Empresária e consultora contam sobre sua especialização no segmento e avaliam o perfil da consumidora brasileira

Eliana Bertipaglia é sócia da Hot Flowers e junto com o marido fabrica mais de 800 tipos de produtos eróticos
Guilherme Lara Campos / Fotoarena
Eliana Bertipaglia é sócia da Hot Flowers e junto com o marido fabrica mais de 800 tipos de produtos eróticos
Eliana Bertipaglia fez faculdade de direito e queria ser delegada. Mas sua vida profissional tomou outro rumo e hoje, aos 43 anos, ela é sócia da Hot Flowers, fabricante brasileira de produtos eróticos. Eliana toca a empresa junto com o marido Edvaldo, que foi quem teve a ideia de entrar nesse segmento. O casal já trabalhava fornecendo cosméticos e itens de higiene para hotéis e motéis. Ao conhecer melhor os estabelecimentos, Edvaldo notou que os produtos eróticos que eram oferecidos aos clientes não tinham qualidade ou variedade. Chegou em casa então com uma nova ideia de negócio: “Começamos a pensar ali na cozinha de casa”, conta Eliana. “Ele queria aprimorar e lançar coisas novas. Dissemos rindo que teríamos que fabricar pênis porque aqui no Brasil ninguém fazia”.


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Em 2006 o casal começou a comercializar seu catálogo de nove produtos, entre lubrificantes e próteses penianas - feitas em PVC sob encomenda em uma fábrica de bonecas. De seis funcionários hoje saltaram para uma equipe de 150 e trabalham com mais de 800 produtos de fabricação própria. “Ele adora inventar produtos, pensa em coisas engraçadas, dá nomes”, diz Eliana sobre o marido. A empresa da família cresceu e hoje até o filho de 19 anos trabalha na administração dos negócios.

Paula Aguiar, presidente da Associação Brasileira das Empresas do Mercado Erótico (Abeme)
Guilherme Lara Campos / Fotoarena
Paula Aguiar, presidente da Associação Brasileira das Empresas do Mercado Erótico (Abeme)
Há dez ano a publicitária Paula Aguiar, 43, dava aulas de informática e trabalhava com servidores de internet. Nessa época foi procurada por um casal que queria consultoria para abrir uma loja virtual de produtos eróticos – o que ela negou imediatamente. “Ele chegou na reunião com uma sacola cheia de pênis. Eu disse que aquele era um lugar de família, pedi pra ele guardar. Tive aquele preconceito imediato”, conta.

Uma década depois ela acaba de assumir a presidência da Associação Brasileira das Empresas do Mercado Erótico (ABEME). Depois de acabar aceitando a proposta de trabalho com a loja virtual, chegou a desenvolver uma linha própria de produtos para venda por catálogo e hoje é consultora do mercado erótico. “As pessoas acham um barato. Querem saber sobre os produtos, se funcionam”, diz ela sobre a reação das pessoas quanto a sua escolha profissional.

Mulheres no comércio
“Acho primordial que a vendedora de produto erótico seja mulher. Tem mais sensibilidade, respeito”, avalia Paula. Eliana também acredita que o bom atendimento ajuda as clientes a conhecer melhor a oferta de produtos e saber como usá-los. “Já tinha ido a sex shop antes. Chegamos lá e os vendedores tinham vergonha, não sabiam explicar como usar as coisas. Com nossa loja resolvemos fazer diferente”, explica ela.

A estratégia da venda por catálogo porta a porta, mais popular no segmento de cosméticos e maquiagem, foi uma das formas pelas quais o produto erótico chegou aos lares das mulheres brasileiras que não se aventuravam nos sex shops. Essa comercialização direta cresceu e se profissionalizou, segundo a presidente da Abeme. Representante de marcas como Avon e Natura, Kelly Correa foi incentivada por Paula a incluir em suas vendas alguns itens eróticos mais discretos, como espuma de banho e gel. “Na cabeça das mulheres brasileiras, uma calcinha fio dental já é erótico”, diz a consultora de mercado. Atualmente Kelly conta com um grupo de revendedoras treinadas e seu próprio catálogo de produtos.

Mulheres se destacam no consumo
Além de estarem nos bastidores das empresas do mercado erótico, as mulheres já são uma parcela importante entre consumidores desses produtos. Segundo levantamento da Abeme, em 2004 elas representavam 31% dos clientes de lojas eróticas virtuais. Em 2009 esse numero subiu para 42%. A preferência na compra são cosméticos íntimos, lingeries e vibradores. “Agora existem mais produtos voltados pra eles também”, diz Paula, que aponta também uma melhora nas embalagens, que são mais atrativas. “O comportamento de compra do homem é muito diferente quando ele está com a mulher. Se entra um casal na loja ela escolhe e ele fica na retaguarda”, diz Eliana.

Paula Aguiar diz que metade das clientes de lojas eróticas possuem vibradores, mas reclama da imagem associada a consumidora. “Abomino quando dizem que quem tem vibrador não precisa de homem. Não é consolo, não tá consolando ninguém”, defende. “Isso tira a mulher brasileira do mercado, porque muitas compram acessórios para o casal. A brasileira não tem orgasmo tão egoísta como a americana”, avalia.

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