Estrela se afasta do golfe após confessar diversos casos extraconjugais. Sexo compulsivo? Entrevistamos especialistas no assunto

Tiger Woods anuncia
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Tiger Woods anuncia "pausa indefinida" no golfe para cuidar da vida pessoal
Em poucos dias, Tiger Woods, número um do ranking mundial de golfe, deixou de estampar as páginas do caderno de esportes para figurar em manchetes sobre infidelidade e prostituição.

O atleta americano de 34 anos, casado e pai de dois filhos, viu sua imagem pública ser abalada desde 25 de novembro, quando o tablóide The National Enquirer indicou que ele teria um caso fora do casamento com a promoter Rachel Uchitel. Desde então, várias mulheres foram apontadas como suas amantes - o que levou Woods a assumir as traições e, posteriormente, deixar o golfe para se dedicar à família. 

Repercussão mundial

Tiger Woods chamou ainda mais a atenção da mídia internacional no dia 27 de novembro, quando se envolveu em um acidente de carro na porta de sua casa. A mulher do jogador, a modelo sueca Elin Nordegren, foi apontada por sites de fofocas como responsável pela batida em função de uma briga causada por ciúmes.

Não demorou para o garoto propaganda de grandes marcas ter sua intimidade escancarada. Mais oito mulheres se declararam amantes do esportista, entre as quais estão modelos, apresentadoras e atrizes pornô. No último domingo (13), uma cafetina revelou para a Fox News ter apresentado dúzias de prostitutas ao golfista, que teria desembolsado até US$ 60 mil com mulheres em um final de semana.

A promoter Rachel Uchitel e as desinibidas Holly Sampson e Joslyn James, que estrelam filmes adultos
Reprodução
A promoter Rachel Uchitel e as desinibidas Holly Sampson e Joslyn James, que estrelam filmes adultos
Com a situação fora do controle, Tiger Woods confessou publicamente os casos de infidelidade, pediu desculpas à família e aos seus fãs. Mais que isso: o atleta se retirou do esporte por tempo indeterminado e companhias como AT&T e Gillette estão reavaliando os contratos de patrocínio. Tiger também foi vetado na televisão americana: anúncios no horário nobre com o golfista não foram exibidos, segundo a Nielsen.

E as perdas financeiras podem ser ainda maiores caso a esposa de Woods peça o divórcio. De acordo com a imprensa americana, Elin receberia valor próximo a 200 milhões de euros, além da casa, iate e pensão com valor definido em tribunal.

Alegando doença ou erro de conduta, outras celebridades já se envolveram em notícias sobre traição e sexo compulsivo. Há pouco mais de um ano, o galã de Hollywood David Duchovny foi internado em uma clínica de reabilitação para viciados em sexo. Aos 49 anos e casado com a atriz Tea Leoni, ele interpreta um personagem viciado em sexo na série de TV "Californication". No início da década de 90, o ator Michael Douglas, astro do filme “Atração Fatal” também foi internado para se tratar de distúrbios sexuais.

Tiger com a esposa e a filha
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Tiger com a esposa e a filha

Quando o sexo vira dependência

Assim como jogo e drogas, o sexo pode se tornar um vício com consequências sérias e necessidade de tratamento. Para os dependentes em sexo, a transa ultrapassa o limite saudável e produtivo, deixa de ser uma escolha e se torna uma necessidade. Nesses casos, a pessoa faz sexo porque não consegue ficar sem e não pela vontade em si.

Transar muito não é motivo de alerta, de acordo com o psiquiatra Aderbal Vieira Júnior, responsável pelo Ambulatório de Tratamento de Dependências não Químicas do Proad (Programa de Orientação e Atendimento a Dependentes), da Unifesp. O problema está na sensação de perda de liberdade, controle e escolha: “A dependência não é quantitativa, não tem relação com a frequência, é qualitativa”, explica o médico. “Quando não se escolhe o parceiro, o horário, o local”, completa. Esse comportamento pode prejudicar as relações e a profissão do paciente.

Não existem atitudes isoladas que indiquem um quadro de dependência. “Pode ser alguém que se masturba muito, que pratica sexo promíscuo ou mesmo que procura o parceiro fixo excessivamente”, contextualiza Vieira. A gravidade do quadro está relacionada à inexistência de controle. Segundo o médico, um estudo feito nos Estados Unidos apontou que essa patologia atinge de 3% a 6% da população, entre os quais homens são a maioria.

Na avaliação do Dr. Aderbal Vieira, a noção que os pacientes têm das consequências do seu comportamento causa sofrimento e angústia. “Muitos procuram tratamento para dar conta das más consequências e não do comportamento em si”, conta. Terapia e eventual medicação fazem parte do processo de reabilitação.

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