Paixão após décadas de casamento é possível

Cientistas comprovam que o sentimento pode sobreviver até aos casamentos mais longos

Jenifer Goodwin, NYT

Getty Images
O estudo foi publicado na edição online da revista especializada Social Cognitive and Affective Neuroscience
Você ainda se lembra da intensidade de se apaixonar loucamente? Você sente que, com o passar dos anos, os intermináveis afazeres domésticos e as exigências da vida em família e do trabalho acabaram esmagando a paixão entre você e seu cônjuge?

Leia também:
O que acontece com eles?
É dos barbudos que elas gostam mais
Quando começa a traição?

Novas pesquisas utilizaram tomografias cerebrais para mostrar que alguns casais conseguem manter a paixão e o clima de namoro por décadas de casamento. Ao olhar uma foto do amado, o cérebro de pessoas casadas há mais de dez anos – que se consideravam “profundamente” apaixonadas por seus cônjuges – acendeu-se de forma semelhante às tomografias de novos casais apaixonados.

Os 17 participantes do estudo não eram simplesmente bem-casados, disse Arthur Aron, professor de psicologia da Stony Brook University de Nova York e um dos autores do estudo. Eram pessoas que não conseguem manter as mãos longes do cônjuge mesmo estando casados há mais de 21 anos, em média. “Eles nos contaram que deixam os amigos loucos porque estão sempre se acariciando. Estamos falando de pessoas que têm uma conexão intensa, uma quantidade enorme de paixão e vivacidade física. Acreditava-se que seria impossível existir este tipo de coisa. Mas nossos dados sugerem que isso é real”, disse Aron.

Os participantes do estudo responderam a um anúncio que perguntava: “Você ainda está loucamente apaixonado por seu parceiro de longa data?”. Os mesmos foram analisados por meio de diversos questionários sobre a frequência de relações sexuais – 2,2 vezes por semana, em média –, a importância do cônjuge em suas vidas e sobre a reação corporal ao estarem próximos aos parceiros. Em seguida, as 10 mulheres e sete homens passaram por tomografias cerebrais enquanto olhavam uma série de fotos – de amigos próximos, conhecidos de longa data e de amigos recentes – que incluíam o amado.

As tomografias mostraram que a região tegmental ventral e o estriado dorsal se acenderam quando os participantes olharam fotos dos cônjuges. Estudos anteriores já haviam demonstrado que tais regiões cerebrais, ricas em dopamina – associadas à recompensa e à motivação – também se acendem em pessoas que acabaram de se apaixonar. O mesmo ocorre quando alguém cheira cocaína. “Essas pessoas não estão tentando se enganar. Eles parecem estar passando pela mesma experiência de casais que acabaram de se apaixonar”, disse Aron.

Os participantes também mostraram maior ativação em regiões cerebrais associadas ao vínculo maternal e à afinidade com o amado, disse Aron. A frequência sexual foi relacionada ao aumento de atividade no hipocampo posterior, região ligada à fome e ao desejo.

Os casados há muito tempo demonstraram apenas uma diferença substancial em relação aos recém-casados: regiões cerebrais relacionadas à obsessão e à ansiedade se acenderam menos nas tomografias dos primeiros. Por outro lado, áreas ligadas à calma demonstraram maior atividade, disse Aron.

Robert Epstein, psicólogo de San Diego, Califórnia, especialista em amor e relacionamentos, expressou certo ceticismo em relação às descobertas. Ele diz que o estudo foi realizado com um grupo muito pequeno de participantes e pode ser que os cientistas tenham falhado ao tirar conclusões precipitadas.

Como os participantes foram avaliados em um único momento da vida, o estudo pode sugerir que é possível se apaixonar novamente, ao invés de mostrar que é possível manter o mesmo amor durante anos e anos. Ele diz que os relacionamentos podem passar por diferentes fases. A felicidade parece ter uma queda quando os casais têm filhos. Segundo o especialista, quando os filhos crescem e abandonam o “ninho”, alguns casais passam por um período de renascimento da relação, que pode ser o que está acontecendo com os casais participantes do estudo.

“Não sabemos se essas pessoas sempre estiveram intensamente apaixonadas. O que geralmente acontece em relacionamentos é que as pessoas ficam superapaixonadas e depois as coisas começam a degringolar. Depois os filhos crescem, eles passam por uma segunda lua-de-mel e podem ter uma nova experiência daquela mesma paixão do início. Não se trata da continuação daquelas sensações do começo do romance, na verdade é uma nova vivência das mesmas”, explicou Epstein.

“Casais de longa data, que se consideram relativamente felizes e satisfeitos, mas não necessariamente loucamente apaixonados, não gostam de ouvir falar de casais que ainda têm um desejo ardente por seus parceiros”, ele complementou. “Uma forma de nos sentirmos bem é nos comparando aos outros, então essa não é uma mensagem que as pessoas gostam de ouvir, a princípio. Mesmo para mim e para minha esposa, essa notícia foi um pouco dura de ouvir”, confessou Aron.

Leia também:
A infidelidade pode estar nos genes
Fidelidade é mesmo importante?
Traição é sempre culpa do marido? 

 

Leia tudo sobre: amorpaixãopesquisas

Notícias Relacionadas


    Mais destaques

    Destaques da home iG