Exercícios com tonificadores ajudam as mulheres a reativar o interesse pelas atividades sexuais depois do climatério

Assim como existe um nome para a primeira menstruação da mulher, conhecida tecnicamente como menarca, a última é a tão temida menopausa. O período que a antecede é conhecido como climatério, que, na maioria dos casos, acontece por volta dos 45 anos e termina aos 65, culminando na menopausa. Nesse período, as mulheres costumam ter grandes alterações hormonais: tanto ondas insuportáveis de calor com transpiração excessiva, como o aparecimento de problemas sexuais podem virar realidade.

Segundo dados apresentados no XI Congresso Mundial de Menopausa, realizado em Buenos Aires em 2005, a prevalência de disfunção sexual entre as mulheres de meia-idade é acima de 50%. As queixas de dor na penetração, decorrentes das alterações hormonais, geram dificuldades na manutenção da excitação, diminuindo ainda mais a lubrificação vaginal e, consequentemente, reduzindo as possibilidades para se alcançar o orgasmo. Por conta de tudo isso, o desejo sexual é bem reduzido ou até inibido.

Paulo G. P. Tessarioli, psicólogo, terapeuta de casais e de família e especialista com Título de Especialidade em Sexualidade Humana (TESH), Ana Lúcia Cavalcanti e Ana Paula Junqueira Santiago, médicas ginecologistas e sexólogas, desenvolveram uma pesquisa sobre a satisfação sexual em mulheres com a chegada da menopausa, intitulada “A influência do uso do tonificador na consciência do assoalho pélvico das mulheres na menopausa”.

O trabalho, apresentado no X Congresso da Sociedade Latinoamericano, foi desenvolvido na cidade de São Paulo com oito mulheres, com idade média de 52 anos, que apresentavam dificuldade em ter orgasmos. Todas receberam kits compostos por três tonificadores de diferentes pesos e diâmetros e foram orientadas a fazer exercícios diários de contração e relaxamento da musculatura do assoalho pélvico.

Convidada a fazer parte da pesquisa por sua ginecologista, a professora Maria Amélia Andrade, 52 anos, entrou na menopausa aos 42. “No começo, passei um tempo com tranquilidade; mas, depois, passei a sentir calores horríveis, sudorese, não tinha uma noite de sono reparadora e tudo isso mexeu muito com o meu humor”, confessa. Mas, o problema maior era se sentir incapacitada por conta da disfunção orgástica. “Embora tivesse vontade, não sabia como mudar o quadro de minhas respostas sexuais e, assim, passei a evitar o contato”.

Depois de preencher um questionário explorando sua vivência sexual, Maria Amélia recebeu instruções sobre a sexualidade da mulher neste período e um kit com material para uso contínuo, durante 30 dias. “No momento em que comecei a ver minhas respostas aumentadas, ou seja, quando percebi que sustentava os pesos, passei a adquirir mais confiança em mim mesma. Não sei exatamente quantos dias levei, mas foi um processo relativamente rápido”, lembra.

O resultado foi positivo, provando que o uso do tonificador facilitou a percepção vaginal e reativou o interesse pela atividade sexual em cinco das oito mulheres que participaram da pesquisa. “Ganhei uma dimensão maior do meu corpo. Aprendi que posso operar mudanças, dar novos significados ao que ocorre comigo e essas condições despertaram meu desejo e minha busca pelo prazer sexual”, ressalta a professora. Os especialistas concluíram ainda que a associação do trabalho de orientação psicossexual e o uso de artefatos influenciam positivamente o desenvolvimento da consciência corporal. Casada há 30 anos, Maria Amélia não tem receios ao dizer que os lubrificantes especiais, os exercícios vaginais e as palestras com terapeutas sexuais originaram uma nova forma de ver a vida, longe de mitos infundados e tabus. “Sexo é fundamental na vida e estou aprendendo”, finaliza.

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