Duvidas como esta s?o mais comuns do que se pensa. Para sair deste dilema, voce pode tentar algumas atitudes para reacender o fogo

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"Perdi o tes?o pelo meu marido. E agora?"
“Estamos juntos há quase 12 anos e não tenho mais tesão pelo meu marido. Um dia, ele chegou todo cheio de amor para dar. O clima começou a esquentar e já nas preliminares senti que não era aquilo que eu estava querendo. Achei que fosse cansaço, pois minha filha era recém-nascida. O tempo passou e as coisas não mudaram”, conta Amanda*.

Dramas como o desta mãe de duas crianças é mais comum do que se pensa. “Os parceiros se apaixonam e, no começo, o sexo é muito diferente, pois ambos estão se conhecendo. O sexo se alimenta sempre da novidade, do inesperado. Quando a relação existe há tempos, o tesão precisa ser nutrido”, comenta o psicólogo Paulo Tessarioli, especialista em sexualidade.

Afeto e autoconhecimento
Ninguém duvida que o afeto é o grande alimento do tesão. Com ele, estabelecemos uma relação de intimidade com o outro e esta situação, mesmo que o prazer esteja em baixa, auxilia os parceiros a se posicionarem de maneira franca e aberta, proporcionando saídas para reativar o desejo.

“Afazeres do dia-a-dia, filhos, trabalho começam a interferir nas relações e é comum a sexualidade ficar fora dela. Isso tanto para homem quanto mulheres. A rotina é um horror para acabar com a relação”, acrescenta a psicoterapeuta Maura de Albanesi.

A perda de prazer pode estar ainda relacionada aos hormônios, menopausa ou mesmo a uma gravidez. “Apesar de não ser uma doença, a queda da libido pode promover mudanças no humor, que deixam a pessoa com menos desejo por não conseguir lidar com isso”, explica a psicóloga Sandra Vasques, coordenadora do Instituto Kaplan.

Perda de emprego, morte de um ente querido, traição, brigas mal resolvidas, não se sentir bem consigo mesma ou a vida perder a graça são alguns dos motivos que também levam à perda de apetite sexual. Portanto, é bom parar um minuto e verificar se seu “esfriamento” tem origem em alguma destas fontes, ou se está mesmo ligada diretamente ao seu marido.

Vale a pena continuar?
Essa é a pergunta a se fazer em momentos como este. Amanda sempre sentiu prazer com seu marido. “Transamos até um dia antes do meu primeiro filho nascer e era prazeroso. Depois, não conseguimos nem esperar o tempo da dieta. Só que na segunda gravidez foi diferente e nos meses finais não fazíamos mais sexo.”

Em seu relato, Amanda conta que passou a se sentir feia e deprimida. “Um relacionamento não é constituído apenas de sexo. Há outros aspectos na vida de um casal que contam. Se a mulher se sente apoiada e estimulada pelo marido, em uma relação de respeito, amizade e parceria, com pequenos conflitos, então o problema está localizado na área sexual. Neste caso vale a pena tentar, fazer uma reflexão de como começou a falta de tesão, se houve situação mal resolvida e que deixou mágoas que possam afastar os parceiros”, diz Sandra Vasques.

Somente quem está dentro do relacionamento saberá se vale a pena continuar investindo ou não. “Se existe admiração, sentimento de orgulho e amor. Agora, se o outro se tornou um ser desprezível, é melhor pular fora”, acrescenta Maura de Albanesi.

Vale ressaltar que ninguém está pronto para se relacionar com ninguém. “Os relacionamentos são construídos a partir do investimento de ambos. Pense no seguinte: 50% é a sua cota de participação nesta empreitada. Os outros 50% tem que vir do outro lado”, completa Paulo Tessarioli. Agora, desrespeito e agressividade são indícios de que o casal não se tolera mais.

Um pouco de pimenta
Algumas atitudes podem ajudar a reverter a situação. “Para sentir prazer é preciso procurar seduzir um ao outro, com criatividade, romantismo e erotismo”, diz Sandra Vasques. Além disso, cuidar do corpo, ter saúde e estar bem apresentável ajudam a recuperar a autoestima e o prazer durante o sexo. “Saia da rotina, procure fazer coisas diferentes. Marque encontros, crie um clima de romantismo. Vale tudo, até mesmo roupinhas, fantasias e jogos”, brinca Maura de Albanesi.

Já Paulo Tessarioli recomenda o diálogo sempre. “Comunicação franca e direta é o que dita a qualidade de uma relação a dois. Pense em procurar seu marido e conversar sobre isso. Quem sabe ele também esteja enfrentando o mesmo problema? Os homens não são máquinas de sexo como muitos pensam. Ambos podem sofrer com isto”.


*O nome foi trocado a pedido da entrevistada

Consultoria
Sandra Vasques, psicóloga e coordenadora do Instituto Kaplan - sandra@kaplan.org.br
Maura de Albanesi, psicoterapeuta – www.mauradealbanesi.com.br
Paulo Tessarioli, psicólog especialista em sexualidade – www.vivendomelhor.com.br

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