No filme “De Pernas pro Ar”, a atriz vive uma mulher que descobre o orgasmo após anos de casamento

null Para viver Alice, protagonista do filme “De Pernas pro Ar”, que estreia em 1º de janeiro nos cinemas brasileiros, Ingrid Guimarães, 38 anos, não precisou elaborar muito a personagem. O momento das duas é parecido: a mulher apaixonada pela carreira, que tenta dar conta de mil coisas ao mesmo tempo e se atrapalha com as cobranças da família.

O longa-metragem aborda ainda a vida sexual de Alice, que tem seu primeiro orgasmo após anos de casamento. Ao perder o emprego na área de marketing em uma fábrica de brinquedos, ela decide usar a experiência adquirida para ajudar a vizinha a recuperar seu sex shop decadente. A partir disso, conhece um novo mundo, cheio de possibilidades interessantes.

Para viver o papel, a atriz investiu na pesquisa de brinquedos eróticos e acessórios sexuais, que foram incorporados até na sua vida real. Ao Delas, Ingrid fala com exclusividade sobre sexo e afirma: “As mulheres não conhecem o próprio corpo”.

iG: Como foi a pesquisa e como você construiu essa mulher que não tem orgasmos?
Ingrid Guimarães: Conversei principalmente com a Tatiana Presser, psicóloga e educadora sexual. As mulheres não conhecem o próprio corpo, e o legal dos brinquedos sexuais é que eles ajudam nisso. A Alice só goza com o marido depois de gozar com o vibrador. Acho que levar os brinquedos sexuais para o casamento também é legal para quebrar o tédio.

iG: O que os sex shops trouxeram de novidade para você?
Ingrid Guimarães: Vibrador eu já conhecia. Aliás, o rabbit todo mundo já conhece, ele foi consagrado na série “Sex and The City”. Mas existe um mundo além do vibrador, como os géis – anestésicos e estimuladores, que esquentam, gelam ou incham –, canetas que você usa no corpo e lambe depois, velas aromáticas que viram creme, as bolinhas tailandesas para fazer ginástica com os músculos da vagina.

iG: Algum desses produtos entrou para o seu cardápio sexual?
Ingrid Guimarães: Entrou! Estou com tantas coisas que, num amigo oculto, montei um kit para uma amiga que enlouqueceu! Essa disse: “Não sabia que isso existia...”

Cena de
Mauro Kury
Cena de "De Pernas pro Ar", estrelado por Ingrid Guimarães

iG: O filme foi rodado como “SexDelícia”, mas depois de pesquisas com o público acabou mudando de nome e passou a se chamar “De Pernas para o Ar”. Qual sua opinião isso?
Ingrid Guimarães:
Eu gostava muito de “Sexdelícia”. Eu vivi o filme com esse título na cabeça e tenho até dificuldade em falar “De Pernas pro Ar”. O Brasil está cada vez mais careta, a sociedade está ficando muito careta. Você vê pelas novelas, as pessoas estão mais conservadoras. Talvez pelo momento de violência, porque é uma forma de proteção. Pode ser que o nome “Sexdelícia” limite um pouco o alcance do filme, que é para a família, não é pesado. Entendo que a mudança de título ajuda a passar essa ideia.

iG: O elenco teve que lidar com algum outro tipo de restrição?
Ingrid Guimarães: Só de alguns dos objetos eróticos, que são esdrúxulos. Tem cada coisa...

iG: Mas o filme mostra bastante coisa no interior do sex shop: vibradores, dildos e strap-ons
Ingrid Guimarães:
Mas mostra só uma vez. O vibrador não dá para não mostrar. Tinha um monte de coisas que eram feias, e então não mostramos.

iG: Você disse que o Brasil ainda é muito careta, mas falamos muito de sexo. Do ponto de vista feminino, qual é a sua visão sobre isso?
Ingrid Guimarães:
Tenho amigas que vivem na Europa e contam que o sexo é importante, mas não é tudo na relação. O homem brasileiro é muito sexual. Nós mulheres também somos, mas a mulher fica sobrecarregada e essa cobrança pesa. O assunto vende, mas às vezes se fala mais do que se faz.

iG: É difícil ser mulher e comediante no Brasil? Você sente uma cobrança por um corpo bonito?
Ingrid Guimarães: Eu acho comédia libertadora. Quem consegue envelhecer fazendo comédia se deu bem – seu cartão de visita não é a beleza. Eu procuro estar sempre bem porque odeio o estereótipo da comediante feia, ou a mulher de biquíni, a Monique Evans de sutiã e calcinha. A Zezé Macedo, por exemplo, que fazia a personagem da feia. Sempre lutei contra esse estereótipo, porque a mulher comediante hoje faz seu trabalho em cima do dia a dia. É uma mulher possível. Eu acho libertador fazer comédia e poder envelhecer assim.

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