Cientistas dizem que método “natural” de concepção vai ser substituído pela fertilização in vitro em dez anos
Na linha do tempo dos relacionamentos o sexo passou de tabu para uma atividade de lazer. Agora cientistas australianos dizem que as transas devem perder até a relevância reprodutiva nos próximos dez anos - uma teoria, no mínimo, polêmica.
O posicionamento, apresentado no jornal Reproductive BioMedicine, aponta que casais que desejam ter filhos vão deixar de fazer sexo para engravidar e confiar mais na fertilização in vitro desde a primeira tentativa. Um dos autores, o veterinário John Yovich, disse ao jornal britânico Daily Mail, que o sexo, em breve, será puramente "recreativo".
Essa mudança de estratégica é justificada pelo aumento da eficácia da fertilização ao longo do tempo e idade mais avançada dos casais, que esperam mais tempo para engravidar.
Já para parte dos especialistas brasileiros, a reprodução assistida é a última opção e pode apresentar riscos. A confiança cega na fertilização in vitro também pode ser vista como fria e objetiva demais para o casal. “Acho um absurdo, é obrigatório que a espécie humana se reproduza por via sexual”, defende o ginecologista Eliano Arnaldo Pelinni. Ele diz que a técnica deve ser focada em casais com reais dificuldades reprodutivas e que as chances de engravidar são semelhantes à de um casal sadio.
O ginecologista também explica que tentar engravidar altera a vida sexual de qualquer casal, mas pode vir a causar problemas, tanto pelas vias normais como de forma assistida. “Alguns transformam tudo em interesse reprodutivo e não voltam para a atividade normal”, relata.
Pelinni aponta que os casais farão mais sexo por prazer no futuro, independente do desejo de engravidar. “Sexo é da espécie e vai se sofisticar. Mas quem decidir engravidar vai ter uma bela experiência transformando isso em situação reprodutiva”, diz. “Ainda existe uma magia que nunca será substituída”.