Em baixa desde que a personagem Tiazinha (Suzana Alves) deixou a TV, categoria 'sado/fetiche' tem expectativa de aumento de 30% a 35% nas vendas por causa do filme

A nova capa do novo livro 'Cinquenta Tons de Cinza', com imagem do pôster do filme
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A nova capa do novo livro 'Cinquenta Tons de Cinza', com imagem do pôster do filme

Uma nova fase do fenômeno "Cinquenta Tons de Cinza" começa nesta quinta-feira (12), com a estreia do filme baseado no best-seller de E.L. James. Tão ansiosos quantos os fãs estão empresários dos mercados cinematográfico, editorial e erótico, que se prepararam para pegar carona no que promete ser um dos maiores e mais bem-sucedidos lançamentos do ano.

A ideia é simples: se o público de cinema é expressivamente maior do que o de literatura, o filme tem tudo para ampliar a já enorme base de fãs da trilogia, que vendeu 100 milhões de exemplares no mundo, sendo 6 milhões no Brasil.

A editora Intrínseca, que publica a obra de James no País, afirma que as vendas triplicaram em junho do ano passado, quando o primeiro trailer de "Cinquenta Tons de Cinza" foi divulgado. Um novo aumento de até 80% é esperado para depois da estreia. "É uma maluquice, é muito grande, é diferente de tudo o que já existiu no mercado literário e cinematográfico", afirma Heloisa Daou, gerente de marketing da editora, em entrevista ao iG .

Máscaras, chicotes e algemas

O setor erótico que o diga. A trilogia teve forte impacto na venda de produtos da categoria chamada de "sado/fetiche", a mais citada em “Cinquenta Tons de Cinza”, que narra a relação da jovem e ingênua Anastasia Steele com o milionário Christian Grey, um adepto do BDSM (sigla para bondage, disciplina, dominação, submissão, sadismo e masoquismo).

A categoria estava em baixa desde que Tiazinha, a personagem encarnada pela atriz Suzana Alves nos anos 1990, saiu de moda. Em 2012, o ano em que a trilogia foi publicada no Brasil, a venda de itens como máscaras, chicotes e algemas aumentou 35%, de acordo com Paula Aguiar, presidente da Abeme (Associação Brasileira de Empresas do Mercado Erótico). 


Um dos kits oficiais de 'Cinquenta Tons de Cinza', vendidos pela Loja do Prazer no Brasil, por R$ 199,90
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Um dos kits oficiais de 'Cinquenta Tons de Cinza', vendidos pela Loja do Prazer no Brasil, por R$ 199,90

Atentos ao sucesso do livro, donos de sex shops levaram a obra para as prateleiras e instruíram vendedores a associá-la aos acessórios usados por Christian Grey. "O livro virou um produto erótico", afirma.

Segundo a Abeme, 63% dos empresários do setor ampliaram a oferta de produtos de sado/fetiche depois do sucesso de "Cinquenta Tons de Cinza". Por causa do filme, 2015 terá pelo menos 50 lançamentos inspirados na obra, entre jogos, cosméticos, lingerie e fantasias, com expectativa de aumento de 30% a 35% nas vendas.

Novidades nas prateleiras

Como apenas uma empresa - a Loja do Prazer - pode comercializar os produtos eróticos oficiais do longa no Brasil, outras companhias tomam o cuidado para que seus produtos sejam facilmente reconhecidos pelos fãs da série, mas não infrinjam direitos autorais. 

Algemas da linha 'Cinquenta Tons de Prazer', da INTT Cosméticos, vendida por cerca de R$ 15
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Algemas da linha 'Cinquenta Tons de Prazer', da INTT Cosméticos, vendida por cerca de R$ 15

A INTT Cosméticos, por exemplo, criou a linha “Cinquenta Tons de Prazer”, que inclui desde gel para sexo oral com sabor vinho tinto (R$ 12) a algemas (R$ 15). O gel, aliás, é o carro chefe. “Não é tão agressivo quanto a algema, que às vezes assusta alguns maridos”, afirma Alessandra Seitz, diretora da marca.

Nas livrarias, obras relacionadas a “Cinquenta Tons de Cinza” também começam a aparecer. A editora Best Seller, por exemplo, lançou a biografia do ator Jamie Dornan, que interpreta Christan Grey, intitulada "Tons de Desejo". Desde 6 de janeiro, a Intrínseca colocou nas lojas uma nova edição da obra de E.L. James: sai a capa com a imagem de uma gravata e entra o pôster do filme.

A prática é comum no mercado e já rendeu bons resultados para a editora em títulos como "A Culpa é das Estrelas" e "O Menino do Pijama Listrado", sendo acompanhada de uma grande campanha de divulgação, com comerciais de televisão, anúncios patrocinados na internet e material promocional nas lojas. “Recolocamos o livro no mercado como se fosse um produto novo”, diz a gerente de marketing.

A capa da biografia 'Jamie Dornan - Tons de Desejo', lançada pela Best Seller
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A capa da biografia 'Jamie Dornan - Tons de Desejo', lançada pela Best Seller

Redes sociais

A ação é realizada em parceria com a distribuidora Universal Pictures, que apostou alto no longa. A campanha de marketing começou cerca de um ano antes da estreia, com a divulgação de pôsteres, imagens, trailers e trechos do filme - a maioria mais sugestivos do que explícitos.

Nas redes sociais, uma parceria com a empresa Social Tailors incluiu, por exemplo, a criação de um aplicativo no qual usuários do Facebook podem criar um “status de relacionamento” com Christian Grey. Em menos de uma hora, a brincadeira recebeu mais de 2,8 mil acessos. 

Também foram programadas ações no Spotify, Vevo, YouTube, Twitter, Waze, Swarm e FourSquare - os três últimos enviarão notificações aos usuários quando eles estiverem perto de uma sala de cinema na qual o filme estiver em cartaz.

Dia dos Namorados

Desde o fim de janeiro, a rede Kinoplex vendeu mais de 35 mil ingressos para “Cinquenta Tons de Cinza” (procurado pelo iG , o Cinemark não deu números, mas disse que a procura tem sido grande). A classificação etária de 16 anos não é vista como empecilho ao faturamento. “O filme tem um público bem abrangente, que contribuirá para um resultado de bilheteria expressivo”, diz Patricia Cotta, gerente de marketing do Kinoplex.

Nos Estados Unidos, analistas acreditam que o filme vá faturar mais de US$ 45 milhões (R$ 125 milhões) no fim de semana da estreia, marcada para 14 de fevereiro, o Dia dos Namorados no hemisfério norte. Como as mulheres são as principais leitoras da obra, espera-se que elas também sejam a grande força do filme nas bilheterias, levando os companheiros ao cinema.

Ao menos para o mercado erótico, fevereiro também será o mês dos namorados no Brasil: a esperança é a de que o filme ajude o setor a compensar o fracasso comercial do ano passado, quando a abertura da Copa do Mundo ofuscou a comemoração e rendeu o pior faturamento na data em uma década.

“Este ano o Dia dos Namorados será o dia da estreia do filme”, diz Paula Aguiar. “A ideia é que o pessoal vai sair do cinema e ir para o motel ou para casa com seu ‘kitzinho' de ‘Cinquenta Tons’, para viver esse clima, essa excitação.”

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