A troca de casais é uma prática bem mais antiga do que as moderninhas casas de swing

A prática do swing é baseada na total confiança
e sintonia entre os parceiros
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A prática do swing é baseada na total confiança e sintonia entre os parceiros
Desde que começou a namorar o atual marido, Andréa*, de 36 anos, começou a praticar swing – ou troca de casais. Hoje, continuam a dividir a cama com outros parceiros e ela garante que dá certo. “Fico excitada ao ver meu marido transando com outras mulheres”, diz. E o inverso também vale. “Eu, além de outros homens, transo com mulheres também.”

Antes que alguém pense que a iniciativa foi dele, Adriana conta que não. A sugestão foi dela e o então namorado topou. “Para praticar algo deste gênero tem que ter muita confiança entre os parceiros, senão dá briga. Mas não rola ciúme, não. A única regra é que seja prazeroso para os dois”.

André*, de 35 anos, diz que o swing é um dos grandes motivos para seu casamento dar certo. “Eu já tive uma namorada, de quem gostei muito, com quem não rolava esse tipo de fantasia. Eu sentia falta e muitas vezes fiz escondido, mas não é a mesma coisa... Agora, me sinto completo, e tenho certeza que dividimos o mesmo sentimento”.

Ele diz que o fato de gostar de ver a mulher transar com outros homens e da esposa também se excitar ao vê-lo com outras não os diferencia de outros casais. Ele desmistifica a imagem que a maioria das pessoas faz dos praticantes de swing: “Não somos pessoas promíscuas, nem que andam bêbadas e drogadas pela noite. Somos um casal como outro qualquer: que se ama, trabalha, estuda, quer ter filhos, almoça cada domingo com uma sogra”.

A mulher de André, 33 anos, concorda com ele, mas confessa que teve receio de começar a prática – apesar de admitir que essa fantasia já havia passado por sua cabeça. “Não fiquei chocada quando ele propôs, pois a ideia me agradava. Tive medo de que isso causasse o fim do nosso relacionamento”. Para dar certo, ela conta que houve um acordo. “Conversamos muito sobre as consequências e estabelecemos que não teríamos contato com outras pessoas sem o outro saber. Arriscamos e está sendo bom para ambos”.

Prática antiga
De acordo com Oswaldo Rodrigues, psicoterapeuta sexual e diretor do Instituto Paulista de Sexualidade, existem diferentes tipos de casais. E não é de hoje que isso é assim: “A troca de casais não é uma novidade na história do ser humano. A prática do sexo na presença de outras pessoas deve existir desde que os primeiros grupamentos humanos surgiram, e antes do humano, os hominídeos deviam vivenciar algo semelhante”.

E o especialista acredita que pode dar certo: “Se cada um dos dois envolvidos administra os sentimentos e emoções, ambos podem participar desta situação de sexo com outras pessoas”. Esse tipo de transa é uma possibilidade da espécie humana, e que ocorre em outras espécies animais, o que demonstra ser uma possibilidade animal, inclusive que facilitaria a diversidade genética na procriação, de acordo com Oswaldo.

Por mais que pareça contraditório para quem não pratica, gostar de ver quem se ama transando com outra pessoa é muito excitante para os swingers. “Assistir a uma atividade sexual, mesmo de outros animais, é relevante para a excitação sexual. Desde as décadas de 1930 e 1940 pesquisas mostram isso”, diz Oswaldo. Isso porque o desejo é estimulado com a visão, sons e cheiros das atividades sexuais.

Vida a dois
Uma dúvida muito comum para os adeptos é se será possível algum dia se relacionar com alguém que não aprecie o swing. “Há homens que se casam com mulheres que não apreciam esta condição – mais por valores morais do que por não se excitarem com o mecanismo”, explica o psicoterapeuta. “Estes homens desviam seus desejos para outras atividades ou mantém uma vida paralela para expressar os desejos sexuais”.

Há, também, quem tope apenas para agradar o parceiro. “Muitas mulheres seguem este rumo, ao menos por algum tempo ou tentando algumas vezes. Interrompem as atividades quando o valor moral torna-se mais forte e aumenta a contradição. Nestas ocasiões é comum ouvir os homens dizerem: ‘mas ela gostava! O que fazer para ela voltar a gostar?’. É difícil para eles imaginar que a mulher fazia apenas para satisfazê-lo.”

Carolina*, de 30 anos, diz que sequer tentaria. “Quem ama não divide”, defende. “Só de pensar em ver meu namorado com outra me dá arrepios”. A moça garante que também não consegue imaginar-se na cama com outro homem diante do namorado. “Nem dele, nem de ninguém... Não somos irracionais. O sexo para o homem e para a mulher não é apenas procriação ou instinto, na minha opinião. Acho banal demais ter esse tipo de intimidade com desconhecidos, na frente de desconhecidos e ceder quem se ama a outro”, conclui.

* Os nomes foram alterados a pedido dos entrevistados

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