M?es e especialistas discutem se e possivel educar os filhos sem se utilizar de umas ?palmadinhas? de vez em quando

_CSEMBEDTYPE_=inclusion&_PAGENAME_=delas%2FMiGComponente_C%2FConteudoRelacionadoFoto&_cid_=1237496375547&_c_=MiGComponente_C

Na epoca da aposentada Marivalda Lantyer, 63, era comum os pais terem autoridade e exigirem respeito dos filhos. Se necessario, os mais arteiros levavam umas palmadas para entender quem dominava a situac?o. Hoje, as criancas tomam conta de tudo, os pais n?o sabem dizer n?o na hora certa e perdem a autoridade . N?o foram as criancas que mudaram, foram os pais, afirma Marivalda, m?e de tres filhos.

Mas a aposentada acredita que uma palmadinha de vez em quando ajuda a educar ? Nunca precisei bater nos meus filhos. So bati uma vez e me arrependo ate hoje. O mais importante e os pais saberem colocar limites e n?o cederem aos apelos das criancas, diz.

Para Nara Marcelino, 45, filha de Marivalda e m?e do Jo?o Pedro, de 6 anos, umas palmadas na hora certa ajudam, sim, a educar. O Jo?o Pedro e muito teimoso e preciso ensina-lo a obedecer agora para n?o sofrer as consequencias no futuro, justifica.

Os prejuizos da palmada

Para a psicoterapeuta Vanessa Morcrette, bater esta longe de educar e severidade n?o e sinonimo de educac?o . Bater agride, desmoraliza, humilha e destroi, inclusive lacos e vinculos afetivos. E preciso exercitar a autoridade sem ser autoritario, apresentar os limites, ter noc?o de virtudes , bem como ter noc?o de si mesmo, afirma a psicoterapeuta.

A polemica em torno deste assunto vem de longa data. Depois do Estatuto da Crianca e do Adolescente (ECA) e de tantas discuss?es com especialistas, juristas e legisladores, chegou-se a um acordo: bater numa crianca ou adolescente n?o educa e ainda pode causar reac?es imprevisiveis por parte da vitima, como raiva, ressentimentos, vingancas e fugas de casa, afirma o professor e psicologo Raymundo de Lima, mestre em psicologia escolar pela Universidade Gama Filho (UGF) e doutor em educac?o pela Universidade de S?o Paulo (USP).

Educac?o no dia-a-dia

Mas, na pratica, o que fazer para se controlar quando o filho apronta aquela arte homerica? Como educar implica em cultura, historia, humor do momento e ate num estilo pessoal, eu n?o condenaria pais que, no limite, d?o uma palmadinha numa crianca birrenta , cuja demanda e mais ato do que palavras. Mas, repito: so punic?o fisica n?o educa , apenas reprime, responde o professor.

A psicopedagoga Taisa Alves Mambrim Leme tem uma estrategia que costuma dar certo: eu evito bater. Sempre coloco o Giovani (de 3 anos) de castigo na hora que fez a coisa errada. Se molhou o ch?o de proposito, faco ele ajudar a limpar. Se brigou com a irm? e a prima, fica alguns minutos fora da brincadeira. Acho que e o melhor aprendizado . Mas o castigo tem que ser na hora, sempre associado ao que fez de errado, sen?o a crianca vai esquecer por que esta sendo punida, reforca.

O mais saudavel e, via dialogo , tentar entender como se chegou a tal situac?o. Os pais precisam ser tolerantes o suficiente para dar espaco para seu filho poder falar. Limites podem ser colocados, mas sem retaliac?o , pois nestes casos, por conta de mais agress?es, a crianca n?o vai falar e tampouco encontrar recursos para n?o cometer mais atos graves. Ela podera ir buscar no mundo, de forma arbitraria, a compreens?o que n?o encontrou em casa, explica Vanessa Morcrette.

A importancia dos limites

Para Vanessa, o oposto tambem e perigoso. Pais muito bonzinhos e liberais tendem a criar pessoas problematicas no futuro. Em ambos os casos, falamos de situac?es sem limites, sem fronteiras. Deliberadamente esta crianca tera muitas dificuldades para conviver em grupo, em familia, no trabalho. Provavelmente tera uma tendencia antissocial forte (atitudes delinquentes) ou ficara retraida e introvertida, caracteristicas tipicas de uma depress?o acentuada, explica a psicoterapeuta.

Segundo o professor Raymundo de Lima, existem pesquisas indicando que faz menos mal aos filhos pais autoritarios do que pais negligentes e permissivos, porque estes passam para a crianca a sensac?o de abandono . As criancas precisam de referencias seguras, ainda que o mundo seja inseguro e incerto, explica.

E qual seria ent?o o comportamento ideal dos pais? Primeiramente, os pais deveriam buscar sua propria identidade para poderem oferecer o modelo para os filhos, responde Vanessa.

O pai perdeu sua autoridade e a m?e n?o foi substituir esse vazio. Assim, a crianca se encaminha para ocupar essa posic?o deixada por eles. Por isso, hoje temos adolescentes mandando, cobrando direitos e n?o cumprindo deveres. E tambem temos criancas sendo criadas, e n?o educadas, com muito poder de mando sobre os pais, afirma Lima.

O professor ainda completa: estamos vivendo numa pedocracia (poder da crianca) e adolescencracia (poder do adolescente). Afirmac?es, sem duvida, inquietantes, mas que exigem atenc?o e reflex?o por parte dos pais.

Leia tambem: Chilique infantil: como lidar?

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.