Tireóide descontrolada e menopausa estão entre os vilões do desejo sexual

Falta de desejo também afeta o relacionamento do casal
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Falta de desejo também afeta o relacionamento do casal
Nem sempre a falta de desejo sexual resulta de problemas psicológicos ou de relacionamento . O fator hormonal exerce grande influência na libido e deve ser cuidado. O aumento da prolactina, a diminuição da testosterona ou a queda do estrogênio podem causar uma baixa importante da motivação sexual.

Tireóide descontrolada
Disfunções na tireóide, glândula responsável pela produção de hormônios, pode acarretar queda na disposição sexual. Outros sintomas também interferem negativamente. No quadro de hipotireoidismo, em que glândula produz poucos hormônios, a pessoa sente sono, cansaço e falta de concentração. Já em caso de hipertireoidismo, caracterizado pelo trabalho excessivo da tireóide, aparecem incômodos como fraqueza, suor exagerado, nervosismo, entre outros. A boa notícia é que o tratamento, normalmente feito com medicamentos, regulariza o quadro.

Período da menopausa
A chegada da menopausa, que geralmente ocorre entre os 48 e 50 anos, caracteriza-se por uma queda brusca nos níveis de estrogênio no organismo feminino. Produzido pelos ovários, o hormônio é responsável pela elasticidade e lubrificação da vagina. “A intensidade dos sintomas da menopausa não é igual para todas as mulheres. Embora algumas apresentem menor libido, desconforto ou dor durante o sexo, outras continuam a levar uma vida sexual satisfatória”, diz a médica Poli Mara, presidente do Departamento de Endocrinologia Feminina e Andrologia da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM).

Há maneiras eficazes para evitar os sintomas relacionados ao período. Um dos tratamentos mais conhecidos é a terapia de reposição hormonal (TRH), que visa a regularização dos níveis hormonais no organismo feminino. O tema divide opiniões, pois oferece alguns riscos e tem contra-indicações. “Para as mulheres que preferem não usar a terapia hormonal na menopausa, podemos prescrever um hormônio vaginal que aumenta o fluxo sanguíneo local e melhora a libido”, avisa Poli Mara.

Prolactina nas alturas
Depois que engravida, a mulher passa a secretar uma quantidade maior de prolactina, substância que estimula a produção do leite materno e reduz o apetite sexual. Quando o bebê nasce, as taxas desse hormônio ficam ainda mais elevadas, fazendo do pós-parto uma fase pouco propícia ao sexo.

Para o ginecologista e obstetra Malcolm Montgomery, esse período é até mais desestimulante do que a menopausa. “Com a reposição hormonal é possível chegar aos 80 anos com a libido em alta. O pós-parto, por outro lado, não dá para driblar”, explica.

De acordo com o endocrinologista Hans Graf, também da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, o distúrbio pode ser controlado com a ajuda de medicamentos. “Mas antes de indicar qualquer tipo de tratamento precisamos conversar com o paciente para saber quais tipos de remédio usa normalmente, já que algumas drogas são capazes de aumentar a quantidade de prolactina”, frisa.

Pílulas anticoncepcionais
Em algumas mulheres elas podem, sim, prejudicar o desejo sexual. Segundo Poli Mara, isso acontece porque um dos componentes da pílula é o estrogênio, que aumenta a produção de SHBG - em inglês Sex Hormone Binding Globulin , a principal proteína transportadora de hormônios sexuais. “Isso reduz o nível de testosterona no sangue, o que pode afetar a libido de determinadas pessoas”. Nesses casos, o médico pode indicar uma pílula com uma dosagem menor de estrogênio ou até mesmo trocar o método contraceptivo.

Os implantes hormonais indicados por Montgomery, por exemplo, são capazes até de aumentar a libido. “Colocados sob a pele, os microtubinhos liberam doses mínimas de hormônios no sangue. Algumas combinações não só aumentam o desejo sexual como também reduzem a celulite e definem a musculatura”, conta.

Medicamentos que agem no sistema nervoso central (SNC)
A hipófase, glândula localizada no cérebro e intimamente relacionada ao sistema nervoso central (SNC), é responsável por produzir hormônios importantíssimos para o funcionamento adequado do corpo inteiro. Montgomery explica que, por esse motivo, qualquer remédio que iniba o SNC (como antidepressivos e calmantes) pode provocar uma verdadeira bagunça nos níveis hormonais, tendo como uma das consequência a perda de libido.

De acordo com o psiquiatra Daniel Phillipi de Negreiros, quando os medicamentos para depressão interferem na libido, excitação ou orgasmo, alguns ajustes podem ser feitos. “Existe a possibilidade de passar para um remédio com menos efeitos colaterais ou usar um medicamento que atue como uma espécie de antídoto para bloquear o desconforto provocado pelo antidepressivo”, diz.

O especialista ressalta que as estratégias podem falhar e os problemas sexuais persistirem. Por isso, é necessário estimular a conversa entre a paciente e o parceiro, o que pode incluir até uma consulta de esclarecimento para ambos.

“Não podemos esquecer que a depressão ou os transtornos de ansiedade tendem a tirar o foco da sexualidade. A tensão e a falta de energia e motivação ocupam o universo psíquico, retirando o espaço do prazer em quase todas as esferas. Sendo assim, acho importante avaliar cada situação e tentar compreender a origem das dificuldades”, finaliza o psiquiatra.

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