Psicanalista explica que só amor não é suficiente e as conversas ajudam a manter o casamento ou namoro

O começo de um relacionamento é cheio de paixão e descobertas. Por isso mesmo a convivência costuma ser mais fácil e as brigas menos constantes. Mas com o tempo e a intimidade, é normal que os problemas apareçam – e os casais precisam estar preparados para lidar com a situação e voltar para o clima de tranqüilidade.

Se problemas são inevitáveis, a palavra é tão forte quanto o amor para superar a situação
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Se problemas são inevitáveis, a palavra é tão forte quanto o amor para superar a situação
Discussões são esperadas em uma relação, segundo o psiquiatra e psicanalista Alfredo Simonetti. “Sempre chega uma hora que aparecem os desencontros, tédio, ciúme, medos, questões financeiras ou sexuais”, diz. “Isso é conseqüência natural da vida a dois e acontece não porque o amor acabou, mas porque somos humanos”, avalia ele, que é autor do livro “O nó e o laço – Desafios de um relacionamento amoroso”.

Um casamento feliz não é aquele sem brigas, mas o que as pessoas aprenderam a transformar o conflito, ou nó, em laços amorosos. Para isso, as palavras no tom certo são fundamentais. De acordo com Simonetti, não é o amor que salva as relações, mas a conversa. “O amor não é suficiente. Ele bota o time em campo, mas o resultado depende de outras coisas”, diz.



A palavra como aliada

Um dos primeiros desafios da conversa de casal é conciliar o gosto pela palavra. De maneira geral, o homem precisa aprender a falar mais e a mulher perceber que nem tudo é para ser dito.
Apontar o dedo para o outro e responsabilizar o parceiro é uma das atitudes mais comuns nas discussões. Isso deixa a outra pessoa em posição de defesa e torna o debate improdutivo. A sugestão do psicanalista é que o discurso seja sempre individual, falando de si. “Eu me sinto infeliz quando você grita”, exemplifica Simonetti.

Outro comportamento que o médico critica são as discussões em público de assuntos íntimos. Debates envolvendo terceiros expõem o outro e tornam o clima em tribunal.

Algumas mudanças na rotina também apresentam resultados, alterando o foco de um conflito constante. Como exemplo, Simonetti cita um casal que decidiu manter banheiros separados na casa, e outro que criou um dia específico no mês para os dois fazerem reclamações.

O psicanalista ressalta que cada casal tem que encontrar sua própria fórmula de conversa. Como não há modelo, cabe a cada casal afrouxar os nós na relação de acordo com seu jeito.

Se problemas são inevitáveis, a palavra é tão forte quanto o amor para superá-los.

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