Adotar atitudes para estabelecer ' a relação perfeita' pode ser um erro que detona a sua vida amorosa. Tome cuidado!

O casal perfeito não existe: discussões são
saudáveis
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O casal perfeito não existe: discussões são saudáveis
Quem nunca caiu na tentação de ser perfeito? Ou de ter um casamento dentro dos padrões estabelecidos sabe-se lá por quem? Tomar atitudes para agradar a sociedade, aos pais e aos sogros pode ser uma verdadeira cilada para qualquer relação amorosa.

Livrar-se dessa síndrome de casal perfeito não é uma tarefa fácil. “Ainda vivemos numa cultura na qual se valoriza o ‘casaram-se e viveram felizes para sempre’. Nesta filosofia, os conflitos são vistos como ameaçadores à relação; há medo de separação”, comenta a psicóloga Maria Cristina Capobianco.

Discussões e divergências de opiniões não são bem-vindas neste molde e as experiências de vida parecem não contribuir para renovar a vida do casal. “As diferenças entre marido e mulher existem e são importantes de serem reconhecidas e respeitadas. Ter pontos de vista diferentes sobre um mesmo assunto não significa a impossibilidade de convívio. Pelo contrário, podemos escutar o outro, compreender o que ele sente e não desqualificá-lo, mas incluí-lo sem exigências”, orienta ela.

Felizes para sempre
As histórias de conto de fadas só existem mesmo lá no papel – mas continuam no imaginário de muitas pessoas. Na vida real, temos momentos alegres e outros tristes, e a necessidade de ser perfeito tem um cunho doentio. “Viver um relacionamento requer que as pessoas possam estabelecer uma base de confiança, que permita o aparecimento de aspectos da personalidade de cada um”, argumenta a psicanalista Dorli Kamkhagi.

Transformações na vida e dificuldades sempre surgem no caminho do casal e para superá-las é preciso aceitar, discutir e trabalhar esse impasse. “Temos que aceitar que somos humanos e temos limites, assim como possibilidades de mudanças e novas situações parecem um caminho saudável de crescimento sem alguém ter que representar o herói. O casal se torna um casal se houver uma base de confiabilidade”, complementa a psicanalista.

Início do fim
Querer ser perfeito e ter o par ideal pode ser considerado o começo do final da relação conjugal, fadada ao insucesso. “Esta conotação tem muito a ver com nossa contemporaneidade social, que só quer modelos de perfeição, seja na beleza, na saúde ou no envelhecer”, critica Dorli Kamkhagi.

Exigir momentos maravilhosos e parceiro notável, quase um deus, acaba sendo motivo de dores e frustrações. O amor aceita a não perfeição, as dificuldades, a verdadeira essência humana que é repleta de tropeços e desencontros. “Fazer de conta que tudo está bem é uma atitude de avestruz. As angústias crescem e, para manter a relação ‘perfeita’, cada parceiro escolhe uma válvula de escape. É comum consumir excessivamente roupas, álcool ou drogas, ter um filho atrás do outro ou ter amantes”, acrescenta a psicóloga Maria Cristina Capobianco.

Adotar modelos superficiais não ajuda no crescimento e na aceitação das dificuldades do dia-a-dia. “Não existe esta perfeição, o outro não pode ser depositário de todas as minhas expectativas e frustrações. Todos temos limites, somos seres falíveis, mas lutamos por uma melhor relação. O relacionamento vai se construir ou não se o preço que estivermos dispostos a pagar for o da verdade”, explica Dorli Kamkhagi.

Segredo do sucesso
A gente bem que tentou, mas é impossível fazer uma lista de atitudes que são erradas para os casais. Algumas dicas seriam aceitar as dificuldades da vida, não esperar que o outro preencha o seu vazio interno e não ser eternamente dependente do parceiro. “Não existe uma receita. Com minha experiência percebo o quanto é importante cada um ter o seu espaço emocional, aprender a respeitar o lugar de casal e mais que tudo saber que a união exige respeito, amor, aceitação e, sobretudo, deixar os modelos de casais ideais para viver o real, o imperfeito, o humano”, conclui a psicanalista.

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