Conheça as histórias de casais que se amaram, separaram e voltaram

“Seja do jeito que for
Eu te juro meu amor
Se quiser voltar
Tá Perdoado!...”

A composição de Arlindo Cruz interpretada pela cantora Maria Rita conta a história de alguém que foi abandonado por seu amor e está disposto a fazer qualquer coisa para tê-lo de volta. “E se voltar te dou café // Preliminar com cafuné // Pra deixar teu dia mais gostoso”, diz a letra, em um clamor quase desesperado para que o ser amado volte. Essa canção apenas reforça aquela sensação comum depois de um fim de namoro ou casamento. “Principalmente porque, depois de algum tempo separados, os casais se esquecem de todos os pequenos problemas do cotidiano que culminaram no término”, diz a psicóloga especialista em terapia de casais Suzy Mosna. “E muitos dos casais que insistem em voltar acabam se machucando e se afastando ainda mais”, completa. “Mas existem casos em que a separação funciona como um período de amadurecimento”, contemporiza. Conheça algumas das histórias de casais que se amaram em dois tempos – e continuam vivendo felizes para sempre.

Se equilibrando em cordas bambas
Filipe e Vanessa Trielli se conheceram na Vila Mariana, bairro paulistano, em 1998. Ele estudava publicidade na faculdade ESPM e, do outro lado da rua, ela cursava desenho industrial. Os dois provavelmente já tinham se esbarrado rumo ao curso, mas foi o coral da ESPM que fez com que eles se aproximassem.

Ele, “um moleque frangote de 19 anos”, nas palavras de Vanessa, ela “uma mulher linda de 21 anos que mexeu comigo de cara”, na lembrança dele. Acontece que o moleque de 19 anos deixava qualquer um de boca aberta quando fazia solos de guitarra, e não demorou para Vanessa se encantar com o talento de Filipe, hoje produtor musical da Panela Produtora. Os dois se apaixonaram e namoraram por quatro anos. Vanessa foi vocalista de várias bandas que tiveram Filipe como guitarrista solo, como “Vanessa e o resto” e “Classe”. Mas no último dos quatro anos desse namoro as coisas começaram a esfriar. “Ele já não me dava atenção, não me surpreendia, comecei a me cansar daquele namoro morno”, diz ela. Ele não nega “sou um cara meio desligado mesmo, para mim estava tudo bem”.

Vanessa e Filipe: distância só aumentou o amor entre eles
Eduardo Cesar - Fotoarena
Vanessa e Filipe: distância só aumentou o amor entre eles
Mas não estava. E Vanessa, decidida que é, tomou as rédeas da situação e terminou o namoro. O período de separação foi de sofrimento para ele e busca para ela. Vanessa buscava não necessariamente outras relações – apesar de ter tido duas paixões relâmpago – mas certo equilíbrio interno, queria amadurecer, conhecer coisas novas. Filipe não. Sem pressa de viver, ele sabia que Vanessa era o amor de sua vida. Ele insistiu durante os seis meses em que estiveram separados para que voltassem, mas Vanessa só dizia não. Até que, inspirado pelo seu chefe na época, Filipe tentou uma estratégia diferente. “Olha, eu cansei de esperar por você. Conheci outra mulher e decidi seguir minha vida ao lado dela”. Uma semana depois, Vanessa estava de volta – e demoraram anos para que Filipe admitisse a mentira – uma jogada de sorte para tê-la novamente. Logo que voltaram, em 2002, já decidiram morar juntos e, em 2003, se casaram. Hoje têm um filho de quase dois anos, João Pedro, e estão felizes da vida – ele continua tocando sua guitarra e ela se divide entre o microfone e as aulas de ioga, sua principal atividade. “Éramos dois adolescentes com sentimentos de gente grande”, diz Vanessa. Ambos moravam com os pais na época da separação e não estavam prontos para se comprometer com uma relação mais séria. Mas esse período de separação serviu para que Vanessa percebesse que era aquele guitarrista charmoso que ela queria ao seu lado pelo resto da vida. E Filipe aprendeu a prestar mais atenção para, de vez em quando, surpreender sua mulher.

