Ele emocional, ela racional

Casal desconstrói a ideia de que mulheres são extremamente sentimentais e os homens todos iguais

Ricardo Donisete, especial para o iG São Paulo |

Arquivo pessoal
O casal Giovana Batistella e Robson Raineri
Depois de dez anos de namoro, Giovana Batistella, 30 anos, e Robson Raineri, 40, resolveram se casar. Para ela, uma ida rápida ao cartório oficializaria a união de forma prática. Mas ele, romântico confesso, queria uma cerimônia de troca de alianças grandiosa, com a noiva chegando de helicóptero no local do casamento, um sítio. Depois de muita conversa, ela convenceu o namorado a deixar de lado a ideia da aeronave, optando ambos por uma subida ao altar mais convencional. Assim, o casamento foi marcado para o final de 2012.

O casal evidencia transformações sociais das últimas décadas, que amplia as possibilidades comportamentais para homens e mulheres – e sem dedos apontados. “Estamos caminhando para uma sociedade mais igualitária na expressão e na busca do equilíbrio entre os gêneros”, analisa a psicóloga e terapeuta de casais Margarete A. Volpi, explicando que a maneira de uma pessoa se comportar não está necessariamente ligada ao sexo dela.

De alguma forma, os casais que invertem os papéis tradicionais colocam em xeque a teoria propagandeada pelo best-seller de autoajuda “Homens são de Marte, Mulheres são de Vênus” (Editora Rocco). Com mais de 40 milhões de exemplares vendidos no mundo todo, o livro escrito pelo terapeuta John Gray generaliza ao dizer que eles e elas são diferentes em tudo, inclusive no jeito de amar. Na obra, homens são descritos como objetivos e menos afeitos a demonstrar seus sentimentos. Já as mulheres se comportam de forma oposta, sendo mais emocionais e afetivas. Talvez as características essencialmente femininas e masculinas sejam mesmo essas, mas na vida real os personagens não são tão óbvios assim.

Getty Images
Cérebro pode ter sexo diferente do corporal
Robson, por exemplo, faz questão de demostrar seu afeto, inclusive com gestos grandiosos, como levar a namorada para Nova York só para surpreendê-la com um pedido de casamento em plena Estátua da Liberdade. “Eu não tenho vergonha de demonstrar meus sentimentos. Não me importo com o que os outros vão achar”, diz o empresário. Giovana também contraria a tese de Gray. “Eu não consigo ser muito pegajosa, eu não sou muito romântica, de ficar de grude toda hora. Eu não consigo ser assim, eu sou mais realista”, conta.

A psicóloga e hipnoterapeuta Viviane Scarpelo acredita que a independência feminina e a diminuição dos preconceitos estimularam formas mais autênticas de agir. “Num aspecto geral, homens e mulheres sentem-se livres atualmente para viverem da maneira que consideram mais confortável e até mesmo mais saudável. Não existe uma receita de casal e família perfeitos”, avalia.
Cérebros trocados
Não é de hoje que a neuropsicologista inglesa Anne Moir defende que o sexo cerebral pode não ser igual ao do corpo. De acordo com sua hipótese científica, homens mais emocionais poderiam ter o cérebro feminino, e mulheres mais racionais, o cérebro masculino. Essa diferenciação neurológica supostamente ocorreria antes de virmos ao mundo, durante a gestação, devido ao nível de exposição dos bebês ao hormônio testosterona.

“Na gravidez, quanto mais o feto é exposto à testosterona, mais o cérebro dele se organizará como masculino, quanto menos ele é exposto ao hormônio, mais feminino será o cérebro”, esclarece Anne sobre a ação da substância hormonal produzida pelo homem, mas também presente no corpo da mulher. A neuropsicologista criou até um teste para que qualquer um possa ter pistas sobre a tendência de seu sexo cerebral. [ clique para fazer a avaliação e descubra ]

Diferenças que se completam
As diferenças geralmente são benéficas para uma relação, desenvolvendo um bom equilíbrio. “Os casais se formam exatamente porque um vê o outro como um espelho, no qual enxerga características similares. Mas há também a necessidade de encontrar no companheiro elementos que faltam na gente, que nos completam”, aponta Viviane. A especialista ressalta ainda que as necessidades do dia a dia é que vão determinando o comportamento dos parceiros e a dinâmica do relacionamento. “Cada casal constrói o seu próprio DNA, que determina e se ajusta de acordo com as transformações naturais da vida em comum”, complementa Margarete.


CURTA A PÁGINA DO DELAS NO FACEBOOK E SIGA O @DELAS NO TWITTER

Leia tudo sobre: casalrelacionamentos

Notícias Relacionadas


    Mais destaques

    Destaques da home iG