Elas nem sempre são esperadas, mas com certeza são inevitáveis. Teve que mudar de emprego? Passou por uma separação? Foi morar em outra cidade? Descubra como controlar o estresse gerado por estas situações

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Pode reparar: tem gente que adora mudanças. E tem gente que odeia. No caso do primeiro grupo, parece que a rotina os deprime, os sufoca. Já para os que odeiam mudar, o medo é maior que tudo. Em time que está ganhando não se mexe, dizem. E decidem não mudar de emprego, não casar, não fazer aquela viagem ao exterior. Mas algumas mudanças simplesmente não dependem da gente. Uma morte de alguém próximo, uma demissão, uma troca de chefe ¿ querendo ou não, são coisas que podem acontecer com qualquer um, a qualquer momento.

As mudanças acarretam estresse, isso é fato. Não importa se são mudanças boas ¿ o nascimento de um filho, uma mudança de emprego, um casamento ¿ ou ruins ¿ morte de um ente querido, problemas financeiros. Na década de 60, os médicos dr. Thomas Holmes e dr. Richard Rahe, após entrevistarem sete mil pessoas, identificaram 43 fatores estressantes que afetam e até encurtam nossas vidas ¿ e atribuíram, em uma tabela, um peso a cada um deles.

Hoje o teste continua sendo feito no mundo todo, mas com algumas adaptações ¿ percebeu-se, por exemplo, que a morte de um filho tem um peso muito maior do que a morte de qualquer outro membro da família (faça o teste online aqui ).

É sabido que são necessários 30 dias para que um novo hábito se forme. Portanto, é neste mês que a gente tem que juntar confiança e energia para atravessar essa fase de transição, de estresse. Muitas vezes tudo fica mais fácil com uma ajuda externa ¿ um psicólogo, um medico psiquiatra ou ortomolecular, um guru espiritual. Em entrevista, o próprio dr. Rahe afirmou que, já que não dá pra evitar o estresse, a única coisa que podemos fazer é nos preparar para enfrentá-lo. E podemos fazer isso de várias formas, sendo a mais eficiente manter uma boa forma física, praticar exercícios, controlar a pressão sanguínea e manter um bom preparo psicológico e espiritual.

Nadando com a maré

Não tem jeito, a mudança é inevitável, diz Marina Genova, psicóloga e budista. A impermanência, para o budista, é verdade fundamental. Não existem mudanças externas e internas, assim, de forma independente. Tudo está intrinsecamente ligado ¿ como num jogo de dominó. Tocar em uma peça significa rearranjar a configuração de todas as outras. Somos todos parte de um mesmo todo ¿ o que nos afeta atinge o que (e quem) nos cerca ¿ e vice-versa. Mas como lidar com algo tão grande, então? Prestando atenção no nosso papel nessas mudanças. Temos que nos perceber como atuantes, e não como meros afetados. Mudar impõe observar o mundo sob outro ângulo, incluindo-nos nele assim, finaliza ela. 

Segundo Cláudia Murúa, psicóloga da linha cognitiva comportamental, funcionamos de acordo com o modo pelo qual percebemos o mundo ¿ e é isso o que determina sentimentos, comportamentos, respostas fisiológicas. É a mesma coisa que alterar um componente de uma engrenagem ¿ todas as outras peças deverão ser readaptadas, diz ela. Os componentes, neste caso, são conceitos, valores, princípios.

Um papel recém-assumido ¿ uma promoção no trabalho, por exemplo ¿ leva à necessidade de ajustes. Estes ajustes dependem do histórico de vida da pessoa em questão. A auto-estima é uma palavra-chave aqui. Uma pessoa mais segura tem uma melhor capacidade de adaptação, diz Cláudia. Não é possível evitar o desequilíbrio. Mudança é desequilíbrio. Mas podemos fazer com que esse desequilíbrio não seja patológico: não criando falsas expectativas, fazendo escolhas segundo seus próprios valores e crenças, tendo em mente que nem sempre os esforços são recompensados ou reconhecidos pelos demais.

Efeitos no corpo

E no campo fisiológico, o que o estresse decorrente de mudanças pode causar? Segundo o dr. Fábio César dos Santos, cardiologista e especialista em prática ortomolecular, o estresse é a reação fisiológica do corpo quando este se sente ameaçado. Só que, com o acúmulo dos agentes estressores, o equilíbrio do organismo fica comprometido, podendo ocasionar vários problemas de saúde ¿ uma alergia, o aumento da pressão arterial, um descompasso nas batidas do coração.

O dr. Fábio explica a psicofisiologia do estresse: somos atingidos por um fator estressor (no caso, a mudança), que é decodificado pelo hipotálamo (o grande responsável pela conexão corpo-mente).

A partir daí, dois trajetos são ativados: o sistema endócrino e o sistema nervoso autônomo (SNA). O sistema endócrino abrange todas as glândulas secretoras de hormônios que, por sua vez, terão reflexos sobre nossos sistemas cardiovascular e gastrointestinal, além de pele e músculos.

O SNA é responsável pelo controle de funções involuntárias, como os batimentos cardíacos e a pressão arterial, e se divide em simpático (o acelerador) e parassimpático (o freio). Quando um organismo é atacado pelo agente estressor, o SNA é ativado: a frequência cardíaca aumenta, as pupilas se dilatam, preparando-se para uma batalha ou para uma fuga ¿ e, logo depois, o freio faz com que tudo volte ao normal.

O mecanismo ocorre devido às necessidades daquele momento preciso ¿ e isso é natural, o chamado estresse positivo. O acúmulo de agentes agressores, porém, leva a respostas desordenadas ¿ este é o estresse negativo, que acarreta a perda do equilíbrio do SNA e conseqüentes danos funcionais e doenças correlatas.

Mude junto!

Para mantermos uma relação saudável entre o corpo e a mente, o equilíbrio emocional é sem dúvida a melhor saída. O ponto de partida deve ser uma boa anamnese. Hoje em dia, temos métodos que nos possibilitam entender o que está acontecendo com o sistema nervoso autônomo (SNA). São métodos utilizados inclusive pela Nasa e pelo exército americano na avaliação de seus profissionais, tais como o biofeedback, diz o dr. Fábio.

Resultados nas mãos, agora é partir para o ataque. Não adianta resistir: frente a grandes mudanças, mudemos, nós também. Meditação, relaxamento, atividade física, alterações na alimentação e o eventual apoio de suplementos alimentares e de medicamentos prescritos são armas com as quais podemos nos munir para passar por novas situações. Lembre-se: mente sã, corpo são ¿ e vice-versa.

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