e cabeleireiros incríveis estão sempre à disposição. Mas, para quem cortou a franja na vida real e se arrependeu, a mudança pode ser mais complicada.

Cortei, e agora?
A publicitária Raquel Ernesto sabe bem o que é esse arrependimento. Quando tinha vinte e poucos anos, Raquel cortou a franja para ficar mais moderna. Ao sair do salão, tudo parecia perfeito, mas a felicidade durou pouco. “Na manhã seguinte, o choque. Franja torta, amassada, em pé. Era tudo menos o corte impecável do dia anterior. Pra piorar percebi um redemoinho bem no lado esquerdo da minha testa”, relembra Nos meses seguintes, Raquel viveu a base de “mini piranhas”, para conter os cabelinhos, e torcia para que os fios crescessem logo.

Raquel Ernesto, depois de muito brigar com a franja, acertou-se com um comprimento mais longo
Arquivo pessoal
Raquel Ernesto, depois de muito brigar com a franja, acertou-se com um comprimento mais longo

Apesar da surpresa desagradável, essa não foi a primeira experiência de Raquel com a franja. Na adolescência, se inspirou na quase-xará Rachel, personagem do seriado Friends, e cortou uma franjinha porque “era moda, todas as meninas usavam a franjinha rala que cobria a testa parcialmente”.

Hoje, aos 34 anos, Raquel usa um franjão na altura do nariz, para dar movimento ao cabelo. “Às vezes uso de lado, às vezes divido ao meio, mas pelo menos uma vez por ano dou uma mexida na franja”. Essa mexida, aliás, por vezes é caseira. “Tem um tamanho exato da franja que sempre fica lindo, e dura duas ou três semanas. Quando esses dias passam, vem aquela vontade de manter o corte e é nesse momento que eu corro o maior risco e tento cortar eu mesma”, confessa Raquel. “É um desastre: fica curta demais, ou fica cheia de pontas, ou reta demais”, diverte-se.

Stefanie Larah com sua franja torta: a solução foi deixar crescer
Arquivo pessoal
Stefanie Larah com sua franja torta: a solução foi deixar crescer

No rol de cabeleireiros amadores, entra a também publicitária Stefanie Larah. Há pouco tempo, levada por uma vontade de mudar e inspirada por celebridades como Alexa Chung, Stefanie pegou a tesoura e tosou a própria franja. “Eu mesma cortei em casa e não tive sucesso porque a franja ficou torta. Me arrependi por ter feito em casa, em vez de esperar e ir até um profissional”, lamenta. Com o estrago feito, aí sim, Stefanie decidiu procurar ajuda especializada em um salão, “mas não tinha nada pra fazer, o melhor era esperar crescer”.

Para aguentar as semanas que se seguiram, Stefanie usou e abusou de grampos e, quando possível, colocava a franja de lado. Hoje, a publicitária ainda tem vontade de cortar a franja, “mas outro estilo e com um profissional”.

Dica profissional
Segundo o cabeleireiro Junior Carvalho, do C.Kamura São Paulo, uma das piores coisas que a mulher pode fazer para seu cabelo é cortar a franja em casa. “Quando a gente corta no salão, são várias etapas para a franja ficar perfeita. É preciso desfiar as pontas antes de dar o corte com a tesoura e ainda cortar os cabelos da lateral, para que o corte não fique ‘blocado’”, explica. Além disso, Carvalho alerta que o corte deve ser feito com o cabelo molhado e dois dedos mais longo do que o comprimento ideal, pois o cabelo “encolhe” quando seco.

Mesmo que o responsável pela franja seja o melhor profissional possível, é imprescindível saber se você realmente combina com o corte. Primeiro, considere seu estilo pessoal. Mulheres clássicas costumam se dar bem com franjas retas, lisas. Já as mais modernas devem tomar cuidado para não ficarem com ar muito infantil. É fundamental que você não se deixe levar por uma tendência e pense bastante se o corte combina com você.

Em segundo lugar, pense no seu biotipo. “O tamanho da testa indica se você pode ou não ter franja”, explica Carvalho, que dá uma dica para descobrir: “coloque os quatro dedos da mão direita na testa, horizontalmente. Se sobrar dedo, sua testa é curta e não se dará bem com a franja; se sobrar testa, a franja é altamente indicada. E se não sobrar nada, você pode escolher ter franja ou não”.

Além do tamanho da testa, o formato do rosto deve ser levado em conta para escolher qual tipo fica melhor. Mulheres que têm rosto quadrado, por exemplo, devem buscar franjas arredondadas, mais compridas nas laterais, para suavizar os ângulos. Por fim, o tipo de cabelo define que caminho tomar. “Mulheres de cabelo muito crespo podem ter franjas mais longas, laterais, e devem mantê-las crespas para não haver conflito de texturas” sugere Carvalho. “As de cabelo ondulado podem fazer um alisamento temporário na franja para que ela fique no lugar, mas que não fique artificial”. Se, assim como Raquel, você tiver um redemoinho na franja, fuja do corte reto e opte pelo lateral.

Mesmo com todos os cuidados, o processo de manutenção da franja não é para todo mundo. “Depois de dois meses, o corte da franja vai embora e precisa ser refeito”, avisa Carvalho, que ressalta mais uma vez a importância de cortar com um profissional. No caso de você querer deixar a franja crescer, Carvalho sugere ir prendendo a franja para trás, fazendo topetinhos e jogando para o lado. Conforme ela cresce, o ideal é repicá-la, para que se funda melhor ao restante do cabelo. “A franja começa a sumir depois de quatro meses”, estima Carvalho. Tenha paciência, então, e boa sorte!

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