Gravar as próprias relações sexuais ou se deixar flagrar por câmeras em locais públicos promove uma sensação de aventura, ao fazer algo que é considerado como proibido

Na última quinta-feira (5), depois do que parece ter sido uma sessão de sexo oral com o parceiro Fernando, a participante do ‘Big Brother Brasil 15’ Aline falou do assunto com ele sem o menor pudor . "Você vai ter que lavar o rosto, tomar um banho", aconselhou a estudante para o produtor cultural, diante das câmeras do reality show da Globo. Logo em seguida, ela emendou uma pergunta: "Vai ter que trocar o edredom?".  

A maneira com a qual Aline, do alto dos seus 24 anos, lidou com o assunto, sem rodeios ou meias-palavras, mostra como está edição do reality está se firmando como a menos hipócrita em relação ao sexo.  O casal Rafael e Talita também transou no confinamento , e igualmente não escondeu isso dos colegas. 

Além de não temer a exposição, os BBBs parecem se divertir com a ideia de estarem diante das câmeras enquanto fazem sexo sob os edredons. O fato de estarem sendo filmados pode inclusive funcionar como fantasia erótica. Muita usada pelos participantes do reality, a hipótese de que o desejo foi mais forte e incontornável não se sustenta como justificativa.

Relembre os casais que aprontaram sob os edredons do "Big Brother Brasil":


“Considero pouco provável a afirmativa de um desejo incontrolável, principalmente tratando de desejo sexual”, avalia o psicólogo Ítor Finotelli Jr., secretário geral da Sociedade Brasileira de Estudos em Sexualidade Humana (SBRASH). O especialista lembra ainda que o “BBB” é um programa de entretenimento, no qual o envolvimento de um casal funciona como uma maneira de chamar atenção do público. 

Obviamente, a ideia de transar em frente às câmeras também excita outros casais fora do confinamento do “BBB”.  “Muitas pessoas sentem a necessidade de registrar as atividades sexuais. Algumas o fazem com a intenção de se excitarem novamente ao rever e assistir o que gravaram”, explica o psicólogo Oswaldo M. Rodrigues Jr., do Instituto Paulista de Sexualidade (Inpasex). 

Veja também:  Você sabe o que é beijo-grego? Prática sexual exige cuidados

Finotelli Jr. acrescenta que gravar vídeos de sexo ou se se deixar flagrar por câmeras em locais públicos promove uma percepção de aventura, ao fazer algo que é considerado como proibido. “Tanto por quebrar regras no sentido da autoafirmação quanto pelas novas sensações que essa vivência ‘desregrada’ pode proporcionar.”

O exibicionismo é uma terceira motivação para quem expõe o vídeo da própria relação sexual, segundo Rodrigues Jr.. Não é à toa que as chamadas ‘sex tapes’ ficaram populares com a exposição de celebridades como a socialite Paris Hilton e a modelo Kim Kardashian, que tiveram fama e lucros elevados depois que suas relações sexuais foram parar na internet.

RISCOS E LIMITES

A última motivação apontada pelos especialistas é bem mais nociva. Muitas pessoas divulgam vídeos de sexo para se vingar de antigos parceiros.  Nestes casos, a exposição pode causar danos psicológicos, pessoais e profissionais para quem é exposto. 

Como qualquer outra fantasia sexual, ter uma relação sexual filmada tem que satisfazer ambos os parceiros. Deste modo, gravar o sexo sem o consentimento do parceiro é uma violência, que pode ser alvo de processo na Justiça.

“Toda fantasia deixa de ser saudável quando causa dependência, coerção, violência e expõe alguém a riscos não mensuráveis”, pontua Finotelli Jr. “O limite está sempre no combinado da prática, lembrando que apesar de tomar uma característica pública, a atividade sexual tem como princípio a privacidade. Essa garantia é estabelecida nos diretos sexuais”, prossegue o psicólogo. 

Outra preocupação é não deixar se limitar, tendo o prazer vinculado a uma única maneira de fazer sexo.  “As fantasias, as expressões sexuais diferentes e variadas deixam de ser saudáveis quando não permitem outras variações conduzindo a repetições da mesma forma sempre”, conclui Rodrigues Jr..

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.