Não é preciso seguir à risca nenhum manual para garantir que a saída seja agradável. Autenticidade e segurança são o melhor caminho para um bom encontro

Pegar leve no decote e no comprimento da saia, tomar cuidado para não falar demais e demonstrar interesse e nunca, sob hipótese alguma, ligar no dia seguinte.

Essas são algumas regras clássicas dos encontros casuais, que podem – e devem – ser quebradas. O resultado, em geral, são relacionamentos e encontros mais autênticos, com menos chances de frustração e arrependimento.

A ansiedade pode contribuir para que o encontro seja mais tenso e complicado do que deveria. O ideal é sair com o coração aberto, mesmo que o relacionamento não vá adiante
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A ansiedade pode contribuir para que o encontro seja mais tenso e complicado do que deveria. O ideal é sair com o coração aberto, mesmo que o relacionamento não vá adiante


Para que tudo corra bem e o encontro renda boas lembranças ao casal, a dica é lidar com a ansiedade, reduzindo as expectativas.

“Tem de ser algo gostoso, uma ocasião de descobertas e prazer, e não uma prova tensa. Pessoas que confiam na vida e são espontâneas conseguem se divertir muito mais e, em geral, são muito mais felizes”, observa Rosana Braga, consultora de relacionamento do ParPerfeito.

Segundo a especialista, autoconhecimento e confiança são características marcantes de pessoas que se saem bem em primeiros encontros, pois elas sabem lidar melhor com os próprios medos, inseguranças e traumas.

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Se ainda assim o nervosismo e a ansiedade tomarem conta da situação, vale lembrar que a saída não precisa se transformar necessariamente em um relacionamento sério. Ou seja, é normal terminar um encontro com um bom amigo e nada mais, e isso não significa que o encontro tenha sido ruim ou chato para alguma das partes.

“Para isso, é importante conquistar a independência emocional e saber lidar com a solidão, entendendo o sexo casual como uma coisa normal e muito legal”, reforça Heverton Anunciação, pesquisador e consultor comportamental.

Abandonar as regras tradicionais dos encontros também é uma maneira de se libertar e ter encontros mais felizes.

“Os manuais são cartilhas fundamentadas em ideias retrogradas e opressoras. Elas ensinam basicamente o que as mulheres devem fazer para agradar os homens. Não segui-los demonstra que a mulher tem autonomia sobre suas escolhas e respeito por si”, defende a psicóloga Mary Scabora.

Veja exemplos clássicos (e antiquados!) de como se comportar e entenda por que não vale a pena seguir esse manual:


Não transar de primeira

Algumas mulheres já se sentem à vontade para se entregar e acelerar as coisas na primeira noite, mas o velho tabu da sexualidade feminina ainda assombra muitas.

“Existem homens que alimentam o pensamento de que aquela que transa no primeiro encontro tem pouco valor, que não merece respeito”, explica Mary Scabora sobre o receio que as mulheres ainda têm, mesmo que sintam vontade de transar.

O mais importante é que o sexo seja consensual e que não exista a preocupação da imagem que o parceiro irá fazer dela. E, caso ele realmente julgue a atitude como “errada”, já dá para saber que a parceria não é tão boa assim.

Não ligar no dia seguinte

Se existe o interesse e a vontade de procurar a pessoa novamente, por que esperar o outro lado tomar a iniciativa? Não existe nenhuma teoria que comprove o sucesso de se abster de qualquer contato após o encontro. Se o potencial parceiro não quiser ver você de novo, com certeza dará indícios do desinteresse e aí é só seguir em frente, sem medo de investir em outros casos amorosos.

Femme fatale

Nem salto alto, nem vestido apertado: cada mulher é sensual à sua maneira, sem precisar abusar de um figurino sexy, principalmente se as roupas em questão não forem nada confortáveis. Nesse caso, o melhor é ser autêntica e vestir aquilo que lhe cai bem, mesmo que seja calça jeans e sapatilha.

Usar lingerie “nem muito sexy, nem muito vovó”

Bege, nem pensar, porque a cor “diminui” o tesão. Vermelha, com muitas rendas, também não, já que o parceiro pode achar o figurino íntimo “vulgar demais”.

O ideal é fingir que essas imposições absurdas não existem e, novamente, adotar conforto e autenticidade como lei. A preocupação excessiva com o sutiã e a calcinha pode ainda travar a mulher na hora da relação, por conta do desconforto.

Quem paga a conta é ele

“O certo é sugerir a divisão da conta, para mostrar que foi um bom momento para os dois, que ambos aproveitaram a saída”, explica Heverton Anunciação. Não há nada de errado em se dispor a pagar a conta, o que não pode é deixar que esse ato se transforme numa discussão sem sentido, por conta do orgulho ou da ideia de que o homem deve pagar tudo sozinho.

Salada, sempre

É normal ter apetite e preferir a combinação de hambúrguer, batata frita e milkshake em uma única refeição. O que não é normal é fingir que salada e alguma carne com pouca gordura são o melhor pedido para um encontro, só para não passar uma impressão errada ao parceiro.

“No século 19 isso podia fazer algum sentido, hoje não mais. O foco do encontro é conhecer um ao outro e, neste caso, o prato escolhido é uma questão secundária”, acredita Mary Scabora.

Falso desinteresse

Para algumas mulheres, o ditado “vem fácil, vai fácil” acaba justificando a postura do desinteresse, como se a dificuldade, para o outro lado, aumentasse a motivação e a vontade da conquista. A estratégia pode ser uma furada: todos gostam de se sentir queridos e desejados, portanto, o desinteresse pode ser um verdadeiro balde de água fria para quem quer começar algo novo.

Usar roupas comportadas

Infelizmente, a cultura machista ainda se faz presente na sociedade e as mulheres acabam sendo julgadas pelas roupas que decidem usar, como se uma saia mais justa e curta pudesse dizer algo sobre o caráter e personalidade de alguém. A regra é estar confortável e de acordo com o ambiente escolhido para o primeiro encontro.

“O melhor a ser usado é o bom senso. A mulher corre o risco de se sentir deslocada, por exemplo, caso esteja muito arrumada em um ambiente que é mais básico”, pontua Mary Scabora.

Mulher não bebe

Ele pede uma cerveja e você, que sente vontade de beber junto, acaba optando por um suco ou até algo mais leve, como água. O maior erro nesse caso é ir contra a própria vontade só para agradar outra pessoa, fingindo um comportamento que não é real. Se existe a vontade de beber, o primeiro encontro não deve inibir isso, mas o cuidado deve prevalecer.

“Depende de como a pessoa se relaciona com o álcool. Prudência cai bem em qualquer lugar e não exagerar na bebida é um cuidado que deve ser tomado sempre”, conclui Mary Scabora.

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