Tinha que ser
Quando viu Ricardo Cipriano de Sá pela primeira vez, Marcela Coffers disse à amiga Claudia Donega que namoraria com ele. “Não só vou namorar, mas me casar”, profetizou. De fato, naquela noite, os dois dançaram juntos e, logo em seguida, começaram a namorar. Marcela tinha 17 anos, Ricardo, 18. Mas, se a idade dos dois diferia em apenas um ano, a distância entre eles, com o tempo, se mostrou maior do que isso. Ela morava com os pais, que não permitiam que os dois fizessem viagens ou que ela voltasse muito tarde para casa. Ele, alistado no exército, era mais independente e se mostrou cada vez menos disposto a ter um namoro adolescente. Foi inevitável: um ano depois terminaram o namoro, mesmo que ainda se gostassem muito. Terminaram e, como em boa parte dos casos, se envolveram com outras pessoas.

Mas a paixão entre o casal era tanta que, de vez em quando, escapavam de suas relações para se encontrarem. Até que, depois de um ano de término, o sentimento falou mais alto. Foram juntos ao casamento da prima de Marcela e, ali, decidiram voltar. Marcela já estava trabalhando em uma loja e muito mais madura – e o namoro foi diferente. Oito anos depois, em 1994, eles se casaram e permanecem juntos até hoje. Para Marcela foi importante se separar por um ano de Ricardo, pois “a falta de quem você ama de verdade te faz mais forte”, diz ela, que passou três meses “na fossa”. O envolvimento com outro homem também teve um papel importante: aumentou ainda mais o amor que sentia por Ricardo. Ele, por outro lado, diz “farreei bastante, mas voltei para buscar o amor da minha vida”. Hoje os dois trabalham juntos na confecção de uniformes, e se policiam para não conversar sobre trabalho nos fins de semana.

Três anos se passaram até que Maria e Wilson se reencontrassem
AmanaSalles - Fotoarena
Três anos se passaram até que Maria e Wilson se reencontrassem
Depois de três anos
Ainda muito jovem, a baiana Maria das Graças Soares de Souza Ferreira partiu rumo a São Paulo para tentar a vida com a família. O ônibus passou por Minas Gerais e foi lá que apanhou Wilson Ferreira. Os dois eram novinhos e foram morar na mesma rua, na Zona Leste de São Paulo. Cresceram juntos, suas famílias tornaram-se amigas e o destino dos dois seguiu a sina quase que obrigatória em casos como esse: começaram a namorar.

Ficaram juntos por um ano e meio. Na época, Graça recebeu uma oferta para trabalhar na região de Moema, zona sul da cidade e bem distante de Wilson, e aí a relação começou a ficar complicada. Mas o ponto final se deu quando Graça se envolveu com outro homem, cortando de vez os laços com Wilson. Nesse meio tempo, Wilson também teve um envolvimento com outra mulher, mas nunca conseguiu esquecer Graça.

Depois de três anos, a irmã de Wilson contou a Graça que ele também estava solteiro e sugeriu que se reencontrassem. A baiana, então, se encheu de ternura para procurar o querido Wilson, pediu-o em namoro e recebeu um sim emocionado. Três meses de namoro e outro pedido, dessa vez, de casamento, também feito por ela. Casaram-se em 1983 e estão juntos até hoje. Têm uma filha, Ana Carolina Soares, de 24 anos. “Aprendi a dar valor à pessoa que ele é”, conta Graça. “O Wilson é um lago azul no meio das montanhas”, diz.
Ela afirma que, ao lado dele, sempre sentiu paz e segurança, nesses quase 30 anos de casamento. O fato de serem muito amigos e terem crescido juntos fez com que a relação desse certo quando voltaram. Eles têm total liberdade para serem verdadeiros um com o outro, e é com esse amor que continuam a enfrentar todos os percalços da vida – juntos.

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