O individualismo e velhos valores podem atrapalhar o casal na hora de administrar o dinheiro

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Problemas financeiros podem atrapalhar a relação e até influenciar a vida sexual do casal
O casamento traz muitas alegrias, mas também exige mudanças complexas em vários aspectos da vida. A administração do dinheiro parece ser um dos maiores desafios dos casais modernos, que ainda insistem em atitudes individualistas.

“O casal deve pensar como uma dupla. Tudo bem que tenham contas bancárias separadas, mas um deve poder contar com o outro. E quem ganha mais, naturalmente, deve contribuir mais, independente de ser o homem ou a mulher”, afirma a psicóloga Marina Vasconcelos, que trata o assunto destacado de antigos valores sociais e culturais.

“Isso é uma questão matemática e de maturidade do casal. Se o homem puder dar maior segurança financeira para que a mulher, por exemplo, possa se dedicar mais aos filhos, ótimo! Mas se a situação for inversa... qual o problema?”, questiona.

A necessidade de buscar o equilíbrio é vital, já que problemas financeiros podem até interferir na vida sexual dos parceiros, como alerta a psicóloga: “Pode afetar desde que um deles sinta-se inferior ao outro pela questão financeira. O casal precisa sentir-se parceiro, num mesmo nível, para que o relacionamento sexual também se dê de uma maneira gostosa”.

E para alcançar o mesmo nível, surge a quase obrigação de se fazer concessões, sem as quais o casamento pode desmoronar. “Alguém tem que ceder. Tem de se levar em conta o mais importante e saber quando adiar algo em prol do que o outro precisa. Afinal, a partir do momento que casamos passamos a pensar em ‘nós’, e não apenas no ‘eu’”, reforça Marina.

Comunicação é o caminho

Muitas dificuldades nos casamentos se originam na criação de cada um como indivíduo. “A sociedade moderna tende mais para a individualidade, e a tendência dos casais é cada qual cuidar das finanças do seu próprio jeito. Porém, com histórias e valores diferenciados em relação ao dinheiro, poderão haver discordâncias na relação. A comunicação franca do casal é o melhor caminho para compreender como cada um lida com dinheiro”, afirma a psicóloga Claudia Finamore.

Um assunto que interessa a ambos, certamente, é o cuidado com a casa. O consenso geral é de que é preciso contar com uma profissional para fazer a limpeza, cozinhar, enfim, cuidar da manutenção do lar. “Agora, se a falta de dinheiro não permitir esse cuidado, é importante conversarem muito bem sobre a divisão das tarefas para se evitar brigas desnecessárias”, diz Marina, sublinhando a necessidade de se evitar a disputa dos sexos.

Um oferecer ao outro ajuda, mesmo sem ser solicitado; dividir as tarefas da casa e responsabilidades com os filhos; sair para comerem fora ou prepararem jantares diferentes e românticos para fugir da rotina; darem-se flores sem ser uma data especial; serem companheiros e cúmplices verdadeiros nos bons e maus momentos financeiros. Estas e outras atitudes ajudam a manter um casamento saudável por muito mais tempo. “Uma gentileza não precisa custar algo em dinheiro. Muitas vezes, um sorriso oferecido numa situação e num modo específicos pode ser uma gentileza”, finaliza a Dra. Claudia. 

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