Nos EUA, estudo questiona a crença popular que condena o amor cego

Esqueça aquele conselho para não criar falsas expectativas em um relacionamento amoroso. Uma nova pesquisa americana mostra que as pessoas que têm uma ideia menos realista de seus parceiros costumam sentir-se mais satisfeitas com o casamento.

A idealização parece bloquear o declínio da satisfação, que geralmente afeta o casamento com o passar do tempo, disse Sandra Murray, professora de psicologia da Universidade de Buffalo e autora do estudo.

“Sem levar em conta a idealização, esta amostra mostrou um declínio médio da satisfação ao longo dos três anos do estudo. Porém, ao compararmos os participantes com diferentes níveis de idealização, aqueles com níveis mais altos não apresentaram um declínio”, explicou.

Mas qual seria a causa disso? Murray afirma que a perspectiva positiva – ou seja, dar mais créditos ao parceiro do que ele realmente possa merecer, poderia ajudar nas ocasiões em que as coisas começam a complicar.

Ela complementou dizendo que toda essa visão positiva talvez dê um pouco de cor à percepção que temos a respeito do comportamento do parceiro e uma sensação mais forte de otimismo quanto à resolução dos problemas do relacionamento.

Para o estudo, publicado na edição de abril do periódico Psychological Science, Murray recrutou 222 casais com casamento marcado. Eles tinham, em média, 27 anos. Ao comparar as informações, os pesquisadores desenvolveram um ranking de idealização e realismo dos participantes em relação aos seus respectivos parceiros. Aqueles que tinham um ideal irrealista do parceiro se mostraram mais felizes no casamento ao longo dos três anos.

Devido à duração do estudo, a pesquisadora diz que não pode prever por quanto tempo a idealização positiva poderia alimentar tal satisfação. Entretanto, ela concluiu: “Enxergar no parceiro um reflexo do ideal que temos de alguém dá certo grau de imunidade aos efeitos corrosivos do tempo. Os participantes que inicialmente idealizaram seus parceiros não apresentaram declínio de satisfação”.

“Essa é uma ideia importante”, disse Eli Finkel, professor de psicologia social da Northwestern University, que também realiza pesquisas sobre relacionamentos. Ele diz que as descobertas “realmente vão contra a sabedoria popular”, que adverte que não devemos ser tão “cegos” no amor. 

Finkel afirma que as constatações fazem sentido. “Quando fazemos uma avaliação alta do parceiro, interpretamos que seu comportamento é carinhoso, divertido e compreensivo”, disse. Ele ressaltou que a avaliação destas pessoas pode ser “um pouco mais positiva” do que merecem seus parceiros.

Segundo o pesquisador, a visão positiva pode tornar os obstáculos do dia a dia mais suportáveis. “Se partimos de uma perspectiva positiva, realmente enxergamos o parceiro exatamente como uma pessoa com a qual gostaríamos de nos envolver. Dessa forma, todas aquelas pequenas adversidades que enfrentamos diariamente são interpretadas por meio desta lente”, ele explica. “Aparentemente não merecemos nenhum castigo por acreditar que nosso parceiro é um príncipe encantado”.

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