Entrevistamos o expert em relacionamentos Ailton Amélio da Silva, que conta o que é importante para fazer uma relação dar certo

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Viver a dois não é nada fácil e, para desvendar essa complexa tarefa, o  mineiro Ailton Amélio da Silva , pesquisador acadêmico sobre o assunto, acaba de lançar o livro “Relacionamento Amoroso: Como Encontrar Sua Metade Ideal e Cuidar Dela” (Publifolha). Em dez capítulos, o autor procura mostrar os fatores que contribuem para o sucesso de um relacionamento e as condições psicológicas que levam ao fim de uma relação.

Ailton revela ainda como a conversa pode contribuir para se ter uma relação amorosa mais duradoura e proveitosa, e explica como ter uma vida afetiva saudável. Para nortear a internauta, o iG conversou com o psicólogo do amor.

Existe mesmo uma metade ideal? Ela é imutável?
Ailton Amélio da Silva - Puro mito. Quem lhe interessa aos 18 anos provavelmente não interessaria aos 30. Vamos evoluindo psicologicamente, mudando nossos interesses, estamos sempre em processo de mudança. Amamos e nos apaixonamos diversas vezes. A metade ideal está relacionada à mitologia grega e por isso há essa crença tão grande. Há diversos tipos e modos de amar, não existe amor ideal ou perfeito. Amor é coisa viva, como aquele ditado do monociclo: se você parar de andar, cai.

Que cuidado deve-se ter para não se enganar na hora de escolher o parceiro?
Ailton Amélio da Silva - É necessário haver similaridade entre os parceiros para se relacionar, mas quando em excesso pode virar amizade. Então, tome cuidado para não namorar seu amigo. Uma certa diferença é sempre bem-vinda, por exemplo: tem que admirar o outro porque aí significa que ele tem qualidades ou atributos que não tenho e por isso elas são admiráveis. Mas também não há possibilidade de se amar e de se relacionar com pessoas muito diferentes. É necessário ter o mesmo grau de escolaridade, mesmo estilo de vida, os planos em comum. Não dá pra uma pessoa gastadeira dividir a vida com uma super econômica. Ou uma pessoa super sociável e que goste de sair ficar com alguém caseiro...

Como as constantes transformações pessoais podem atrapalhar ou melhorar uma relação?
Ailton Amélio da Silva - Um relacionamento deve ser saudável e atraente para que seja transformador. Vamos mudando, evoluindo psicologicamente. É preciso cultivar o prazer em estar com o outro de diferentes formas e em diversos momentos. Ter sempre admiração pela pessoa, objetivos, planos e meios de vida em comum.

Ailton diz que é necessário haver similaridade entre os parceiros para se relacionar, mas quando em excesso pode virar amizade
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Ailton diz que é necessário haver similaridade entre os parceiros para se relacionar, mas quando em excesso pode virar amizade

Como manter a convivência sem cair no tédio?
Ailton Amélio da Silva - Tem que ter atração e desejo, mas isso é só o primeiro passo. O mais importante é não querer mudar o outro. É necessário convivência. E não existe amor ou namoro aos finais de semana ou só em situações agradáveis. É necessário convivência em situações diferentes, em diferentes meios. Você precisa conhecer a família dele, o meio onde há vivência, os hábitos, etc. Não dá para namorar de fim de semana e se encontrar só em situações agradáveis... É claro que ninguém se conhece 100% e nem vai conhecer, mas é necessário tentar saber o máximo possível sobre seu parceiro. Em testes feitos com casais que estão juntos, às vezes até há mais de 15 anos, é comprovado que eles se conhecem só 50%.

E o sexo, até que ponto é fundamental?
Ailton Amélio da Silva - O sexo é essencial e pressuposto para que uma relação se mantenha, mas geralmente é muito mal aproveitado. O ato sexual é uma expressão de liberdade, confiança e as pessoas não sabem como usá-lo. É preciso sempre variar, inovar, e aproveitar o que o sexo tem de melhor! Não é necessário fazer todas as posições do kama sutra, usar fantasias ou chamar outra pessoa para variar. O casal tem que se seduzir e se aproveitar.

Com modernidades como o swing, por exemplo, uma relação pode sobreviver?
Ailton Amélio da Silva - Quando a moldura afetiva vai bem, tudo é permitido. Só não pode haver inversão de valores e achar que para a relação melhorar é necessário que haja sexo com outras pessoas e de maneiras diferentes. Se o casal está bem, se respeita, conversa sobre tudo, tem confiança um no outro, é possível sim chamar outras pessoas para transar, ir a casas de swing... Mas isso é para poucos, a relação tem de estar muito bem clara. Não são todas as pessoas que aguentam essas atitudes, por ciúme e outras questões.

Como as solteiras podem encontrar um novo amor?
Ailton Amélio da Silva - Não há fórmula. É necessário conhecer muitas pessoas, sair, conviver com diferentes tipos de gente, ter coragem e não ser tão carente. Quem é carente acaba engolindo qualquer coisa para suprir a carência. Não ser tão ciumenta também, porque o ciúme não pode ser o principal, não pode mover a relação. Também é necessário se relacionar com pessoas com defeitos que não te afetem ou que não sejam muito irritantes para você. Lembre-se, você não vai mudar a pessoa!

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