As mudanças no casamento com a chegada dos filhos

Para lidar com os impactos da maternidade é preciso parceria e diálogo

Cáren Nakashima e Livia Valim, especial para o iG São Paulo

Alexandre Carvalho / Fotoarena
“A chegada do nosso filho mudou a rotina, o relacionamento, as prioridades e, principalmente, nossos valores”, diz o engenheiro Carlos Eduardo Yuji Abe
Ter um bebê muda o relacionamento de um casal. Por mais que os filhos sejam bem planejados, a rotina fica diferente, exige mais responsabilidade e tanto o homem como a mulher ganham novas funções - que incluem fraldas, banhos e amamentação.

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Nesse momento, a vida conjugal precisa de atenção e diálogo para evitar desgastes e aproveitar as descobertas da nova fase. “A vida do casal após o bebê é uma incógnita e um acontecimento poderoso. Não dá para prevenir os impactos negativos”, aponta Ailton Amélio, psicólogo autor do livro “Relacionamento Amoroso” (Publifolha).

Um dos maiores baques da maternidade no casamento é a forma como o pai lida com as novas tarefas, uma vez que a mãe assume um papel natural de cuidadora. Foi isso que desestabilizou o dia a dia dos publicitários Marina e Ronaldo, de São Paulo. Depois de três anos de namoro e dois de casamento, a relação não aguentou as mudanças pós-gravidez e a separação aconteceu antes do filho fazer um ano. “Apesar de considerarmos nosso relacionamento tranquilo e ideal, e acharmos que éramos feitos um para o outro, a chegada do João bagunçou a nossa rotina e percebi um lado do Ronaldo que nunca havia conhecido: ele simplesmente não colaborava”, conta ela.

Até os casamentos que contam com uma parceria afinada estão sujeitos a dificuldades e precisam de uma reformulação. “No primeiro ano da Isabela, que hoje está com três, faltava tempo para nós dois e a bebê não dormia bem. Quase entramos em crise”, fala Rogério Artoni, empresário, casado há sete anos com Angela Fileno, professora universitária. Segundo Dorli Kamkhagi, psicanalista, a fase de adaptação é normal. “As pessoas nunca estão prontas. Precisamos aprender a viver aquela situação e tudo o que ela implica”, diz.

Para contornar o impacto da maternidade, Rogério e Angela procuraram soluções para a falta de sono da filha e acionaram uma rede de apoio – os avôs, no caso – para garantir pelo menos uma noite por mês só para os dois. “Apesar da dificuldade no começo, a Isabela foi muito esperada e ela é demais! Um filho muda nosso humor. Rimos muito mais hoje”, derrete-se o pai.

Alexandre Carvalho/Fotoarena
Calors e Ana acham que as adaptações na relação valeram a pena
Romance e sexo
Os filhos trazem alegria e felicidade para os pais, sem dúvida. Mas é inevitável que afetem a vida sexual e o romantismo do casamento. Aquele jantar a dois no sábado a noite pode não existir e o tempo livre também é escasso. “Tudo isso torna o relacionamento previsível e a previsibilidade é inimiga do desejo”, avalia Dorli. Segundo Carmen Janssen, terapeuta sexual, a saúde do casamento vai depender de como o casal se reorganiza com o filho. Afinal, na nova etapa a mulher sofre com o excesso de responsabilidades e, eventualmente, com a baixa autoestima devido ao parto recente. Já o homem se preocupa com a estabilidade da família e ambos ficam com o padrão de sono desequilibrado. “Diminuir a frequência sexual  é normal, anormal é abdicar dos momentos a dois por conta do cansaço”, recomenda Ailton.

“A chegada do nosso filho mudou a rotina, o relacionamento, as prioridades e, principalmente, nossos valores”, relata Carlos Eduardo Yuji Abe, engenheiro civil, casado com a cirurgiã dentista Ana Cristina Ribeiro da Cruz Abe há um ano e sete meses. Segundo Dorli, é preciso enxergar o homem e a mulher além do papel de pai e mãe. Os especialistas indicam também arrumar tempo para o casal, colocar o filho para dormir em um quarto separado desde o início, investir na relação conjugal e conversar. “Como tudo na vida, nada vem sem sacrifício. Mas vale muito a pena”, completa Abe.

O casamento muda quando o filho chega. No primeiro ano, prepare-se para...

1. Dizer “não” aos convites. Festas, baladas, jantares e afins ficarão no fim da lista de prioridades. É bom que o casal tenha esse acordo claro.

2. Fazer menos passeios românticos. Vocês vão comer muito mais em casa e ir muito menos ao cinema, teatro e exposições.

3. Transar menos. Não tem jeito. O bebê chora, o bebê não dorme, o bebê precisa tomar banho.

4. Colocar uma terceira pessoa na relação e dividir o tempo entre filho e marido.

5. Um pouco menos de romantismo. A vontade de comprar uma lingerie nova ou o encantamento com um buquê de flores vão diminuir. Mas não vale esquecer para sempre desses agrados!

6. Ter menos tempo a dois. O tempo com o bebê será gratificante, diante de cada novidade, mas faltará espaço para todo o resto.


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